Arquivo do mês: agosto 2014

SÍNTESE DA QUESTÃO PALESTINA

 

SÍNTESE DA QUESTÃO PALESTINA

 

 

Em primeiro lugar, amigo, analisando a questão pela ótica bíblica. Pois, vamos lá. Quando os hebreus invadiram aquele território a ferro e fogo, como você bem disse, ali já habitavam os filisteus e os cananeus. Quem são os filisteus e os cananeus senão os ancestrais dos atuais palestinos? Aliás, foram os romanos que deram o nome de Palestina à região baseados na população de filisteus (ou filastinos). Essa mescla de povos, no início adotou a religião monoteísta que era o judaísmo. Alguns séculos depois uns poucos adotaram o cristianismo.

Entretanto, como naquela época não havia fronteiras exatas, outros povos semitas se misturaram àquela composição. No correr dos séculos, árabes, que professavam a religião cristã, vindos da Península Arábica, mesclaram-se aos grupos que ali estavam.

Mais tarde, no século VII, foi introduzido o islamismo na região, com a entrada do segundo Califa do Islão, Omar ibn Al-Khattab.

Portanto, o povo que habitava a região era formado por cristãos, judeus e muçulmanos. Os muçulmanos tornaram-se maioria, ou pela conversão de alguns cristãos e judeus, ou por um maior fluxo de muçulmanos vindos da Península Arábica. Então, formou-se uma população étnica e culturalmente uniforme, falavam a mesma língua, o árabe, e tinham os mesmos hábitos e costumes, E passaram todos a se chamarem palestinos e viviam em perfeita harmonia. Em palavras mais simples, os muçulmanos eram palestinos que professavam a religião islâmica e formavam 80% da população. 13% eram palestinos que professavam a religião cristã e 7% eram palestinos de religião judaica. A língua comum era o árabe. Não se usava outra língua a não ser em rituais religiosos. Todos viviam em paz, socializavam entre si, comercializavam, e, de vez quando, até acontecia um casamento inter-religioso.

No final do século 19, foi descoberto o petróleo no Oriente Médio. Como aquela região estava sob o domínio do Império Otomano, fazia-se necessário que o Ocidente (Inglaterra e França na época) se apossasse daquela riqueza. Foi essa uma das razões, além de outras, que levou o Ocidente a pedir a ajuda dos árabes para combater os turcos otomanos. Embora os turcos tivessem em comum com os árabes a religião (o islamismo), eram incomparavelmente cruéis com os povos que dominavam.  Então, os árabes viram nessa aliança com o Ocidente a oportunidade que eles aguardavam para realizar o seu grande sonho: fundar o grande califado que iria do Golfo Pérsico até o Norte da África.

Paralelamente, surgia na Europa, no final do século 19,  o movimento sionista que tinha por objetivo criar uma pátria para os judeus perseguidos na Europa cristã.  Eles tinham quatro opções. Um pedaço da Amazônia brasileira, ou um pedaço do antigo Congo Belga, ou uma porção da Patagônia, no sul da Argentina e, por último, a Palestina. Só que a Palestina tinha sua população nativa composta de muçulmanos, cristãos e judeus. Repetindo, eram árabes cuja maioria professava o islamismo, outros o cristianismo e outros o judaísmo.

Voltemos ao final da 1ª Guerra, quando os aliados derrotaram os turcos. Ao invés de cumprir com a promessa aos árabes, o Ocidente (Inglaterra e França) decidiu dividir todos os territórios, que linguisticamente eram considerados árabes, em vários países (ver o acordo Sykes-Picot). Dessa forma, poderiam dominar o petróleo árabe recém descoberto.

Mas e se de repente surgisse um líder nacionalista que tivesse a força carismática suficientemente forte para unir todos aqueles árabes? (Como mais tarde veio a surgir Gamal Abdel Nasser com o seu pan-arabismo) Daí, então, juntaram-se as duas forças. O Ocidente querendo dominar o petróleo árabe e os sionistas querendo fundar um país só de judeus.

Ficou decidido, então, que os judeus da Europa teriam a Palestina como seu país. Formariam um país fortemente armado com armas ocidentais. A essas alturas, já tinha surgido a maior potência bélica do planeta que são os Estados Unidos, cujo “lobby” judeu trabalhou e ainda trabalha para que os americanos mantenham Israel. Mas alguns países se perguntavam o que fazer com a população nativa da Palestina, já que tinha sido uma grande mentira a ideia de que os judeus da Europa eram um povo sem terra que iriam para uma terra sem povo? Na verdade, as grandes cidades de Israel hoje, eram até antes da fundação do Estado de Israel, cidades árabes. Jerusalém, Lod, Haifa, Jaffa, Ashkelon, Nazaré, Belém, etc. eram cidades habitadas majoritariamente por árabes.

E então começou a primeira guerra entre árabes e judeus, em 1948, vencida pelos segundos, melhor armados e melhor instruídos, fazendo uso de massacres em cidades e  aldeias palestinas para fazer a população palestina abandonar suas casas. Assim, Israel conquistou mais um bom pedaço da antiga Palestina, além daquele que lhe tinha sido destinado pela ONU (ou Liga das Nações, na época).

Mas afinal, esses judeus europeus têm direito à Palestina? Categoricamente, não! Nem sequer são semitas, não têm nenhum laço com os povos que habitaram aquela região. Na verdade, esses judeus da Europa, os ashkenazim, são tribos da Europa Oriental (Hungria, Croácia, Polônia, Iugoslávia, Bulgária, România, Rep. Tcheca, Rep. Eslováquia, etc.) que, nos séculos VIII e IX, decidiram adotar uma religião monoteísta e optaram pelo judaísmo. Portanto, são judeus convertidos. Não têm nada a ver com os judeus do Oriente Médio que são os verdadeiros semitas.

Quanto aos lugares santos, a Igreja da Natividade, o Santo Sepulcro, a Mesquita al-Aqsa que sempre estiveram sob os cuidados dos árabes cristão e muçulmanos, os sionistas radicais, racistas e fascistas, querem esses lugares para si. A ideia deles é transformar toda a Palestina um país só de judeus, sem muçulmanos e sem cristãos. O mundo está deixando eles realizarem esse crime.

 

 

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