Arquivo do mês: novembro 2015

CARTA AO GENERAL REFORMADO

CARTA AO GENERAL REFORMADO

 

 

Um general reformado mandou a um amigo meu, procurador da justiça, uma mensagem islamofóbica, xenófoba e com tal grau de ignorância que eu não sabia se chorava ou ria às escancaras.

Ele anexou fotos de muçulmanos fazendo protestos nas ruas de Londres e disse que eles querem mudar o sistema jurídico da Grã-Bretanha, aplicando a lei da “sharia”, a lei muçulmana. Total inverdade!

O linguajar utilizado pelo general é de uma pobreza linguística infantil e de uma virulência hitleriana. Reproduzi abaixo alguns trechos da mensagem do tal general e a minha resposta aos comentários dele. Naturalmente, lhe respondi através do meu amigo, procurador da justiça, cujo nome suprimi.

Aqui vai:

 

Estimado amigo,

 

O texto é um pouco longo, querido amigo, mas poderá servir de esclarecimentos ao tal de general reformado e a quem interessar possa.

A areia vinda do deserto do Sinai deve ter penetrado no cérebro do general, quando ele esteve na Faixa de Gaza, e de tal forma que fez com que ele não mais entendesse a língua portuguesa.

Eu disse que os caras que estão fazendo as manifestações SÃO cidadãos britânicos, isto é, britânicos de 2ª, 3ª, 4ª e até 5ª geração. Seria o mesmo que os cidadãos descendentes de alemães daqui fizessem uma manifestação dentro do Brasil, ou os cidadãos afro-brasileiros, ou os cidadãos luso-brasileiros, ou os ítalo-brasileiros, ou até mesmo os brasileiros de ascendência árabe, como eu.

Eu disse que os caras fizeram a manifestação em retaliação à ofensa que a revista Charlie Hebdo fez ao Profeta. Pode ser que a demonstração tenha sido desproporcional (será?), mas aparentemente esse tal de general reformado não entendeu o meu português. Ou não teve capacidade de entender, pois o cérebro dele está entupido com a areia do Sinai e com os cactos que ficam no caminho de Gaza até Rafah e Al-Arish, passando por Deir el-Balah e Khan Yunis.

Gostaria de enfatizar ao General reformado que os caras NÃO são Paquistaneses, Bengalis ou Africanos; são cidadãos britânicos como os brancos anglo-saxões. A única diferença é que são muçulmanos. A toda hora há manifestações na Europa e em qualquer país democrático. Seria o mesmo que que nós aqui no Brasil obrigássemos a qualquer manifestante que saia do Brasil e vá ao país de seus ancestrais se desgostássemos da manifestação dele. Nesse caso, toda vez que saíssemos para bater panelas e fazer barulho contra o governo seríamos expulsos. Daí, meu caro amigo, tu terias que voltar para a Alemanha, a minha mulher que é bisneta de Italianos, teria que voltar a Itália, o tal de general reformado teria que voltar a Portugal, os filhos do Hans e o Hans teriam que voltar à Áustria, eu voltaria à Síria dos meus pais, etc. etc. etc.

É proibido manifestar-se em um país democrático?

Parece que o tal de general também não entendeu que a população muçulmana na Grã-Bretanha é de mais de 3 milhões de pessoas. Eles têm representantes em cargos do governo, no parlamento e no judiciário. Portanto representam uma grande fatia do tecido étnico do Reino Unido e, consequentemente, têm todo o direito de se manifestar politicamente, quer gostemos ou não. Assim como o PT e os grupos de direita têm direito de se manifestar aqui – até fazendo barulho e querendo matar a Dilma e portando cartazes com palavrões.

General, os caras não querem impor a religião deles para uma maioria cristã. Mas querem ter o seu direito de exercer sua religiosidade e protestar toda vez que seus símbolos religiosos são ofendidos. Oque aconteceria se o general me visse pisando sobre um crucifixo, por exemplo? Levando-se em consideração o nível de fúria dele, certamente ele daria um tiro em mim.

Convém lembrar ao general reformado que uma democracia multirracial (Brasil, Estados Unidos, Canadá, o próprio Reino Unido, etc.) compreende um povo oriundo de várias origens e várias religiões. Ou é assim ou é uma democracia de mentira, como é caso de Israel e Arábia Saudita.

Vamos a um parágrafo interessante do tal de general:

“Seria também  bom  lembrar ao teu amigo que o  1º Ministro  da Austrália, ACABOU DE DITAR A SEGUINTE NORMA aos senhores muçulmanos : se quiserem permanecer   na Austrália, RESPEITEM  A RELIGIÃO e costumes  DOS CANADENSES, ou voltem ás suas  Pátrias de origem!!!”

Explico ao general reformado que o 1º Ministro não pode “ditar” normas sem a aquiescência do seu parlamento. Se ele “dita”, ele é ditador e, por conseguinte, anula o seu parlamento. Além do mais, segundo informação do tal general reformado, parece que o 1º Ministro da Austrália cometeu uma grande gafe diplomática ao se imiscuir nos assuntos internos de um outro país, o Canadá, ao sugerir que “os muçulmanos que respeitem os costumes dos canadenses ou voltem às suas pátrias de origem”.

Ao falar do relacionamento do Japão com os muçulmanos o tal general diz que no Japão “essa raça” (perceba o termo pejorativo e de cunho racista que ele utiliza) não pode permanecer no país além de um tempo determinado e nem pode casar com japoneses. Inverdade total. Não sei de que fonte fascista o tal general reformado coletou essa informação. O governo japonês não questiona a religião de seus cidadãos. O islamismo existe no Japão desde o século XVI e segundo estatísticas verificadas existem mais de 100.000 muçulmanos no Japão, sendo que metade deles são de nativos convertidos e de mulheres. Existem duas magníficas mesquitas lá, uma em Kobe e outra em Tóquio, além de outras menores espalhadas pelo território japonês.

Vamos ler mais um parágrafo da mensagem do tal general reformado:

 

Também posso afirmar  ao teu amigo  que eu  permaneci  2(DOIS)  longos anos  1961 A 1963  na Faixa de Gaza, MISSÃO DA ONU, DE BOINA AZUL, e visitei quase todos  estes Paises Muçulmanos!!!Eles estão parados no tempo e no espaço á mais de 2(DOIS) MIL ANOS!!  Basta dizer que na Jordânia E QUASE TODOS  OS OUTROS  PAISES, os Homens  usam ainda, um tipo de Bombacha, com um depósito,tipo saco,  abaixo dos órgãos sexuais masculinos,  por que   estão aguardando ainda,”  a vinda de Cristo  QUE  poderá vir,  por meio de um homem ou  de uma mulher a qualquer instante”!!!

 

Como vocês podem notar, o general não se dá muito bem com a língua pátria.

Mas vamos ao conteúdo do texto que é de rir e de chorar ao mesmo tempo. Ele diz que foi à Faixa de Gaza e lá permaneceu dois anos. Pelos meus cálculos ele deve ser do 9º, 10º ou 11º contingente. Eu também estive lá no 13º que saiu de Porto Alegre em 1963. A maioria dos brasileiros que lá foram eram soldados de infantaria, poucos com escolaridade acima do ginásio. Saíram daqui sem saber porra nenhuma sobre a cultura árabe e islâmica e voltaram do mesmo jeito. A única preocupação deles era ir ao Cairo, alugar um apartamento e fazer festa com as putas durante sete dias.

Mas continuando com texto do general reformado. Pelo jeito o tal general julga o nível de civilização das pessoas pelos trajes típicos que elas usam. Ele acha que um homem que veste à maneira ocidental é mais civilizado do que o muçulmano que o usa o seu típico “camisolão”.  Ou uma mulher muçulmana que anda com a cabeça coberta é menos civilizada que uma brasileira que anda semidespida pelas ruas.

E essa história de que os homens usam o “saruel” (a calça árabe, com o fundilho amplo) porque estão “esperando o messias” é de matar. Ele, como general reformado, devia prestar atenção ao ridículo que está passando ao transmitir uma balela dessas. Algum idiota deve ter dito isso ao general e ele, ingenuamente, acreditou.

Mas voltando à Faixa de Gaza, da qual o tal General tanto se vangloria de lá ter estado. O fato de servir como militar nas Forças de Emergências das Nações Unidas não habilita ninguém a saber sobre a cultura e a civilização muçulmana. Quando eu estive lá, muitos dos caras que foram comigo voltaram tão ignorantes quanto quando foram. Parece que o general não foi uma das poucas exceções.

Além do mais, estimado amigo, se o general reformado ficou na Faixa de Gaza um tempo como militar (coisa que eu também tenho no meu currículo), eu estudei durante 4 anos na Síria e no Líbano, sou fluente em árabe clássico, metade da minha biblioteca é constituída de livros árabes sobre história da região e sobre o islamismo. Periodicamente visito meus parentes no Líbano e na Síria. E – importante – sou muçulmano xiita e faço as minhas 5 orações diárias em direção à Meca, a Cidade Santa. Portanto, acho que estou mais habilitado do que ele – infinitamente mais habilitado – para falar do Islã. A diferença seria mais ou menos como ele andar de bicicleta e eu pilotar uma nave espacial. Desculpe a imodéstia, mas o general merece uma dose de arrogância.

Querido amigo, deixa eu te contar um ‘causo’ do Batalhão de Suez. Entre os componentes do meu contingente havia um paraquedista paulista cujo ódio aos árabes e muçulmanos era tamanho que ele não hesitou em enfiar uma pistola 45 na boca de um menino palestino que vendia bagulhos na cerca do QG brasileiro. Por pouco não o matou. Eu fazia parte da “Military Police”, no destacamento de Rafah. Fui até o QG brasileiro junto com um colega, um sargento dinamarquês, e prendemos o paraquedista. Ele tomou uma cadeia de uma semana. Se o general reformado tivesse visto a cena talvez teria aplaudido o paraquedista louco e talvez tivesse gritado: “Mata! Mata esse “habib” imundo!” Posso imaginar o excitamento do general.

Vamos ao parágrafo de encerramento da mensagem do tal general:

 

Bem ,não vou falar mais nada, pois  poderia relacionar centenas de motivos e cenas  que presenciei INACREDITÁVEIS, COMO A FAMOSA REVERENCIA DIÁRIA  Á MECA, AS CELEBRAÇÕES DOS CASAMENTOS,,AS MESQUITAS,  OS TRAJES QUE USAM, O CAMISOLÃO QUE USAM  E QUE FAZEM  AS NECESSIDADES EM QUALQUER LUGAR  !!

É UM HORROR!!!

Em mal falando ,poderemos  também lembrar o  famoso  ,MARAVILHOSO  E AGRADÁVEL  estado islâmico querendo  fazer um CALIFADO,NA SÍRIA e IRAQUE!!!

Decapitando  seres humanos!!!!ELES SÃO MUITO  FANÁTICOS  E DESEJAM CONQUISTAR TODO O UNIVERSO!!!França e Holanda que digam!!!

Tambem,com todo o respeito, ao teu amigo , com o sobrenome de ABRÃO, de repente, seja mais um  ISLÂMICO!!!.Que ele me desculpe de minha sinceridade.

Saudações cordiais

 

Meu estimado amigo, não dá para acreditar que um general reformado possa ter escrito as palavras acima. Não, general, não o desculpo não. Tolero tudo, menos burrice.

Vamos fazer breves comentários sobre o que o general falou e vamos ensinar-lhe alguns fatos:

  • A reverência diária é a Deus e não à Meca. Meca é a Cidade Santa para onde todo bom muçulmano deve se dirigir ao orar para Deus. Isso é para manter a unidade do povo. Usando um termo militar para que o general entenda melhor, é como se fosse ordem unida, meu general.  Procure ver no Youtube um grupo de muçulmanos orando e verás que todos eles seguem o imã (o líder que conduz as orações) nos movimentos ritualísticos.
  • As mesquitas são os templos (igrejas) dos muçulmanos, general. Tem muitas que são famosas pela sua beleza arquitetônica e são visitadas por milhões de turistas cristãos e ocidentais. Não sei o que o senhor viu de errado nelas. O que o senhor disse é o mesmo que algum idiota dizer “aqueles católicos vão orar na Catedral de Notre Damme! Que horror!” A propósito, Notre Damme fica em Paris, general.
  • O que tem de anormal nos casamentos muçulmanos, general? Tem a cerimônia religiosa, tem festa, tem comilança, tem música, tem dança, tem presentes, como qualquer casamento no mundo. Só não tem o “Aí vem a noiva” de Richard Wagner.
  • Agora a parte em que os muçulmanos “fazem as necessidades em qualquer lugar”.  Essa é de gargalhar. Quando o general esteve lá na Faixa de Gaza, no início da década de 60, provavelmente ele viu algum beduíno largar o seu camelo no meio do deserto e foi evacuar atrás de uns cactos.  É que não tinham ainda inventado privadas a cada cinco quilômetros pelos caminhos do deserto. Mas agora a coisa mudou, general. Os beduínos não mais andam de camelo. Andam motorizados. Aqueles do Golfo, então, andam muito bem Mercedes, Porsch, Ferrari, Bentley, Rolls Royce, etc.  Portanto, agora eles podem chegar em suas casas mais rápido e podem cagar sossegados, sem ferirem a sensibilidade de um civilizado ocidental.
  • Quanto ao grupo terrorista que o general mencionou, o Estado Islâmico, e outros, não representam o islã e são veemente rejeitados pela maioria esmagadora dos muçulmanos. Seria o mesmo que dizer que a Klu Klux Klan representa o cristianismo. Ou que aquele pastor que levou centenas de seguidores ao suicídio é a representação perfeita do cristianismo.

Por fim, não sou “islâmico”, general. Sou muçulmano. Adoro a um Deus único e rezo 5 vezes ao dia, sim, e em direção à Meca. Não me escondo. O meu amigo me conhece há quatro décadas e ele está autorizado a dar ao general o meu e-mail, meu endereço em Novo Hamburgo, meu telefone, etc.

Quanto ao general, eu poderia mover contra ele um processo por racismo, xenofobia, explicita intolerância religiosa, de conformidade com a Lei 7.716 de 5 de janeiro de 1989.

Mas não vou fazer isso, querido amigo. Primeiro, porque ele é teu amigo e tu és meu amigo. Segundo, porque ele deve ser um velhinho passando dos oitenta e ninguém vai prestar atenção à insensatez que ele diz e à defecação que ele faz pela boca.

É isso aí.

 

AS QUATRO PORTAS DE SAÍDA PARA A QUESTÃO PALESTINA-ISRAELENSE

AS QUATRO PORTAS DE SAÍDA PARA A QUESTÃO PALESTINO-ISRAELENSE

 

Está havendo uma terceira Intifada Palestina contra a ocupação israelense. Amigos meus continuamente me fazem a pergunta que já se tornou clássica: qual é a saída para o conflito entre palestinos e israelenses? Qual das partes possui na mão a chave da porta que dá acesso à saída do conflito?

Pois eu lhes digo, queridos amigos, que existem quatro portas de saída e cada uma das partes, palestinos e israelenses, tem chaves para essas portas. Fora essas quatro possibilidades não existe absolutamente mais nenhuma e uma delas terá que ser adotada e aceita por ambos os lados. Vejamos as quatro portas.

Porta Nº 1: Essa é a preferida de Benyamin Netaniahu e seus seguidores, adeptos do apartheid, da ‘cantonização’ e da confiscação de terras dos palestinos e, se possível, a expulsão deles dos territórios ocupados através de derrubamento de suas casas, queima de seus pomares e a constante hostilidade dos colonos judeus. Esse é o status quo na Palestina ocupada. É assim que Netaniahu e seus asseclas querem as coisas. Mas, paradoxalmente, quem tem a chave para essa ‘saída’ são os palestinos. Se os palestinos ficarem quietinhos em seus guetos, observando docilmente as bem estruturadas cidades judias, habitadas por colonos armados até os dentes a cercarem os seus guetos miseráveis, se toparem essa condição humilhante de não poderem circular em certas ruas e estradas que só os judeus circulam, se se calarem diante da degradação em que vivem, então terão a paz prometida por Netaniahu. Basta que os palestinos concordem com toda o aviltamento que o atual governo israelense está a lhes impor. Portanto, a chave dessa porta está nas mãos dos palestinos. Ou aceitam ou nada feito.

Porta Nº 2: Essa é a porta do acordo de Oslo, – a ilusão de dois países para dois povos, que até eu acreditei.  Os signatários do acordo foram assassinados. Itzhak Rabin foi morto por um extremista de direita israelense e Yasser Arafat foi envenenado sabe-se lá por quem. O acordo de Oslo, quando foi assinado, criou uma expectativa de alegria e esperança nos lares palestinos e muitos lares judeus. Afinal, os palestinos teriam o seu país, formado pelo pequeno território da Margem Ocidental do Jordão e pela minúscula Faixa de Gaza. Todo esse território não daria seis mil quilômetros quadrados. Bem menor do que Lagoa dos Patos. A capital do país seria Jerusalém Oriental. Em Gaza haveria um aeroporto internacional e um porto e, talvez, contando com um pouco de generosidade e grandiosidade dos israelenses, seria construída uma autoestrada ligando Gaza a Hebron, atravessando o território israelense, de um pouco mais de 60 quilômetros. O que ligaria um estado palestino a outro num percurso de uma hora de carro, no máximo. Os palestinos festejaram a ideia. Muitos israelenses também. Mas daí veio o partido direitista Likud e rasgou o acordo e defecou em cima dele. Não valeu nem o papel que foi gasto para redigi-lo. Quem tem a chave dessa porta é o governo israelense. Mas eles fizeram a coisa de tal forma que agora tornou-se irreversível. Como tirar os quase quatrocentos mil judeus que estão nessas cidades-fortalezas na Cisjordânia? Os palestinos terão que aceitar o fato consumado.

Porta Nº 3: Essa é a minha favorita. Criar um estado para os dois povos. Um estado binacional e laico. O nome poderia ser Estado Federativo de Israel/Palestina. A bandeira deveria ser modificada de forma a incluir os símbolos dos dois povos. Um estado cuja capital seria Jerusalém. Os judeus a chamariam de Yerushalaim e os árabes a chamariam de Al-Quds (a santificada). Um estado bilíngue, assim como são a Suíça, a Bélgica, o Canadá e mais alguns outros por aí. Os palestinos elegeriam um presidente e os judeus elegeriam um primeiro ministro. Ou vice-versa. O parlamento seria composto por metade de judeus e outra metade de palestinos muçulmanos e cristãos. Direito de ir e vir para ambos os povos. Conceder o direito de retorno aos palestinos da diáspora (ao redor de quatro milhões) que querem voltar às suas cidades e aldeias da antiga palestina ou indenizar aqueles que não querem voltar. Pois assim como se concede o direito de retorno aos judeus que, supostamente, estiveram na Palestina há dois mil anos, também deve ser concedido o legítimo direito de retorno aos palestinos que de lá saíram há apenas 67 anos, muitos deles ainda estão vivos e ainda carregam as chaves enferrujadas de suas casas. Eu usei o advérbio de dúvida ‘supostamente’ aí em cima por que existem dúvidas sobre a presença na Palestina dos ancestrais desses judeus que vieram e continuam vindo da Europa para a Palestina/Israel. Dúvidas levantadas não por palestinos e nem por simpatizantes da causa palestina, mas sim por intelectuais e acadêmicos judeus, tais como Shlomo Sand, autor do best seller “A Invenção do Povo Judeu”, Noam Chomsky, Liliane Kaczerginski, Ralph Schoenman, que, como eu,  defende uma Palestina binacional e laica, e outros.

A chave dessa 3ª porta está nas mãos dos judeus sionistas. Entretanto, é difícil – senão impossível – imaginar-se Netaniahu e seus partidários, a essas alturas, em um rasgo de humildade e grandiosidade, desmanchar toda a estrutura do estado sionista, que prega um país só para os judeus, para formar um novo país, onde judeus, muçulmanos e cristãos pudessem viver em paz, com igualdade de direitos e obrigações, sem apartheid, sem opressão de um povo sobre o outro. A grandiosidade e a magnanimidade têm que vir da parte mais forte. No caso, Israel.

Por fim, temos a porta Nº 4, que aconteceria se nenhuma das outras três forem abertas. Essa porta envolveria outros atores: Irã, Rússia, China, Síria (apesar de sua atual desestruturação), Hezbollah no Líbano, a Resistência Palestina e quem sabe o Iraque, de um lado. Do outro, teríamos Israel, Estados Unidos, Arábia Saudita, Emirados Árabes, Catar e talvez a Grã-Bretanha que é marionete dos Estados Unidos. Daí, o furo é mais embaixo. Não quero nem pensar nas consequências.  Seria a hecatombe.

 

 

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