QUEM TEM MEDO DO ISLÃ?

Quem tem medo do Islã?

(Ou nunca houve uma guerra entre  judeus e muçulmanos)

* Gilberto Abrão

 

     Constantemente recebo e-mails de amigos com vídeos, ou supostos artigos atribuídos a presumíveis  intelectuais, ou até chamamentos para uma guerra santa ou nova cruzada contra o Islã.

     Na verdade, não sei exatamente qual é a intenção desses amigos em me enviarem tais materiais. Não sei se eles querem que eu esclareça algum ponto, ou, simplesmente, querem me provocar. Percebo até uma dose de prazer mórbido no envio desses e-mails. Fico na dúvida.

      Um dos arquivos que mais recebo é o de uma suposta jornalista árabe, que mora há décadas nos Estados Unidos, e é regiamente paga por uma organização de extrema direita americana que apóia o estado sionista de Israel.  No vídeo, transmitido pela TV Al Jazeera, a dita jornalista debate com um clérigo muçulmano e tenta expor com veemência o “atraso dos muçulmanos em relação ao ocidente e aos judeus” e realça “a violência” dos muçulmanos. 

     Bem, nessa guerra multinacional contra a Síria, a Al Jazeera já provou quem ela é e a que veio. Pertence ao Catar, que, juntamente com a Arábia Saudita e a Turquia, financia os terroristas de todo o mundo que estão agindo no território sírio, destruindo o país. Portanto, a Al Jazeera, como divulgadora das questões árabes e islâmicas, é altamente suspeita.

     Mas o vídeo em questão foi habilmente tirado de um contexto. A mulher fala por alguns minutos, mete o pau no Islã com violência, superando até os mais fanáticos islamófobos. Quando ela termina a sua virulência, termina o vídeo. Não se ouve e nem se vê a resposta do clérigo muçulmano.  E, por cima disso tudo, os meus amigos ainda põem o título “Veja que mulher corajosa”. É de doer.

     Outro vídeo que eu considero de alta periculosidade no futuro, é uma “advertência” elaborada por uma tal Igreja Batista do Brasil (certamente é uma cópia de alguma igreja batista dos Estados Unidos) A advertência vem em tom apocalíptico, com direito a música wagneriana de fundo. Fala da “perigosa expansão muçulmana” no Ocidente e diz que a Europa será, em breve,  “ dominada pelo Islã” e “a civilização cristã e ocidental será destruída”.  O mesmo vai acontecer com os Estados Unidos.  Talvez, num futuro mais distante, o Brasil não escape dessa “tragédia”. Ao finalizar, o vídeo convoca todos os bons cristãos, “zelosos pela nossa cultura cristã e ocidental” a combaterem o Islã por todos os meios possíveis. Sem dúvida, é um chamamento a uma Cruzada moderna. Aliás, essa cruzada já está em curso. Mas esse é outro tema sobre o qual escreverei mais adiante.

     Outro pps que circula pela internet já há algum tempo é aquele que faz comparações de ganhadores do Prêmio Nobel entre judeus e muçulmanos.  Os autores do arquivo começam a peça anti-islâmica afirmando que o mentor da revolução Islâmica do Irã, o Aiatolá Khomeini, que a paz de Deus esteja com ele, teria decretado que nenhum muçulmano deveria comprar produtos feitos por judeus. Esse decreto jamais aconteceu. Mesmo porque o Islã jamais esteve em guerra contra o judaísmo. Nunca houve, na história das duas religiões,  uma guerra do Islã contra o judaísmo.  O que há – isto sim – é uma guerra entre os palestinos árabes (muçulmanos e cristãos) contra Israel, uma entidade racista e praticante da apartheid.  Aliás, nessa guerra os palestinos (repito, cristãos e muçulmanos) gozam da simpatia e do apoio dos povos livres e amantes da paz de todo o mundo.  

     Mas continuando a falar dessa peça anti-islâmica, os autores listam uma centena de judeus que ganharam Prêmios Nobel em quase todas as ciências enquanto que somente quatro muçulmanos foram contemplados com o prêmio. Convém lembrar que o prêmio passou a existir somente a partir de 1901, portanto há pouco mais de cento e dez anos.  Enquanto os muçulmanos atravessaram 500 anos sob o domínio do Império Otomano e praticamente toda a primeira metade do século XX sob o jugo das potências coloniais, os judeus europeus saíam das melhores universidades européias.

     Portanto, seria uma tremenda injustiça traçar um paralelo entre os muçulmanos dos últimos 500 anos e os judeus da mesma época.  Mas, se pegarmos as incontáveis contribuições islâmicas em todas as áreas da sabedoria humana, desde a fundação do Islamismo até a derrota do último sultão do Reino de Granada, encontraríamos uma lista de várias centenas de matemáticos, físicos, químicos, médicos, navegadores, filósofos, poetas, pensadores, biólogos, geógrafos, historiadores, etc. que, se o Prêmio Nobel existisse desde o século VII, certamente os muçulmanos já teriam uns dois mil ganhadores. A humanidade deve e continuará devendo, ad perpetuam, a todos esses sábios e cientistas do mundo muçulmano.

     Mas quem produz todas essas peças islamofóbicas que infestam a internet? Só há um interessado em denegrir a imagem do Islã: o sionismo internacional. Ele age com tamanha perfeição que já conseguiu cooptar essas igrejas neo pentecostais para a sua ideologia nefasta contra o Islã. Os pastores dessas igrejas pregam que Jesus só ressuscitará depois que todos os judeus do mundo voltarem à Palestina e lá se converterem ao cristianismo. Por isso eles pregam, com um fervor maior do que os próprios sionistas, que todos os palestinos devem ser expulsos de suas terras para dar lugar aos judeus de todo o mundo “para a grande conversão”.  Se for necessário matar os palestinos, que assim seja.  De repente, aparece um pastor de uma tal Igreja Batista dos Estados Unidos a queimar, provocativamente, o Alcorão,  outro a fazer um filme denegrindo a imagem do Profeta  Mohamed (Maomé) e assim por diante. Os sionistas estão adorando tudo isso.  Morrem de tanto rir de satisfação.

 

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Uma opinião sobre “QUEM TEM MEDO DO ISLÃ?

  1. Então- seria simples se não fosse históricamente insolúvel até hoje as diferenças de entendimento sobre como chegar a Paz não só nessa região mas no conjunto do planeta… pois convenhamos – igrejas podem complicar sim os destinos dos homens… mas homens de per si, pagam uma aposta para ver uma briga de galos… inda mais se for no patio do vizinho… Embora não seja lícito fazer piada com coisas sérias, um pouco de otomismo eu preferiria dizer , que até gostaria de auguriar… pois novas gerações já vieram e estão senão por outros motivos – até por estética – enjoados dessa guerra. E de todas as guerras. è preciso crer num novo tempo. desejá-lo firmemente e construí-lo a partir de dentro de nosso quintal… a começar por nós; se alimentarmos a tirania por qualquer tostão vamos ter que ainda que conviver com ela aos milhões de dólares … Um preço alto … um tempo longo demais… nem todo o mundo.. quer mais isso… quase ninguem…Ainda bem. Parabens mano…Voce é sempre um orgulho de referencia na nossa pesquisa hitórica dessa região.

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