Arquivo do autor:Gilberto Abrão

COM PROCURAÇÃO OUTORGADA POR ISRAEL E ESTADOS UNIDOS, A ARÁBIA SAUDITA DESTRÓI O IÊMEN.

Com procuração outorgada por Israel e Estados Unidos, a Arábia Saudita destrói o Iêmen.

 

O Iêmen é um país localizado no extremo sul da Península Arábica e é um dos mais empobrecidos dos países árabes. Mas é um país de história briosa. Quando toda a península aRÁBICA ainda era habitada por tribos nômades, ali já existia o reino de Sabá, da Rainha Balqis, o reino dos Humairitas e outros mais.

Quando ainda a Península Arábica vivia no obscurantismo pré-islâmico, tribo lutando contra tribo por um olho d’água, ou por uma jovem raptada ou ainda quando se enterrava recém-nascidas por se temer a desonra, o Iêmen já tinha suas cidades bem construídas, com adiantadas infraestruturas, com alfabeto e leis estabelecidas e um sistema governamental organizado.

Na verdade, o Iêmen é o útero onde foram geradas a língua e a civilização árabes.  Mesmo na era moderna, o árabe falado – até mesmo pela população iletrada – nas ruas de Sanaá, a capital, está mais próximo do árabe clássico corânico do que em qualquer outro país árabe. Portanto, o Iêmen é infinitamente mais nobre do que a Arábia Saudita. Tem mais berço, mais altivez e é mais árabe!

Mas o Iêmen está empobrecido. Tem poucos recursos naturais. A maioria do povo vive muito próxima da linha da miserabilidade. Então, por que a Arábia Saudita está bombardeando o país?

Olhem bem o mapa e vejam onde está localizado o Iêmen. Entre o Iêmen e o Djibuti  e a Eritréia está o estreito de Bab al-Mandeb, que dá passagem do Oceano Indico, através do golfo de Áden, para o mar vermelho. Por ali passam todos os navios que trazem e levam mercadorias do comércio entre Israel e todos os países asiáticos. O porto de Eilat, a entrada de Israel para o Oriente, fica lá em cima no Mar Vermelho. Estão percebendo a importância geopolítica do estreito do Bab al-Mandeb?

Então a CIA e o Mossad articularam um plano. Por que não explorar o ódio que os wahabitas têm contra os xiitas? Quem conhece um pouco o islamismo sabe que a seita wahabita, predominante na Arábia Saudita, considera hereges os xiitas, e até os sunitas que não seguem as doutrinas deles. Como hereges, devem morrer para expiar os pecados. Daí os assassinatos e as degolações em massa que ocorrem na Síria e no Iraque.  Mas essa é outra questão.  Falando da população iemenita, aproximadamente 40 por cento é xiita do ramo zaidita e 60 por cento são sunitas da escola shafie. Há uma minoria judaica e cristã.

Junte-se o ódio wahabita e o ciúmes da Arábia Saudita pela crescente influência do Irã (xiita) em alguns países árabes, inclusive o Iêmen, Israel e Estados Unidos têm, então, os componentes exatos para fazer com que a Arábia Saudita bombardeie o Iêmen. A ideia é evitar que o Irã domine o estreito do Bab el Mandeb fechando a entrada e saída de mercadorias de e para Israel. Portanto, como sempre , a ideia é proteger Israel.

A Arábia Saudita recebeu luz verde dos americanos. Com a desculpa de “restaurar a ordem e a legitimidade constitucional” recolocando o presidente corrupto, deposto e fugitivo, Abd Rabbo Mansur Hadi, iniciou-se a destruição do Iêmen. Dezenas de modernos F-16 têm atacado diariamente áreas residenciais, escolas, hospitais, estradas, aeroportos, mesquitas, até shoppings. Enfim, toda a infraestrutura vital do Iêmen está sendo destruída.

E não há como ajudar o Iêmen, por enquanto. A Arábia Saudita impôs um cerco aéreo e marítimo sobre o país atacado. Recentemente um avião iraniano carregado de alimentos e remédios foi impedido de pousar no Iêmen. Diante da insistência do piloto, os F-16 sauditas bombardearam as pistas do aeroporto para evitar que ele pousasse.

Mas apesar desses ataques cruéis e indiscriminados, o legítimo exército iemenita e as forças populares têm avançado sobre o seu território, recuperando áreas antes dominadas pela Al-Qaeda (a mãe do Estado Islâmico) e os partidários do presidente fujão. Os iemenitas já atacaram forças militares sauditas postadas na fronteira matando muitos soldados sauditas e destruindo pesados equipamentos militares. Portanto, os iemenitas resistem ao contínuo bombardeio saudita. Não só resistem, como reconquistam terrenos.

O desejo dos sauditas é entrar em combate direto contra os iemenitas, em território iemenita. Mas não se atrevem. Eles conhecem a capacidade combativa e o valor do homem iemenita. O que fazer então? Estão tentando “alugar”, a peso de bilhões de dólares, um exército que faça a invasão terrestre por eles. Foram ao Paquistão, onde existe a influência wahabita em alguns setores da população (lá é o berço do Talibã), para pedir que forças paquistanesas fizessem parte de uma coalizão para invadir o território iemenita. O congresso paquistanês, sabiamente, impediu. Tentaram também o Egito, para quem os sauditas têm doado bilhões e bilhões de dólares. Afora algumas incursões aéreas, o Egito não quis comprometer o seu exército numa invasão territorial. Então emissários sauditas continuam circulando pelo mundo muçulmano, carregados com sacos de dinheiro, tentando alugar algum exército para invadir o Iêmen. Parece que, finalmente, conseguiram seduzir o Senegal para mandar alguns milhares de soldados para o combate em terra e decidir de vez o destino da guerra a favor dos sauditas e dos patrões americanos e israelenses.

Os sauditas e seus aliados vão vencer? As perspectivas não indicam isso. O Irã não pretende ficar de braços cruzados para sempre. Seus navios de guerra já estão no Golfo de Àden, às portas do Bab el Mandeb. Qualquer provocação pode gerar um confronto de proporções gigantescas. Certamente a ONU deverá ordenar que a Arábia Saudita e Estados Unidos parem com a agressão. O grito das nações de bem do mundo deverá fazer efeito e o Iêmen deverá continuar independente, fazendo alianças com quem o seu povo soberano desejar..

COMO NASCEU O “ESTADO ISLÂMICO”

Como nasceu o “Estado Islâmico” e

Quais são seus objetivos

 

No princípio, Deus criou o petróleo sob as areias dos desertos. Até então, os beduínos da Península Arábica eram felizes, alimentavam-se de tâmaras e leite de camela. Ninguém os incomodava e eles não incomodavam ninguém.  Nem os turcos otomanos se interessavam por eles. Mas Deus queria vê-los mais felizes e, então, criou o petróleo.

Em seguida, Deus criou a extrema necessidade do petróleo nas nações ocidentais. E com isso incutiu-lhes a ambição de se apoderar daquela riqueza. Foram pedir ajuda aos árabes para derrotar os turcos otomanos na 1ª Guerra Mundial. Os árabes toparam com a condição de que os ingleses e franceses, na época as duas superpotências ocidentais, concordassem em que o Xarife de Meca, Rei do Hijaz, Hussein Bin Ali (naquela época ainda não existia a Arábia Saudita) fosse proclamado o califa de um vasto império muçulmano que iria do Hijaz até o Marrocos. Os ocidentais (França e Inglaterra) concordaram e, então, os turcos, muçulmanos como os árabes, foram derrotados em 1918.

Parece, entretanto, que Deus não gostou do fato dos árabes traírem seus irmãos de fé, os turcos, e resolveu castigá-los severamente. Acontece que os ocidentais estavam preocupados com o fato de que se o petróleo ficasse nas mãos de um império gigantesco, como seria o califado sonhado pelo xarife de Meca, a qualquer momento os árabes poderiam cortar aquele liquido pastoso negro que alimentava a revolução industrial que acontecia na Europa. Portanto, na surdina, o diplomata francês François George Picot e o britânico Sir Mark Sykes, tramaram a traição aos anseios do Rei do Hijaz  e decidiram dividir as províncias árabes que estavam sob o domínio dos otomanos entre si, como zonas de influência. Esse acordo – conhecido internacionalmente como o acordo Sykes-Picot – foi firmado em 1916, portanto dois anos antes do término da guerra.

Paralelamente, para maior castigo dos árabes, já no fim do século XIX, nascia um movimento na Europa chamado de sionismo, que clamava por um lar nacional só para os judeus. Havia 3 opções. Dar aos judeus uma parte da atual Uganda, na África; Ou um pedaço da Amazônia, no Brasil; Ou um pedaço da Patagônia, no sul da Argentina. Mas acontece que os ingleses e franceses, como raposas políticas que são, começaram a pensar no futuro. A preocupação era: e se surgir um líder nacionalista carismático que possa reunir todos os árabes sob uma única causa e bandeira? “Dividir os árabes em países tribais não basta!” pensaram eles. “Teremos que criar uma vasta e poderosa base militar para sufocar qualquer movimento nacionalista árabe que possa surgir!” Então, por que não dar a Palestina aos judeus? É um território que divide os árabes da Ásia dos Árabes do Norte da África e o país dos judeus deverá ser muito bem armado de forma que possa atacar qualquer país árabe que levantar a crista. E então a ONU (ou melhor, o Ocidente) criou Israel.

A essas alturas, os americanos já tinham entrado no cenário mundial como a maior força bélica do mundo. Adotaram Israel como a menina dos olhos e superbase americana para proteger seus interesses (leia-se petróleo) no Oriente Médio.

Mas vocês hão de me perguntar o que tudo isso tem a ver com o Estado Islâmico? Calma, já chegaremos lá.

Vamos para o outro lado da história. Aquele que era para ser o monarca do grande califado islâmico que deveria abranger todo o Oriente Médio, o rei do Hijaz, Hussein Bin Ali, foi exilado e morto em Istambul. Enquanto isso, os Bani Saud, o clã dos Saud, com o apoio do movimento religioso ultraortodoxo wahabita, partindo de Riadh, conquistavam Nejed, Hijaz (Meca e Medina), Hassa, Al-Qatif e outras. Surgiu daí, em 1932, a atual Arábia Saudita, que nada mais é do que um gigantesco feudo da família Saud. O nome Saudita vem do clã Saud.

Convém esclarecer, em poucas linhas, o que é o movimento wahabita ou a ideologia deles. Essa seita foi fundada no século XVIII por um fanático chamado Mohammad Abdel Wahab, uma espécie de Antonio Conselheiro das arábias, guardado o devido respeito pela figura histórica brasileira. Na interpretação desvirtuada do islamismo, eis alguns dos pensamentos wahabitas: a mulher tem que estar totalmente coberta (trajando a burqa); para sair à rua tem que estar acompanhada por um homem da família (marido, pai, irmão, filho, avô); ela não pode exercer nenhuma profissão que atenda a homens. Por exemplo, se for médica, tem que medicar somente a mulheres, se for professora tem que ensinar somente a meninas. E o pior: o wahabismo considera os outros muçulmanos, mesmo os sunitas que não seguem a filosofia deles, como hereges. Muçulmanos xiitas, alauítas, drusos, etc., então nem se fala. São considerados apóstatas e idólatras e devem ser mortos por decapitação e mais modernamente por tiro na nuca. Há outras interpretações e rituais que deferem da maioria dos muçulmanos que não convém citá-las aqui para não perder tempo.

Bem, é essa a seita à qual o clã dos Saud deve a sua vitória e, consequentemente, obediência aos seus clérigos.

Voltemos, pois, a Israel. A entidade sionista jamais foi engolida pelo povo árabe, a despeito de alguns governos árabes fazerem com ela acordos de paz. O mais feroz inimigo de Israel é o eixo Irã-Siria-Hezbollah-Resistência Palestina. Israel já experimentou o amargor de perdas significativas perante o Hezbollah e a Resistência Palestina em Gaza. Atualmente, a maior ameaça à existência da entidade sionista chama-se Hezbollah, cujo poderio de fogo pode atingir cidades inteiras por todo o território da Palestina ocupada.  Mas de onde vem o armamento do Hezbollah e da Resistência Palestina? Vem do Irã. Mas por onde? Pela Síria, cujo governo apoia por todos os meios a resistência contra Israel.

Pois bem. Israel, os americanos, os ingleses, os franceses, os turcos (que sonham em restaurar o antigo Império Otomano) os sauditas e catarianos (que não desejam o domínio do Irã na área) pensaram: “Precisamos proteger Israel!” De que forma? Cortando um dos elos do eixo Irã-Siria-Hezbollah-Resistência Palestina. Então, o Mossad, a CIA, o serviço secreto de Sua Majestade do Reino Unido, o serviço secreto francês se reuniram e resolveram aproveitar a malfadada “Primavera Árabe”, que mais tarde se revelou ser um rigoroso e mortal inverno, para derrubar o presidente Bashar al Assad. Arregimentaram dezenas de milhares de criminosos nas favelas do mundo muçulmano e também muçulmanos de países europeus para combater o regime “apóstata” do alauíta Bashar al Assad. Qual era a compensação? Se o cara sobrevivesse estaria rico com os milhares de dólares que lhe seriam pagos. Se morresse, seria considerado um mártir e ascenderia direto ao Paraíso onde setenta virgens o aguardariam, de acordo com a fátwa, (decreto) dos clérigos wahabitas da Arábia Saudita e Catar. Tentaram, tentaram, tentaram, mas não conseguiram derrubar o Bashar al Assad, pois o homem goza  de uma popularidade elevada (80%) no seio do seu povo. O que no início parecia ser uma revolta popular síria revelou-se, mais tarde, ser nada mais do que o ajuntamento de dezenas de milhares de terroristas vindos de 87 países diferentes, inclusive do Brasil, para fazer uma guerra de desgaste contra a Síria, enfraquecer o seu exército e deixá-lo inoperante numa presumível frente contra Israel. A esses terroristas foram dados vários nomes: O Estado Islâmico do Iraque e Síria, Jabhat Al Nusra, Ahrar al Sham, o Exército Livre da Síria, etc. Todos eles têm a mesma ideologia emanada dos púlpitos wahabitas da Arábia Saudita e do Catar, que além da ideologia, bancaram com petrodólares as armas usadas pelos terroristas. A logística para beneficiar os movimentos dos terroristas foi e está sendo fornecida por Israel e Estados Unidos. Aliás, Israel, não só alimenta os terroristas com dados captados por seus satélites, como também dá cobertura aérea a eles. É por isso que de vez em quando há um ataque da aviação israelense contra os soldados sírios aqui e acolá. Além do mais, Israel já recebeu centenas de feridos dos terroristas em seus hospitais, medicando-os e merecendo inclusive a “gentil” visita de Benjamin Natanyahu e o ministro de Guerra de Israel, Moshe Yaalon.

E o papel dos turcos? Barbada! É deixar entrar os terroristas pelas suas fronteiras para combater na Síria e no Iraque.

Então quer dizer que o Estado Islâmico e seus assemelhados não representam perigo para Israel? Exatamente! Pelo contrário, o EI serviria como uma “buffer zone”, uma área de mais ou menos sete quilômetros de largura a proteger Israel de um presumível ataque do exército sírio por terra.  No ideário do EI e seus assemelhados não existe a libertação de Jerusalém do domínio dos sionistas. Existe, sim, e com muita ênfase, a conquista de Meca e Medina, pois um califado só terá validade religiosa se o seu califa tiver uma das cidades santas como sua residência.

Êpa! Então o monstro pode virar contra seu criador, ou melhor, contra seus criadores? Exatamente! E é isso que os americanos, franceses, ingleses, sauditas, turcos, etc. estão temendo. O EI está fugindo ao controle. Já degolou ingleses, americanos, franceses, japoneses, árabes, kurdos, muçulmanos, cristãos, etc. A história de Frankestein se repete.  E para desgosto de Israel, o EI está perdendo terreno nos combates frente ao exército sírio que tem o auxílio do Hezbollah e conselheiros iranianos.

Acreditem, ainda veremos os Estados Unidos e o Ocidente pedindo arrego, veladamente é claro, e agradecendo à Siria, ao Hezbollah e aos iranianos por estarem  combatendo o EI.

Só Israel vai ficar apavorada. Agora os iranianos e o Hezbollah já estão no Golan.

 

 

 

 

SÍNTESE DA QUESTÃO PALESTINA

 

SÍNTESE DA QUESTÃO PALESTINA

 

 

Em primeiro lugar, amigo, analisando a questão pela ótica bíblica. Pois, vamos lá. Quando os hebreus invadiram aquele território a ferro e fogo, como você bem disse, ali já habitavam os filisteus e os cananeus. Quem são os filisteus e os cananeus senão os ancestrais dos atuais palestinos? Aliás, foram os romanos que deram o nome de Palestina à região baseados na população de filisteus (ou filastinos). Essa mescla de povos, no início adotou a religião monoteísta que era o judaísmo. Alguns séculos depois uns poucos adotaram o cristianismo.

Entretanto, como naquela época não havia fronteiras exatas, outros povos semitas se misturaram àquela composição. No correr dos séculos, árabes, que professavam a religião cristã, vindos da Península Arábica, mesclaram-se aos grupos que ali estavam.

Mais tarde, no século VII, foi introduzido o islamismo na região, com a entrada do segundo Califa do Islão, Omar ibn Al-Khattab.

Portanto, o povo que habitava a região era formado por cristãos, judeus e muçulmanos. Os muçulmanos tornaram-se maioria, ou pela conversão de alguns cristãos e judeus, ou por um maior fluxo de muçulmanos vindos da Península Arábica. Então, formou-se uma população étnica e culturalmente uniforme, falavam a mesma língua, o árabe, e tinham os mesmos hábitos e costumes, E passaram todos a se chamarem palestinos e viviam em perfeita harmonia. Em palavras mais simples, os muçulmanos eram palestinos que professavam a religião islâmica e formavam 80% da população. 13% eram palestinos que professavam a religião cristã e 7% eram palestinos de religião judaica. A língua comum era o árabe. Não se usava outra língua a não ser em rituais religiosos. Todos viviam em paz, socializavam entre si, comercializavam, e, de vez quando, até acontecia um casamento inter-religioso.

No final do século 19, foi descoberto o petróleo no Oriente Médio. Como aquela região estava sob o domínio do Império Otomano, fazia-se necessário que o Ocidente (Inglaterra e França na época) se apossasse daquela riqueza. Foi essa uma das razões, além de outras, que levou o Ocidente a pedir a ajuda dos árabes para combater os turcos otomanos. Embora os turcos tivessem em comum com os árabes a religião (o islamismo), eram incomparavelmente cruéis com os povos que dominavam.  Então, os árabes viram nessa aliança com o Ocidente a oportunidade que eles aguardavam para realizar o seu grande sonho: fundar o grande califado que iria do Golfo Pérsico até o Norte da África.

Paralelamente, surgia na Europa, no final do século 19,  o movimento sionista que tinha por objetivo criar uma pátria para os judeus perseguidos na Europa cristã.  Eles tinham quatro opções. Um pedaço da Amazônia brasileira, ou um pedaço do antigo Congo Belga, ou uma porção da Patagônia, no sul da Argentina e, por último, a Palestina. Só que a Palestina tinha sua população nativa composta de muçulmanos, cristãos e judeus. Repetindo, eram árabes cuja maioria professava o islamismo, outros o cristianismo e outros o judaísmo.

Voltemos ao final da 1ª Guerra, quando os aliados derrotaram os turcos. Ao invés de cumprir com a promessa aos árabes, o Ocidente (Inglaterra e França) decidiu dividir todos os territórios, que linguisticamente eram considerados árabes, em vários países (ver o acordo Sykes-Picot). Dessa forma, poderiam dominar o petróleo árabe recém descoberto.

Mas e se de repente surgisse um líder nacionalista que tivesse a força carismática suficientemente forte para unir todos aqueles árabes? (Como mais tarde veio a surgir Gamal Abdel Nasser com o seu pan-arabismo) Daí, então, juntaram-se as duas forças. O Ocidente querendo dominar o petróleo árabe e os sionistas querendo fundar um país só de judeus.

Ficou decidido, então, que os judeus da Europa teriam a Palestina como seu país. Formariam um país fortemente armado com armas ocidentais. A essas alturas, já tinha surgido a maior potência bélica do planeta que são os Estados Unidos, cujo “lobby” judeu trabalhou e ainda trabalha para que os americanos mantenham Israel. Mas alguns países se perguntavam o que fazer com a população nativa da Palestina, já que tinha sido uma grande mentira a ideia de que os judeus da Europa eram um povo sem terra que iriam para uma terra sem povo? Na verdade, as grandes cidades de Israel hoje, eram até antes da fundação do Estado de Israel, cidades árabes. Jerusalém, Lod, Haifa, Jaffa, Ashkelon, Nazaré, Belém, etc. eram cidades habitadas majoritariamente por árabes.

E então começou a primeira guerra entre árabes e judeus, em 1948, vencida pelos segundos, melhor armados e melhor instruídos, fazendo uso de massacres em cidades e  aldeias palestinas para fazer a população palestina abandonar suas casas. Assim, Israel conquistou mais um bom pedaço da antiga Palestina, além daquele que lhe tinha sido destinado pela ONU (ou Liga das Nações, na época).

Mas afinal, esses judeus europeus têm direito à Palestina? Categoricamente, não! Nem sequer são semitas, não têm nenhum laço com os povos que habitaram aquela região. Na verdade, esses judeus da Europa, os ashkenazim, são tribos da Europa Oriental (Hungria, Croácia, Polônia, Iugoslávia, Bulgária, România, Rep. Tcheca, Rep. Eslováquia, etc.) que, nos séculos VIII e IX, decidiram adotar uma religião monoteísta e optaram pelo judaísmo. Portanto, são judeus convertidos. Não têm nada a ver com os judeus do Oriente Médio que são os verdadeiros semitas.

Quanto aos lugares santos, a Igreja da Natividade, o Santo Sepulcro, a Mesquita al-Aqsa que sempre estiveram sob os cuidados dos árabes cristão e muçulmanos, os sionistas radicais, racistas e fascistas, querem esses lugares para si. A ideia deles é transformar toda a Palestina um país só de judeus, sem muçulmanos e sem cristãos. O mundo está deixando eles realizarem esse crime.

 

 

Aqui está ele, o meu 3º livro,  "O escriba de Granada". Deverá estar nas principais livrarias do país a partir do dia 20 de fevereiro. Haverá a versão eletrônica também.

Aqui está ele, o meu 3º livro, “O escriba de Granada”. Deverá estar nas principais livrarias do país a partir do dia 20 de fevereiro. Haverá a versão eletrônica também.

Sobre Sionismo e wahabismo

Para o Carlos Mosmann, secretário de cultura de Novo Hamburgo:
Querido amigo Carlinhos Mosmann, estou combatendo dois inimigos simultaneamente. De forma pacífica, é claro. Através da palavra, porque essa é a minha arma.
O primeiro inimigo é o sionismo. Por favor, não confundir sionismo com judaísmo. São duas coisas diferentes. O judaísmo é a religião, a primeira das monoteístas. O Cristianismo e o Islamismo vêm do mesmo tronco abrâmico. Já o sionismo é uma filosofia que contém fundo racista e fascista. É a ideia de se criar um país exclusivamente de judeus. Afirmo aqui, nesse nosso forum, que nem todo judeu é sionista e nem todo sionista é judeu. Existem sionistas cristãos. A maioria dessas igrejas neo-pentecostais formam sionistas cristãos. E por mais paradoxal que possa parecer, existem árabes muçulmanos que são sionistas também, ou seja, simpatizam com a filosofia. Um exemplo é a Arábia Saudita e o Catar.
Outro inimigo igualmente perigoso, ou até mais que o sionismo, é o wahabismo. Esse é perigoso porque está atrás da nossa trincheira e você confunde ele com amigo. O que vem a ser o wahabismo, em resumo? É uma seita muçulmana, do ramo sunita (que os verdadeiros sunitas renegam), criada na hoje Arábia Saudita no século dezoito por um auto-denominado xeique, chamado Mohammad Abdel Wahhab. Esse cara seguiu a linha mais retrógrada dos pensadores muçulmanos (Ibn Taimieeh é um deles). O cara foi rejeitado pelo próprio pai e pelo irmão que chegou a escrever um livro condenado o tal xeique Mohammad Abdel Wahhab.
A Tribo da família Saúd se apoiou nessa seita pra dominar toda a península arábica. Assaltaram, mataram, condenaram, degolaram e exterminaram outras tribos para se apoderarem do território, apoiados pelos colonizadores ingleses na época, por interesses óbvios.
Quais são os pontos de maior conflito entre o wahabismo e o resto do Islã? Eles dizem que é pecado para a mulher andar sozinha, dirigir, comandar empresa ou qualquer grupo, tem que se cobrir toda – ou seja, usar a burqa, porque só o hijab (lenço na cabeça) não basta, mais modernamente permitem que as mulheres tenham profissões dirigidas às mulheres: tipo, médicas só para mulheres; professoras, só para mulheres etc. Proíbem os fiéis a saudar os cristãos e os judeus em suas datas religiosas, porque, dizem, se o fiel cumprimentar um cristão no Natal, por exemplo, será considerado um herege, igual ao cristão, e poderá ter sua cabeça cortada como punição.
Todo o terrorismo feito no mundo até agora, atribuído, generalizadamente, aos muçulmanos, foram praticados por esta seita. A Arábia Saudita os financia. E são eles que estão destruindo a Síria, destruindo templos cristãos antigos de mais de dois mil anos em Maalula, cidade cristã na Síria, onde ainda hoje se fala o Aramaico, a língua de Jesus. Destroem mesquitas de xiitas e sunitas, matando, degolando, estuprando as mulheres e meninas. De onde vieram? De 87 países muçulmanos e não-muçulmanos. Até do Brasil tem terroristas lá na Síria. Mas majoritariamente são da Arábia Saudita que abriu suas cadeias e mandou os presidiários matar na Síria, com a promessa das fatwas (decretos) dos xeques wahabitas, de que, se esses terroristas fossem mortos, seriam recebidos no Paraíso como mártires por 70 virgens cada um. Seria de rir, se não fosse de chorar.
Então, resumindo, quem o governo sírio está combatendo? Seu povo revoltado? Nada disso. Há mais de cem mil terroristas wahabitas vindos desses 87 países que estão lá. Se a Síria cair nas mãos desses terroristas, que pretendem implantar o wahabismo em todo o Oriente Médio, não só o islã estará a perigo, mas toda a relação cristã-muçulmana estará a perigo e, por consequência, todo o mundo.
Tenho certeza, entretanto, que a Síria vai sair vitoriosa para gáudio de todos os povos livres e para a boa convivência entre os mundos muçulmano e cristão.

NÚMERO DE TERRORISTAS COMBATENDO NA SÍRIA – POR PAÍS

     A quem interessar possa, aqui está o número de terroristas vindos de todo o mundo, computados até o dia 23 de setembro de 2013, que estão combatendo o governo legal da Síria.  Os dados são fornecidos por país, seguindo a ordem numérica de terroristas de cada país, número de mortos e de desaparecidos

Esses dados foram computados pelo jornal DAILY TELEGRAPH, obtidos do “British Deffense Institute”.

     Existem aproximadamente 100 mil terroristas em território sírio, vindos de 83 países, inclusive o Brasil. Conforme os dados, o número de brasileiros que estão lá é desconhecido, porém a lista indica que 36 deles foram mortos e 2 desaparecidos.

     De onde vieram esses brasileiros? Muitos deles são filhos de imigrantes muçulmanos ou são convertidos ao Islã radical pregado pela seita wahabita, cuja ideologia emana das mesquitas da Arábia Saudita. Algumas mesquitas no Brasil, através de seus imãs que tiveram formação na Arábia Saudita, adotaram a seita e executam uma forte lavagem cerebral nos jovens recém convertidos.

 

 

 

 

PAÍS                                  Nº DE TERRORISTAS      MORTOS     DESAPARECIDOS

 

 

Arábia Saudita                     5 a 8 mil                               1029                  1800

Tunísia                                 3 a 4 mil                                 983                  1270

Iraque                                   4 a 6 mil                                 971                    900

Palestina                               2 a 3 mil                                885                      87

Egito                                     3500                                      814                    370

Líbia                                      4500                                     802                   1650

Líbano                                   3200                                     791                     600

Chechena                               1700                                     718                     250

Yemen                                   2800                                     512                     700

Paquistão                               1500                                     448                     300

Afeganistão                             900                                      394                    150

Jordânia                                   600                                      388                    120

Turquia                                   3600                                     381                      55

Kuwait                                      900                                     211                    Não dispon.

Somália                                     350                                     192                      20

Rússia                                        250                                     189                        4

França                                        120                                       79                     Não dispon.

Alemanha                                  110                                        71                     n/d

Inglaterra                                     80                                        67                     n/d

México                                       150                                       65                        4

Marrocos                                    200                                       64                      n/d

Indonésia                                    100                                       55                        7

Malásia                                       140                                       54                      n/d

Turcomenistão                           360                                        51                      n/d

Argélia                                       200                                        50                        6

Uzbequistão                           desconhecido                            49                      n/d

Cosovo                                       140                                        47                      n/d

Albânia                                       100                                        46                        3

Eritréia                                        200                                        45                      30

Sudão                                         300                                        43                      45

Bósnia                                        150                                        40                       n/d

Cazaquistão                                250                                        39                      n/d

BRASIL                                desconhecido                             36                          2

Emirados Árabes                        180                                        36                      n/d

Azerbaijão                                   100                                       35                          2

Austrália                                     200                                        35                      n/d

Suécia                                     desconhecido                            34                          5

Bélgica                                      “            “                                33                          1

Omã                                            200                                        33                      n/d

Catar                                       desconhecido                            29                      n/d

Estados Unidos                          290                                        29                          2

Quirquistão                             desconhecido                            28                      n/d

Dinamarca                                     60                                       23                          6

Canadá                                         120                                      23                       n/d

Argentina                                 desconhecido                          23                       n/d

África do Sul                           desconhecido                          19                       n/d

Tajiquistão                                    190                                     19                         17

Noruega                                    desconhecido                         18                           1    

Malta                                              86                                      17                      n/d

Nigéria                                      desconhecido                         17                      n/d

Polônia                                      desconhecido                         17                           2

Áustria                                           60                                       14                      n/d

Níger                                          desconhecido                         13                      n/d

Rep. Checa                                desconhecido                         12                      n/d

Eslovênia                                 desconhecido                         12                        n/d

Chade                                        desconhecido                         12                      n/d

Finlândia                                         40                                      11                     n/d

Sudão do Sul                                 150                                     10                      n/d

Espanha                                           90                                     10                         2

Eslováquia                                  desconhecido                          9                       n/d

Portugal                                     desconhecido                           8                       n/d

Serra Leão                                      180                                      8                          4

Ucrânia                                           350                                     8                         n/d

Geórgia                                             80                                      7                       n/d

China (continental)                         200                                     7                          28

Irlanda                                               70                                     6                           3

Croácia                                         desconhecido                        5                        n/d

Bulgária                                        desconhecido                        5                        n/d

Hungria                                             40                                     5                        n/d

Suíça                                                 60                                      5                           1

Itália                                              desconhecido                       4                        n/d

Burkina Fasso                                desconhecido                       4                       n/d

Trinidad/Tobago                            desconhecido                      4                        n/d

Bahrein                                             30                                      4                           1

Ilhas Comores                                   60                                      4                         14

Mauritânia                                      desconhecido                       3                        n/d

Latvia                                             desconhecido                       3                        n/d

Nova Zelândia                                   30                                     3                            1

Suriname                                         desconhecido                      2                        n/d

Estônia                                             desconhecido                     2                        n/d

Índia                                             desconhecido                         1                      n/d

Etiópia                                          desconhecido                         1                      n/d

Senegal                                         desconhecido                         1                      n/d

O QUE ACONTECERÁ NO DIA SEGUINTE?

                             

      As pessoas leem as notícias superficialmente.  Elas veem através de agências internacionais ocidentais: Asociated Press, France Press, Reuters, etc., que coletam as informações dadas pelos seus respectivos governos.  Daí, então, surgem comentários superficiais, sem conhecimento de causa, sem saber realmente qual é a raiz do conflito na Síria.

     “O Bashar al-Assad é um ditador sanguinário, que mata seu próprio povo com armas químicas!” Ou ainda: “Os países do Ocidente querem implantar uma democracia na Síria, assim como fizeram na Líbia, Egito, Iraque etc.!” Ou pior ainda: “Os Estados Unidos têm que invadir aquilo lá, derrubar esse bandido do Assad!” E por aí vai…

     Na verdade, os Estados Unidos pouco estão se importando com implantar democracias. E se fosse para derrubar ditaduras, existem lá no Oriente Médio outras ditaduras feudais, dominadas por famílias e clãs. Arábia Saudita e Catar são dois exemplos.

     Mas, afinal o que querem os Estados Unidos e os países ocidentais? E quem é o maior beneficiado de um total alquebramento do exército sírio e destruição da infraestrutura do país? O maior interessado nisso  ¬ eu diria o pivô dessa guerra multinacional contra a Síria ¬ é Israel.

     Desde sua invenção, Israel jamais foi aceito pelos povos árabes, em particular, e muçulmanos, em geral. Isso porque qualquer pré-adolescente árabe sabe que a existência de Israel, a servir como uma cunha a dividir os árabes da Ásia e do Norte da África, nada mais é do que uma base americana para manter o domínio ocidental sobre o petróleo da região. Eu detalho mais claramente esta minha tese nos meus dois artigos anteriores “O FATOR SÍRIA” e “O FATOR SÍRIA II”, no meu blog WWW.OLATOEIRO.WORDPRESS.COM  Por favor, acessem.

     A Síria faz parte de um ativo e bem-armado eixo de resistência contra Israel, formado pelo Irã, Síria, Hezbollah no Líbano e a resistência palestina, com o apoio da maioria esmagadora dos povos árabes É do interesse de Israel, e por consequência, dos Estados Unidos, destruírem esse eixo para segurança do Estado Judeu. Há anos estão falando em atacar o Irã. Não se atreveram até agora. Tentaram acabar com o Hezbollah no Líbano. Depois de uma guerra de 33 dias, em 2006, Israel voltou com o rabo no meio das pernas e hoje o Hezbollah está dez vezes mais forte do que antes. Tentaram acabar com a resistência palestina em Gaza em 2008. Não conseguiram. Agora chegou a vez da Síria.

     A tal de Primavera Árabe (que, no fim, está sendo um tempestuoso outono) serviu de desculpas para criar um clima de revolta na Síria. Permitam que eu lhes revele uma coisa que a mídia ocidental não mostra: O Presidente Bashar al-Assad goza de 70 a 80% de popularidade no seu país. Todo governo, por melhor que seja, tem seus opositores internos. E o governo de Bashar al-Assad não é exceção.

     Portanto, o serviço de inteligência do ocidente e mais o Mossad, trabalharam em conjunto com a Arábia Saudita, o Catar e a Turquia para arregimentar combatentes da al-Qaeda, em todas as camadas pobres do mundo muçulmano, com fornecimento de armamento, a peso dos petrodólares da Arábia Saudita, Catar e outros países do Golfo Pérsico.

     Então, começaram a vir centenas de milhares de terroristas de todos os cantos do mundo. Sauditas, líbios, tunisianos, jordanianos, turcos, libaneses, afegãos, chechenos, paquistaneses, sudaneses, marroquinos, somalianos, etc. etc. Acreditem, tinha até americanos, ingleses e franceses de origem ou de conversão muçulmana. E, por incrível que pareça, tinha até brasileiros arregimentados em algumas mesquitas onde predomina o pensamento retrógrado e radical da seita wahabita (formação religiosa na Arábia Saudita).

     Para esse pessoal ¬ os wahabitas ¬ qualquer um que não pense como eles, é um herege. Portanto, é permitido matar os hereges, seja degolando-os, queimando-os vivos, atirando-os de cima dos edifícios, massacrando-os sumariamente, e até arrancando e comendo o coração do inimigo morto, como apareceu num vídeo que chocou o mundo.

     É esse o material humano que os Estados Unidos e o Ocidente estão usando para destruir a Síria. Então os americanos e o Ocidente estão se aliando á al-Qaeda? Um absoluto e sonoro SIM. Tudo isso para destruir um dos eixos da resistência contra Israel.

     E por que a Arábia Saudita e o Catar e alguns países são contra esse eixo? Simples: eles sabem que se Israel deixar de existir, chegará a vez deles.

      Mas afinal, foi o governo sírio ou não que usou armas químicas? Digo aqui um sonoro NÃO. Por que um exército que está tendo vitória atrás de vitória nos combates contra o terrorismo usaria armas químicas contra seu próprio povo? Seria um tiro no próprio pé. Usando o futebol, seria o mesmo que o meu time estar vencendo por 5 a 0 e já estamos quase no final do jogo e, de repente, meu técnico manda o time bater no juiz.

     E por que os “rebeldes” fariam isso? Desespero. Coincidentemente, Bandar bin Sultan, o aterrorizante e sinistro ministro saudita, tinha viajado uma semana antes para a Rússia para seduzir Putin. Os sauditas ofereciam uma compra de 15 bilhões de dólares de armamento russo,  os russos poderiam manter a base deles em Tartous, no litoral da Síria, e que os sauditas não concorreriam com os russos no fornecimento de gás à Europa Ocidental. Uma oferta irrecusável, sem dúvida, que representaria vários bilhões de dólares. Tudo isso para que a Rússia deixasse de apoiar Bashar al-Assad. Mas Putin mandou Bandar bin Sultan enfiar a oferta  no rabo e disse que a posição da Rússia na Síria era  uma questão de princípios e que não faria acordos com quem arrancava e comia os corações de mortos. E Bandar respondeu: “Então, será a guerra!”

     Enquanto isso, o exército sírio avançava, libertando aldeias e territórios dominados pelos terroristas. De repente, zap… o ataque com armas químicas. Quem desejaria uma intervenção dos Estados Unidos? O governo sírio quer isso? Certamente que não. Quem, desesperadamente, está precisando disso? Os grupos armados da al-Qaeda, os sauditas, os catarianos, os turcos, todas as forças reacionárias do Oriente Médio e ¬ naturalmente ¬ os israelenses.

     Espero ter sido claro o suficiente.

     Ah, sim! E o que vai acontecer no dia seguinte, após o ataque dos Estados Unidos?  O Oriente Médio todo vai pegar fogo, começando por Israel e terminando na Arábia Saudita e no Catar.

“Conversa com o escritor” na ExLibris

Hoje, dia 25 de abril de 2013, acabo de voltar do evento “Conversa com o escritor” na ExLibris, a simpaticíssima livraria que fica na Rua Caiapós, , quase esquina com a Maurício Cardoso, aqui em Novo Hamburgo. 
As donas, A Jane e a Carol, foram extremamente simpáticas. Receberam a mim e ao público com muito carinho. O ambiente estava aconchegante e eu me senti bem à vontade diante dos meus amigos e leitores que me obriram de carinho e afeto. Falei dos meus dois livros já publicados (“Mohamed, o latoeiro” e “O muçulmano e a judia”) e dei algumas pinceladas sobre o terceiro que está no forno. Revi algumas pessoas amigas que eu não via há tempos, solidifiquei minha amizade com outras que eu conhecia só virtualmente e revi amigos e amigas que vejo dia sim, dia não. Mas é sempre uma alegria estar com essas pessoas.
Batemos um papo maravilhoso e íntimo. Abri o meu coração. Fiquei conhecendo aquelas pessoas amigas e calorosas mais profundamente e elas a mim. Foi um encontro inesquecível que durou mais de duas horas. Não tem preço que pague esse momento. Obrigado a todos que lá estiveram aquecendo o meu coração.
 

QUEM TEM MEDO DO ISLÃ?

Quem tem medo do Islã?

(Ou nunca houve uma guerra entre  judeus e muçulmanos)

* Gilberto Abrão

 

     Constantemente recebo e-mails de amigos com vídeos, ou supostos artigos atribuídos a presumíveis  intelectuais, ou até chamamentos para uma guerra santa ou nova cruzada contra o Islã.

     Na verdade, não sei exatamente qual é a intenção desses amigos em me enviarem tais materiais. Não sei se eles querem que eu esclareça algum ponto, ou, simplesmente, querem me provocar. Percebo até uma dose de prazer mórbido no envio desses e-mails. Fico na dúvida.

      Um dos arquivos que mais recebo é o de uma suposta jornalista árabe, que mora há décadas nos Estados Unidos, e é regiamente paga por uma organização de extrema direita americana que apóia o estado sionista de Israel.  No vídeo, transmitido pela TV Al Jazeera, a dita jornalista debate com um clérigo muçulmano e tenta expor com veemência o “atraso dos muçulmanos em relação ao ocidente e aos judeus” e realça “a violência” dos muçulmanos. 

     Bem, nessa guerra multinacional contra a Síria, a Al Jazeera já provou quem ela é e a que veio. Pertence ao Catar, que, juntamente com a Arábia Saudita e a Turquia, financia os terroristas de todo o mundo que estão agindo no território sírio, destruindo o país. Portanto, a Al Jazeera, como divulgadora das questões árabes e islâmicas, é altamente suspeita.

     Mas o vídeo em questão foi habilmente tirado de um contexto. A mulher fala por alguns minutos, mete o pau no Islã com violência, superando até os mais fanáticos islamófobos. Quando ela termina a sua virulência, termina o vídeo. Não se ouve e nem se vê a resposta do clérigo muçulmano.  E, por cima disso tudo, os meus amigos ainda põem o título “Veja que mulher corajosa”. É de doer.

     Outro vídeo que eu considero de alta periculosidade no futuro, é uma “advertência” elaborada por uma tal Igreja Batista do Brasil (certamente é uma cópia de alguma igreja batista dos Estados Unidos) A advertência vem em tom apocalíptico, com direito a música wagneriana de fundo. Fala da “perigosa expansão muçulmana” no Ocidente e diz que a Europa será, em breve,  “ dominada pelo Islã” e “a civilização cristã e ocidental será destruída”.  O mesmo vai acontecer com os Estados Unidos.  Talvez, num futuro mais distante, o Brasil não escape dessa “tragédia”. Ao finalizar, o vídeo convoca todos os bons cristãos, “zelosos pela nossa cultura cristã e ocidental” a combaterem o Islã por todos os meios possíveis. Sem dúvida, é um chamamento a uma Cruzada moderna. Aliás, essa cruzada já está em curso. Mas esse é outro tema sobre o qual escreverei mais adiante.

     Outro pps que circula pela internet já há algum tempo é aquele que faz comparações de ganhadores do Prêmio Nobel entre judeus e muçulmanos.  Os autores do arquivo começam a peça anti-islâmica afirmando que o mentor da revolução Islâmica do Irã, o Aiatolá Khomeini, que a paz de Deus esteja com ele, teria decretado que nenhum muçulmano deveria comprar produtos feitos por judeus. Esse decreto jamais aconteceu. Mesmo porque o Islã jamais esteve em guerra contra o judaísmo. Nunca houve, na história das duas religiões,  uma guerra do Islã contra o judaísmo.  O que há – isto sim – é uma guerra entre os palestinos árabes (muçulmanos e cristãos) contra Israel, uma entidade racista e praticante da apartheid.  Aliás, nessa guerra os palestinos (repito, cristãos e muçulmanos) gozam da simpatia e do apoio dos povos livres e amantes da paz de todo o mundo.  

     Mas continuando a falar dessa peça anti-islâmica, os autores listam uma centena de judeus que ganharam Prêmios Nobel em quase todas as ciências enquanto que somente quatro muçulmanos foram contemplados com o prêmio. Convém lembrar que o prêmio passou a existir somente a partir de 1901, portanto há pouco mais de cento e dez anos.  Enquanto os muçulmanos atravessaram 500 anos sob o domínio do Império Otomano e praticamente toda a primeira metade do século XX sob o jugo das potências coloniais, os judeus europeus saíam das melhores universidades européias.

     Portanto, seria uma tremenda injustiça traçar um paralelo entre os muçulmanos dos últimos 500 anos e os judeus da mesma época.  Mas, se pegarmos as incontáveis contribuições islâmicas em todas as áreas da sabedoria humana, desde a fundação do Islamismo até a derrota do último sultão do Reino de Granada, encontraríamos uma lista de várias centenas de matemáticos, físicos, químicos, médicos, navegadores, filósofos, poetas, pensadores, biólogos, geógrafos, historiadores, etc. que, se o Prêmio Nobel existisse desde o século VII, certamente os muçulmanos já teriam uns dois mil ganhadores. A humanidade deve e continuará devendo, ad perpetuam, a todos esses sábios e cientistas do mundo muçulmano.

     Mas quem produz todas essas peças islamofóbicas que infestam a internet? Só há um interessado em denegrir a imagem do Islã: o sionismo internacional. Ele age com tamanha perfeição que já conseguiu cooptar essas igrejas neo pentecostais para a sua ideologia nefasta contra o Islã. Os pastores dessas igrejas pregam que Jesus só ressuscitará depois que todos os judeus do mundo voltarem à Palestina e lá se converterem ao cristianismo. Por isso eles pregam, com um fervor maior do que os próprios sionistas, que todos os palestinos devem ser expulsos de suas terras para dar lugar aos judeus de todo o mundo “para a grande conversão”.  Se for necessário matar os palestinos, que assim seja.  De repente, aparece um pastor de uma tal Igreja Batista dos Estados Unidos a queimar, provocativamente, o Alcorão,  outro a fazer um filme denegrindo a imagem do Profeta  Mohamed (Maomé) e assim por diante. Os sionistas estão adorando tudo isso.  Morrem de tanto rir de satisfação.

 

O FATOR SÍRIA-II

                  O Fator Síria – II

 

     Bem, agora que o ataque multifacetado contra a Síria não surtiu o efeito desejado pelos Estados Unidos, OTAN, Turquia, Israel, Arábia Saudita, Catar e a Irmandade Muçulmana (leia-se al-Qaeda), que era  depor o presidente Bashar al-Assad e colocar no seu lugar um fantoche americano, cuja primeira ação seria assinar um humilhante acordo de paz com Israel em troca de trinta moedas, os Estados Unidos, que são o principal mentor dessa desgraceira toda, resolveram colorir sua postura.

           Todas as partes envolvidas, exceto o “Exército Livre” e os terroristas da al-Qaeda arregimentados nas favelas do mundo muçulmano, (leiam o meu artigo anterior, “O Fator Síria” neste mesmo blog) concluíram que não poderiam derrubar o Presidente Bashar, em função do apoio popular que ele tem e da coesão do exército sírio em torno dele.  Diante disso, levando-se em conta o interesse do principal beneficiário desse jogo, que é Israel, decidiu-se então causar um desgaste e uma sangria no país árabe que faz parte da “Frente da Resistência”, juntamente com Irã, Hezbollah no Líbano e o Hamas em Gaza.

          À boca pequena, esses inimigos da Síria (exceto os terroristas da al-Qaeda, Arábia Saudita e Catar) já admitem a solução da crise síria através do diálogo. Mas querem um pouco mais de guerra e matança para aniquilar, de vez, com qualquer força de reerguimento sírio no futuro. Portanto, depois dessa destruição física e econômica do país e a cruel matança generalizada perpetrada pelo tal de Exército Livre e seus asseclas da al-Qaeda, Israel poderá ficar tranquilo por mais 30 anos, mesmo que o regime permaneça.

        Consequentemente, Israel poderá abocanhar – como já está fazendo – mais e mais do território da Cisjordânia até a expulsão total e final do povo palestino. Os partidos de direita da entidade sionista, que apoiam Nataniahu, já pregam, sem nenhum pejo, uma limpeza étnica total da Cisjordânia e a anexação de todo o território que tem 5.640 m2 (pouco mais que a metade da Lagoa dos Patos). Isso significaria o êxodo de 2.700.000 palestinos, que só Deus sabe para onde iriam. Mais da metade desse minúsculo território já está nas mãos de Israel.  É só olhar o mapa atualizado da Margem Ocidental do Jordão.

        Como possível Estado Palestino ficaria somente a Faixa de Gaza, que representa somente 2% (sim, dois por cento) do antigo território da Palestina antes de 1948. Mas esses também já estão sendo cooptados – ou seduzidos melhor dizendo – por Hamad Bin Jassem, o arquibilionário primeiro ministro do Catar, inimigo mortal de Bashar al-Assad e amigo atencioso e carinhoso de Tzipi Livni, ex-primeira ministra de Israel.  Dizem fontes palestinas que Hamad bin Jassem disse ao Hamas para fazer as pazes com Israel e ele, Hamad, transformaria a Faixa de Gaza no Jardim do Éden. É, não é moleza! São os 30 dinheiros articulando a política no Oriente Médio.

        Portanto, o que os inimigos da Síria querem não é introduzir uma democracia ocidental no país, que, diga-se a verdade, não está funcionando em nenhum país árabe que sofreu as revoluções da tal Primavera Árabe. Querem – isto sim – conforme eu já tinha dito no meu artigo anterior, quebrar o eixo da resistência ao projeto sionista-americano. Eliminada a Síria, pensam eles, elimina-se o Hezbollah, o Hamas e isola-se o Irã.  Assim, se salva a existência de Israel, e entidade criada pra dividir o mundo árabe e servir de maior base americana no mundo.

        Mas vamos fazer um exercício e futurologia. O que será que realmente vai acontecer? Pois eu lhes digo o que vai acontecer, baseado em analistas árabes pró- resistência.  O projeto de pacificação elaborado pelo Irã com o aval russo e chinês vai demandar que o Catar, a Turquia e a Arábia Saudita parem imediatamente de fornecer armas e financiar os grupos terroristas que atuam na Síria; que o Presidente Bashar institua eleições livres para o congresso sírio, com observação internacional (Jimmy Carter vai estar lá); em 2014 vai haver eleições para presidente, ou através do congresso ou pelo voto direto. Em qualquer um dos casos, Bashar ganha as eleições com no mínimo 60% dos votos. Assim sendo, Bashar fica!

        E como fica a infraestrutura destruída do país? Não se preocupem. O povo sírio é persistente e aguerrido. Haverá de reerguer tudo em menos de 5 anos, com uma substancial ajuda do Irã, é claro.

        Mas os povos árabes não devrão dormir tranquilos. O eixo do mal (Estados Unidos, Israel, Arábia Saudita e Catar e mais alguns) já está criando uma nova frente. Já andam atiçando as províncias iraquianas de maioria sunita para se rebelar contra o governo central, que é de maioria xiita, com grandes afinidades com o Irã. Essa massa de manobra já apareceu fazendo demonstrações violentas, gritando o nome do antigo ditador Saddam Hussein e carregando fotos dele. O que não fazem esses homens que lideram o projeto sionista-americano. Aliam-se com o diabo para executar seus planos de divisão do mundo árabe. O feroz inimigo de ontem pode se tornar o útil amigo de hoje. Introduziram a al-Qaeda na Síria para destruir o país e agora se aliam com antigos seguidores de Saddam Hussein para desestruturar o Iraque.

        Seria de rir se não fosse de chorar.

 

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