COMO COMPARAR OS DOIS LIVROS?

        COMO COMPARAR OS DOIS?

     Perguntaram-me qual a diferença entre os dois livros que escrevi até agora. Ou melhor, como categorizar o “Mohamed, o latoeiro” e “O muçulmano e a judia”?  Em que aspectos eles se assemelham e em quais eles diferem? Bem, eu diria que são dois livros com personalidades diferentes.

     O “Mohamed, o latoeiro”, é um livro praticamente de reminiscências justapostas, com histórias ouvidas aqui e acolá de velhos membros da comunidade árabe de Curitiba e mais uma forte dose de imaginação. Jamais negarei que há um quinhão de experiências pessoais no “Mohamed, o latoeiro”, porém sem ser autobiográfico.

     O Mohamed é um livro tipicamente cultural, ou seja, nele são mostrados os hábitos e costumes de uma seita muçulmana minoritária na Síria, os alauítas; nele está explícita a influência da religião no dia-a-dia do povo, mostro um pouco da vida rural do aldeão sírio nas montanhas alauítas, o sofrimento dos povos da região sob o jugo otomano durante cinco séculos e, depois, sob o mandato francês e inglês; enfoco os problemas socioeconômicos que geraram massivas levas de emigração da juventude rumo às Américas; enveredo pela filosofia de vida dos personagens, os choques culturais que enfrentam ao se depararem com uma sociedade ocidental cristã católica, comparativamente mais liberal. Por fim, a adaptação desses imigrantes à nova sociedade, a geração de filhos brasileiros, a contribuição deles à formação do caldeirão étnico-cultural brasileiro.

Mohamed é o herói, ou o anti-herói. Através dele vamos sentindo os regozijos e  dramas, as vitórias e os traumas que recheiam sua vida de quase seis décadas no Brasil. Mohamed, o latoeiro, é, enfim, uma história árabe no estilo da narrativa, na linguagem usada e no conteúdo. Só que é escrita em português.

 

Já “O muçulmano e a judia” é uma narrativa brasileira no estilo e na linguagem. É a história de três famílias. Duas judias e uma árabe palestina. Começa na Áustria ocupada e anexada pela Alemanha nazista. Passa pelo Egito monárquico e pela subsequente revolução comandada por Gamal Abdel Nasser, que, por sua vez,  é antecedida pela fundação de Israel na Palestina.

Narro a tragédia e o sofrimento de todos os personagens em seus respectivos países, a perda de bens, familiares, amigos e a busca de paz em um país distante e desconhecido chamado Brasil. Foco a luta dos membros das famílias contrapondo suas convicções ao status da sociedade brasileira, aberta e mais tolerante.

No meio do preconceito, nasce o amor.

Sim, “O muçulmano e a judia” é uma história de amor tendo como pano de fundo o drama dos judeus na Europa e a tragédia e a diáspora palestina. Ou seria o contrário? Quem sabe não seria história de dramas de famílias judias e palestinas, tendo como elo vitorioso o amor?

Sei lá! Deixo para o leitor julgar os dois livros.

 

 

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4 opiniões sobre “COMO COMPARAR OS DOIS LIVROS?

  1. Salam Aleika, meu amigo Gilberto.
    parabéns, por mais este livro, estou feliz de coração por você. Fico orgulhosa de ter um amigo escritor, mesmo a distancia, mesmo através da internet….meu orgulho em conhecer e conversar com uma pessoa tão agradável como você, é verdadeira.
    Estou aguardando a chegada do novo livro aqui em Curitiba, mais alguns dias e acredito que ele deve chegar. Não posso fazer comparações dos dois livros, mas posso elogiar o primeiro:
    Mohamad, o Latoeiro: foi um livro que trouxe a presença do meu pai para perto de mim novamente. Através das historias do seu livro:- trouxe seu sotaque carregado, seu sangue de comerciante, seu jeito sério e engraçado ao mesmo tempo, as conversas de patrícios que tive o prazer de ouvir no passado, suas tristezas e alegrias de ser um imigrante libanes, seu amor a familia,o amor por sua “Terra”, pela comida libanesa, pela religião e por tantas, tantas outras coisas…lembranças lindas, mesmo as tristes se tornam lindas com a ausência. E claro, pude conhecer um pouco mais da história de minha cidade que tanto amo. Só faltou falar da “Guerra do Pente”..hehe. espero que vc um dia escreva em detalhes o que vc lembra. 😀
    Sobre o proximo livro, vou ler e depois, venho aqui elogiar, pq tenho certeza que só terei elogios a você.

    7azan sa3idan w Allah ma3k.
    bawsé, ya 7abib

    • Wa 3laiki Assalam, 7abibti Samira!

      Há quanto tempo!!! Eu já estava com saudades dos teus comentários! Não fique ausente por muito tempo.. Depois que você ler “O muçulmano e a judia”, quero ler tuas críticas.
      Shukran jazilan 3ala kalimétik el-helwa!
      Wa bawsé ilik kaman, ya 7abibti.
      Gilberto

  2. Assalamu Alaikum.
    Acabo de ler O Muçulmano e a Judia. Estou sem palavras. O final é totalmente fora do que imaginei. Meus parabéns por mostrar que a dor, assim como o amor são universais. A cena de Fauzi no ônibus olhando para a duas crianças é algo maravilhoso, me tocou. Sou o chamado típico brasileiro, já que meu pai é japones casado com uma filha de italiano com uma afro. Um pouquinho de árabe no meio, mas nada que de para comprovar. De qualquer forma, na década que nasci, 70, uma criança como eu, era tratada como nem brasileira e muito menos japonesa. Acabei, mesmo com uma história tão distinta, um pouquinho de minha infância, um namoro que tive uma muçulmana há tantos anos atrás que infelizmente não deu certo, mas que guardo com carinho em meu coração, como a Muna. Um raro livro, que depois de ler já sinto saudades dos personagens. Pessoas que durante estes 4 dias que li, tanto me apeguei. Parabéns novamente por enriquecer a literatura brasileira com duas culturas tão lindas e que tanto trouxeram para o crescimento desta nação. Agora irei comprar Mohamed, o latoeiro e aguardarei ansioso por novos livros. E espero poder manter contato com este autor que tanto comecei a admirar.

    Allah Hafiz

    • Obrigado, Alan!
      Fico feliz que você tenha gostado do O muçulmano e a judia. Tenho certeza que você vai gostar do Mohamed, o latoeiro também. Já lhe escrevi uma mensagem para o seu e-mail.
      Forte abraço.

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