Arquivo do mês: fevereiro 2010

Livros didáticos contém erros sobre o Islã

07/02 – LIVROS DIDÁTICOS CONTÊM ERROS SOBRE O ISLÃ “Erros históricos permitem formação de conceitos errados sobre Islã e muçulmanos”

A professora Ana Gomes de Souza (FOTO), que dá aula de História para alunos de 11 a 18 anos, partiu de uma premissa importante quando escolheu estudar a imagem do Islã retratada nos livros didáticos de História. A pesquisa sempre deixou claro que esses livros agem como fontes fidedignas das informações que carregam. O que acontece, para a autora, é que a falta de questionamento e a relação dos alunos com o livro é de um olhar cientificista, ou seja, as informações contidas nas páginas do livro não “podem” estar erradas. Em outras palavras, “tendem a ser recebidas sem contestação e na maioria das vezes acompanham o aluno por toda a sua vida, ou seja, o aluno não filtra essas informações e apenas as recolhe”.

Assim, o Islã continua a ser um conjunto de conhecimentos ainda estranho para grande parte dos brasileiros. E se a informação oferecida pela mídia em geral – filmes, notícias – tem dificuldade para se livrar de preconceitos e equívocos, os livros didáticos – a base de educação da pessoa que emite opinião e age na sociedade – parece plantar a primeira semente de ignorância sobre o assunto.

Baseada em fontes islâmicas oficiais (o Corão, a Tradição, o Consenso e a Medida), a autora procura fazer uma análise de livros didáticos aplicados na educação de alunos da 5ª a 8ª séries. Os erros são vários. O termo Allah, de forma geral, é entendido como o deus muçulmano, e não como a palavra árabe que designa a palavra deus, seja qual for a religião a que se refira. Essa confusão pode “ocasionar a formação de preconceitos porque não permite a identificação da religião islâmica como fé monoteísta e os muçulmanos como devotos do mesmo deus adorado por cristãos e judeus”.

Outro erro: o islamismo como maometismo. A palavra não está presente em nenhuma das fontes islâmicas e nem há equivalente no idioma árabe. Edward Said, em “Orientalismo”, acredita o termo surge de uma analogia em relação à religião dominante na Europa, o cristianismo. Deu-se o mesmo atributo divino de Cristo a Maomé para então considerá-lo – assim como a religião que revelava – um impostor.

Os erros seguem, sobre os profetas, o local sagrado de Meca, a Hégira, a poligamia e a jihad (termo cuja carga semântica pode ser traduzido pela palavra esforço, e não guerra santa). Como explica a autora através do estudo das fontes islâmicas, “o jihad menor é o esforço que deve ser empenhado na defesa contra agressões feitas aos valores do Islã e agressões contra a integridade física dos muçulmanos. Tal conceito não mantém nenhuma ligação coma violência gratuita e nem com o termo ‘guerra santa’ que os não-muçulmanos utilizam para explicar a expansão islâmica”. Mas mais importante é a reflexão interior do muçulmano, o jihad maior. Como explica Ana Gomes, “o jihad maior é apresentado como o esforço, o empenho ou a luta diária que o muçulmano trava consigo mesmo para evitar situações que possam afastá-lo de Deus – a corrupção, a inveja, a injustiça, a soberba e a mentira. Essa é a mais importante”.

Leia a seguir a entrevista concedida ao jornalista Arturo Hartmann, do Instituto de Cultura Árabe (Icarabe), pela pesquisadora, que fala de sua tese, da imagem do Islã no mundo e sobre as causas dos erros nos livros didáticos a respeito da religião.

Icarabe: Por que resolveu fazer esse estudo sobre o islã?
Ana Gomes de Souza: O Islã é um dos temas que está previsto para ser abordado no ensino fundamental e também no ensino médio. Preparando uma aula sobre o tema, fui atrás das fontes oficiais do Islã – o Alcorão e Hadith – para que os alunos pudessem ver, ler e manusear durante a aula e, nessa busca, pude perceber divergências entre os textos dos livros didáticos de História e as fontes oficiais do Islã. Essas divergências me conduziram à pesquisa que se transformou numa dissertação de mestrado que foi defendida no Programa de Pós-Graduação em Língua, Literatura e Cultura Árabe do Departamento de Letras Orientais da USP.

Icarabe: Qual o critério para a escolha dos autores e dos livros para a análise?
Ana Gomes: No corpus da minha pesquisa foram selecionados apenas os livros didáticos de História editados pelas grandes editoras de livros didáticos do Brasil, pois elas têm alcance nacional e sãos as maiores fornecedoras de livros didáticos para o Programa Nacional do Livro Didático (PNLD). De acordo com esse programa, o governo federal compra e distribui tais livros para as escolas públicas do ensino fundamental.

Icarabe: Existe no conteúdo dos livros didáticos uma tendência a todo o momento centrar excessivamente a Religião Islâmica na figura de Muhammad (Maomé). Qual seria a principal razão para isso?
Ana Gomes: Não digo que é excessivo, porque enquanto alguns livros trazem que o Islã é uma religião revelada por Deus e que Maomé é um dos profetas aceitos no Islã, outros livros sinalizam que Maomé seria o autor dessa religião.

Icarabe: No processo constante que o conhecimento a respeito de Maomé tenta diminuí-lo, construir sua imagem como de um irracional e perverso se podemos dizer assim, como isso influencia a imagem do próprio islamismo?
Ana Gomes: Os livros didáticos de História do corpus trazem apenas algumas informações sobre Maomé, e dessas, a que se destaca é a do casamento com Kadija, mulher mais velha e rica, na qual alguns livros deixam transparecer que ele seria um “oportunista”. Esse perfil não é corroborado por pesquisadores que atestam que Maomé viveu de forma frugal, sem conforto, longe de qualquer luxo e ao morrer não teria deixado nenhuma herança a seus herdeiros. O perfil de “oportunista” priva Maomé do próprio status de profeta, que, de forma geral, foram pessoas com excelente conduta moral, sem interesses materiais, preocupados com o bem comum e com o pós-morte. Assim, uma pessoa que desconhece os fundamentos do Islã e recebe como informação apenas esse perfil, certamente terá dificuldades para reconhecer Maomé como profeta divino, reconhecer os muçulmanos como monoteístas e provavelmente terá uma “imagem” desfigurada do Islã.

Icarabe: Como você definiria a forma como o islã é divulgado nos livros didáticos?
Ana Gomes: Se a pergunta se refere ao livro didático de História, posso te dizer que, baseada na pesquisa, alguns dos livros didáticos de História que estão em uso deveriam rever algumas das informações apresentadas por conterem erros históricos que podem permitir a formação de conceitos errados sobre o Islã e os muçulmanos. Por exemplo, um dos livros afirmou que a Hégira teria ocorrido da cidade de Medina para a cidade de Meca, quando na verdade os muçulmanos partiram de Meca para Medina.

Icarabe: Qual sua análise das atualizações feitas nos livros didáticos em relação ao islamismo que ocorreram em 2004?
Ana Gomes: De forma geral os livros didáticos do corpus da pesquisa se preocuparam mais em fazer revisões na parte gráfico-editorial do que em seus textos, substituindo uma palavra por outra sem trazer grandes alterações no sentido do texto, ou seja, há várias décadas o Islã consta nos livros didáticos de História, porém, essa permanência não lhe garantiu a atualização e a revisão das informações, o que pode levar a crer que as informações sobre o Islã já se esgotaram e que não há nenhuma informação que merece revisão. Por exemplo, os ataques aéreos, em 2001, às torres gêmeas em Nova Iorque, aparecem em apenas um dos livros do corpus. Aqui, a questão das torres é apenas citada como fato histórico recente, sem nenhuma relação com os princípios da religião divulgada por Maomé.

Icarabe: Que tipo de ação poderia ser tomada pelo governo federal para evitar esses erros com relação ao islamismo?
Ana Gomes: Como professora, respondo não apenas em relação ao Islã, que foi o objeto da pesquisa, mas de forma geral, de uma forma que eu acho que pode beneficiar todo o processo de ensino-aprendizagem. Talvez a solução para essa questão passe pelos seguintes pontos: considerar que o livro didático traz inúmeros temas e para verificar se cada um desses temas traz divergências, erros ou enganos, deve-se colocar cada tema abordado sob a análise de um especialista na área. Por exemplo, qualquer historiador tem uma visão geral de muitos processos históricos, porém, o especialista/pesquisador de determinado tema sempre terá um número maior de informações, de dados que podem contribuir com mais propriedade nessa análise, porque o livro didático é destinado ao aluno do ensino fundamental que não é perito em nenhum tema, que acredita que o livro didático nunca erra ou comete enganos e ainda, provavelmente, as informações recolhidas seguirão no aluno após a conclusão do ensino fundamental. Por isso, o livro deve trazer informações precisas. O segundo ponto seria incentivar nas universidades a realização de pesquisas sobre os conteúdos trazidos pelos livros didáticos.

Fonte: www.icarabe.org

Edição: Ibei

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Como escrevi o “Mohamed, o latoeiro”

Como escrevi o “Mohamed, o latoeiro”?

O desejo de me tornar um escritor, um contador de histórias, vinha me perseguindo desde minha adolescência. Nos meus vintes, escrevia contos e historietas para o suplemento Jornal do Sinos, que vinha encartado no jornal Zero Hora. Uma década depois, escrevi alguns contos para o jornal Hamburgerberg, até quando esse excelente jornal deixou de existir. O Hamburgerberg era um jornal cultural, editado pela Fundação Ernesto Frederico Scheffel. .

Durante duas décadas e meia não escrevi uma linha sequer. Embora o sonho de escrever o meu primeiro romance me acalentasse e me acossasse por todos os lados, a batalha diária de ganhar a vida me era prioritária.   Na verdade, não queria morrer sem ter escrito o romance. Eu morreria frustrado e cobraria do Todo Poderoso lá no Paraíso. Além do mais, a professora Juracy Saraiva, doutora em literatura, durante quase três décadas, insistiu para que eu escrevesse um livro. Ela tinha lido minhas histórias no Hamburgerberg e achava que eu tinha algum talento. Professora-doutora Juracy, tornou-se, portanto, minha madrinha. Foi ela quem me empurrou para dentro do mundo da literatura..

De repente, num chuvoso dia de inverno de 2007, fui submetido a uma cirurgia e, então, surgiu o momento certo. Comprei um noutebuque e, incentivado pela Suzana, dei início às primeiras letras. 

Mas qual seria o tema?

O tema tinha que ser algo que eu dominava com certo desembaraço. Portanto, nada melhor do que algo pertinente à cultura e costumes árabes, com pitadas de história, que traçasse paralelos entre os dois mundos, sem ser crítico e nem tendencioso. Simplesmente, escrever pra narrar. Peguei emprestada a frase do Mia Couto, grande escritor da língua portuguesa, do Moçambique. A citação de Mia Couto está logo na terceira página: “Uma das mais belas funções da escrita é o convite a transgredir fronteiras. Algo se torna verdadeiro apenas porque o dizemos com saber poético.” Segui o norte do grande moçambicano. Ou pelo menos tentei.

Quando criança, eu ouvira numerosas histórias contadas pelos “patrícios” dos meus pais que visitavam nossa casa. Tive a oportunidade de ouvir muitos casos engraçados, outros muito tristes. Eles conversavam sobre a “terra” que deixaram para trás, as famílias, suas aventuras nas lides de mascates, seus dramas, suas vicissitudes e suas alegrias. Usei essa matéria prima, acrescida de alguma experiência pessoal, e comecei a montar a história.

Quando alguém pensa em imigrante árabe logo lhe vem à mente o mascate, o dono da loja de “turco”, o comerciante, o sujeito que acumulou fortunas trabalhando duro e honestamente. Ou não necessariamente. Quero dizer, a coisa mais corriqueira era encontrar um árabe mascate (quando ele recém chegava) ou que já tinha a sua loja e estava ficando rico. Mas encontrar um árabe que prestava serviços era uma raridade. Pessoalmente, em todos os meus anos de vida, conheci poucos. Um eletricista, um marceneiro, um encanador, um latoeiro, um carroceiro, um caminhoneiro e um motorista de lotação. E eram pobres, comparando com os ricos comerciantes.

Então, decidi escrever sobre o latoeiro, uma profissão estranha à maioria da população brasileira que tem abaixo de sessenta anos. Além do mais, muitos amigos e leitores me perguntavam o que fazia um latoeiro. Eu explicava. É o sujeito que andava pelas ruas da cidade tilintando sobre uma chapa de metal, geralmente uma frigideira, anunciando os seus serviços às donas de casa. Ele consertava panelas, colocando novos cabos e novos fundos de zinco ou alumínio, fazia canecas das antigas latas de óleo, consertava regadores, leiteiras, bules, etc. Carregava uma caixa de ferramentas muito pesada, cheia de chapas de zinco, alumínio, ferro de soldar, fogareiro, macete, barras de estanho, e uma dúzia de outras ferramentas. “Seria um funileiro?”, perguntavam os leitores do Rio Grande do Sul. “Quase”, eu respondia. Há uma sutil diferença entre um funileiro e um latoeiro. O funileiro é mais aprimorado. Faz e instala calhas, tem equipamento e maquinário mais sofisticados e geralmente está instalado em sua funilaria, atendendo sua clientela. . Já o latoeiro mantém o seu espírito nômade. Cada dia em um bairro ou numa rua. Não gosta de ficar atrás de um balcão. Mas nada impedia um latoeiro de ser alçado a um nível social mais superior, tornando-se um funileiro. Assim era em Curitiba, assim foi com Mohamed.

O nosso herói, ou melhor, o anti-herói, se vê, repentina e circunstancialmente, arremessado a um mundo diferente. Um adolescente camponês, pastor de cabras, flautista tocador de “mijuez”, cujo mundo estava circunscrito a meia dúzia de aldeias encravadas nas íngremes Montanhas Alauítas da Síria, defrontava-se com um gigantesco país católico, cujos costumes se chocavam com os dele. A questão para Mohamed era se devia comer ou não carne de porco; devia ou não beber uma cachacinha com os caboclos. Em seguida, confrontava-se com as mulheres do país que, embora estivéssemos ainda na década vinte do século passado, gozavam de liberdades muito amplas em comparação com as mulheres do seu país de origem. Outros confrontos, outros dilemas e dúvidas assolariam a vida de Mohamed.. Casar ou não numa igreja, batizar ou não um filho. Nosso anti-herói sofreu, amou, divertiu-se, criou filhos, conflitou-se, envelheceu, apaziguou-se e abrasileirou-se.

Sobre a massa, coloquei uma pitada das minhas experiências pessoais, tais como as histórias que ouvia, na minha infância, narradas por meu pai e seus amigos, minha meninice no Líbano, meu serviço militar e minha ida à Faixa de Gaza como soldado do 13º Batalhão de Suez. Busquei um bocado de pesquisa sobre a Curitiba de antigamente.

Escrevia nas madrugadas, nos fins de semanas, nos feriados, nos sábados e domingos. Escrever tinha se tornado uma obsessão.  Estava cada vez mais envolvido pela história, arrastado nela pelas mãos do nosso anti-herói. E a professora Juracy a analisar e a criticar e elogiar o texto.

Finalmente, em fevereiro de 2009, a senhora Lourdes Magalhães, diretora da Primavera Editorial, e sua equipe leram os meus originais e gostaram.. Em setembro de 2009 “Mohamed, o latoeiro” foi lançado em São Paulo, no aniversário da editora, com uma noite de autógrafos..  “Mohamed, o latoeiro” foi o bolo de aniversário.

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Carla diz

Oi amigo
Primeiro muitos desejos de um novo ano maravilhoso, depois o agradecimento pelos momentos de deleite durante as minhas curtissimas ferias lendo o teu livro. É apaixonante, tão apaixonante que deixei de fazer alguns passeios em Punta (ficamos alguns dias lá) para poder continuar lendo. Eu não queria largar enquanto não terminasse! Consegui desligar e viajar na historia, tentando imaginar, visualizar os lugares, enfim uma viagem e tanto…
Parabéns querido, aguardo ansiosa o proximo lançamento.
Grande beijo
Carla e Fred(ele esta aqui do meu lado pedindo para colocar o nome dele!)

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Mr. Blankenheim comenta sobre música árabe

My Dear Writer
Tenho apreciado com encanto todos os vídeos indicados e modestamente acrescento um texto que talvez contribúa com a cultura geral sobre o assunto.O que diferencia a música oriental da ocidental e nos fascina pela estranheza e talvez algum exotismo fica bem explicitado no texto abaixo:são as escalas musicais que mudam.Os povos da tua região são muito musicais,alegres e dançarinos.Talvez essa característica tenha uma explicação que por mais que nos esforçássemos musicalmente para justificar,não conseguiríamos explicar.É que as notas,unidades matemáticas básicas da música,têm outra estrutura.
Abrçs
Mauro Blankenheim
 
Ao contrário da música ocidental, ela,a música oriental, não desenvolveu o uso da harmonia. A razão básica é que a harmonia depende de um sistema tonal fixo (um espaço invariável entre notas). Toda a escala musical árabe tem certas posições fixas (tons e meio tons) como na música ocidental, mas entre elas existem notas sem lugar fixo e que caem em posições diferentes numa escala, cada vez que são tocadas.
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Gilberto Mosmann comenta sobre a “dabka”

Boníssima! Costumes são aspectos culturais próprios a cada região. Vê se não parece o costume gaúcho, de só homens dançarem a chula! Gilberto, o Mosmann

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Muna Omran escreveu

Querido Gilberto
Qdo termino um livro, que gosto muito, deixo passar um tempo, elaborá-lo ( como se diz na psicanálise) e dps escrever ou falar sobre. Deixo a emoção cessar, mas seu livro, ainda me arranca lágrimas.
Não li, devorei as primeiras 160 páginas naquele final de semana em q vc veio. Dps o ritmo foi mais lento, em funçao do trabalho, mas em uma semana já  o tinha terminado.
Até a página do profeta Zeca ( rs)´, o ritmo da narrativa nao tinha me pego pelo estômago. Até então, me fascinava não a história do Mohamed, mas a forma que o narrador contava a história da opressão do Império Otomano,e, sobretudo, pela 1a vez na literatura seja brasileira ou estrangeira, vi alguém falar claramente sobre a história d os alawitas. Isso já me fascinava, a historiadora encontrava ali, na narrativa elementos que se somavam aos poucos estudos sobre os alawitas e sua participação na expulsão dos turcos. Ao mesmo tempo a crítica literária observava estilo e outras bobagens mais.
Qdo a narrativa me pegou pelo estômago, sendo um suplício largar o livro para cumprir minhas obrigações  profissionais? Qdo Mohamed decide se casar com Aqul e a chegada de Kafa à aldeia, as armações de Aqul e de Kafa, qdo Ibrahim fica sabendo que seu filho o desonrara…enfim…a partir daí, não conseguia largar o livro. E aí a crítica literária e a historiadora já tinham ido passear e a ela, a senhora de todas as ciências, a Literatura cumpria seu grande papel: cativar um leitor.
Vi ali, em muitas linhas, a história de meu pai, a história que ouvia muitos imigrantes contarem no quintal da casa do meu avô, na rua Maia de Lacerda, enquanto escalpelavam os carneiros em dias de Ei d. Reconheci o prédio de 4 andares que Mohamed chegou, o 115 da rua do Estácio, pois qdo criança, tinha ainda muitos patrícios morando lá. A mijuez do Mohamed me fez relembrar o HAmdu tocando ou na casa do meu avô ou nas festas da sociedade muçulmana enquanto nós crianças tentávamos dar os 1os passos da dabke. Os a´taba que minha avó com outras mulheres entoavam, qdo viravam a noite preparando os almoços das festas religiosas, ressoavam em meus ouvidos enquanto lia seu livro.
De todos os autores que já li, que tratam sobre a imigração  ( Salim Miguel, Milton Hatoun, Alberto Mussa, Raduan Nassar), só um me tocou, foi o romance Nur na escuridão, de Salim Miguel, me fazendo chorar.  A esta seleção de autores posso, agora, incluir o seu livro, Mohamed, o latoeiro.
Entendi perfeitamente a reconciliação de Ibrahim  ( filho) com Mohamed, após sua morte, chorei e ainda choro qdo me lembro da cena em que Ibrahim entra no aviao, após enterrar seu pai, foram as mesmas palavras que eu disse após o enterro do meu querido baba.
O encontro de Ibrahim com Yemna, com as irmãs, filhas de Zefa, o casamento falso de Zeca com Zefa..Meu Deus, qtas pequenas histórias do cotidiano que construíram a grande história de Mohamed.
Entendi, o retorno e o apego às tradições após a morte de Mohamed, brimo, eu fiz isso, esta foi a forma que encontramos para manter o elo que nos une aos nossos queridos antepassados, de os manter vivos em nós, esta é a nossa identidade.
Adorei as receitas da Yemna, me quebraram um galho e fiz a abobrinha recheada com coalhada, não preciso mais esperar a boa vontade de minha mãe fazer e me convidar para almoçar na casa dela. (rs).
Enfim…seu livro é show…prometo uma resenha para ser apreciada e publicada na revista Tiraz, do depto de Língua e literatura árabe da Usp, e se nao aceitarem , publico na minha revista e em outras que certamente aceitarão.
O seu romance é um tributo a todos os Mohamed que vieram para o Brasil, que sempre foram os deslocados, os foras -do- lugar, aqui no Brasil e na sua terra natal, que deixaram seu nome cravado nas lembranças que constituem o Brasil.
Agradeço por ter me contemplado com a leitura desta obra.
Tenho algumas perguntas a fazer sobre a construção do livro, mas fica para um outro momento, pois será para colocar na minha revista e quero mandar as perguntas direitinho. (rs).
Brimo, parabéns….um 2010 de muito luz, muita paz, muita inspiração, parabéns pela família que vc tem, que vc criou, pela belíssima declaração de amor que vc faz a Suzana, no final do livro. Fico agora ansiosa para o nascimento do próximo livro.
Vc não pode imaginar como fico mais feliz ainda, em além de ler o livro, conhecê-lo pessoalmente, que se repita sempre. Insha´alla.
um grande beijo para vc e todos aí,
Muna

Muna Omran
Rio de Janeiro
http://www.revistaliteris.com.br

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Maí Cezar

Olá Gilberto!
Como imaginei,teu romance me cativou até o final.Parabéns,aprendi muito sobre a cultura árabe. Amanhã  teu livro já  estará sendo emprestado para outra amiga que muito se interessou pelo assunto  também. Hoje tomamos um cafezinho juntas e comentei sobre o livro e logo ela  mostrou interesse.  Está aí tua mais nova profissão…..escritor.Vá em frente…
Abraço
Maí Cezar
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Cris Vitiello comenta

Olá Gilberto
Gostaria de parabenizá-lo pelo ótimo livro!
Mohamed é apaixonante, nos inspira os mais variados sentimentos,às vezes queremos lhe dar “colo”, pois
demonstra uma fragilidade infantil, outras vezes sentimos raiva  por suas atitudes, porém cheguei a conclusão
que tudo isso nos leva a ver que ele é humano e tem qualidades e defeitos como todos nós! Tu conseguistes demostrar tudo isto, além de nos fazer viajar por países distantes e pelo próprio Brasil, com grande competência!
Fiquei com vontade de conhecer Curitiba, mas a dos velhos tempos, aquela que descrevestes tão bem!
Mais uma vez parabéns, e um grande abraço!
Cris Vitiello

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Silvana comenta

Oi Gilberto, meu nome é Silvana Wojahan, não sei se lembras de mim…trabalho na academia Coliseu e fui professora de ballet durante…20 anos, mas não vem ao caso, li teu livro e tinha que te falar que adorei!!!Se ajuda, sou uma devoradora de livros, meus amigos sempre me pedem uma opinião sempre sobre este ou aquele e fico feliz em recomendar o teu 1° esperando que seja apenas o início de muitos, é um livro honesto, de leitura fácil, despretencioso, que prende a nossa atenção, adorei a história de voces, parabéns e muito sucesso, tu merece!!! Abraço da amiga Silvana

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