Arte e Cultura

Nessa sessão, vamos trocar idéias sobre a arte e a cultura árabe.

Glossário de termos e frases usados no romance

 

Glossário de termos e frases ditas em árabe no “Mohamed,, o latoeiro”

Ahlan Wa Sahlan = Seja bem-vindo

Assalam Alaikum = A paz esteja com você (s)

Masbaha = rosário muçulmano

Kafan = mortalha

Mijuez = flauta de haste dupla feita de bambu

Qibla = presumida direção de Meca

Mabruk = Abençoado (usa-se para parabenizar alguém)

Déia = parteira

Baraka = bênção

Habibi = meu amor (quando o objeto do amor é do sexo masculino)

Habibti = meu amor (quando o objeto do amor é do sexo feminino)

Mukhtar = autoridade principal de uma aldeia.

Franj = termo aplicado ao todos os europeus, usado desde os tempos dos cruzados.

Insha’Allah = Queira Deus (estudiosos dizem que daí deriva o termo Oxalá em português)

Alhamdulilleh = Graças a Deus

Tuhur = purificação, ablução. Termo também usado para circuncisão.

Muttaher = aquele que executa o tuhur, cortando o prepúcio.

Baiê = meu pai.

Allahu Akbar = Deus é o maior

Chanclich = bolo de requeijão secado ao sol, coberto com tomilho, sumagre e semente de gergelim.

Tannur =  Forno de pedra e barro, na forma de um pequeno cupinzeiro usado pelas camponesas para fazer pão.

Masha’Allah = Assim é a vontade de Deus.

Aazu billeh = Que Deus nos proteja.

Ustaz = professor.

Yalla = Vamos.

Khan = misto de pousada e estrebaria onde os viajantes repousavam com suas montarias até as primeiras décadas do século passado.  

Salam Alaikum = o mesmo que Assalam Alaikum.

Tafaddalu = Dêem-nos a honra! (o anfitrião convidando seus convidados para começarem a comer)

Khala = tia irmã da mãe; madrasta

Marhaba = outra forma de dizer “bem-vindo”

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Os meses em árabe

Alguns leitores me peguntaram  que forma era aquela que eu datava os episódios da história do latoeiro. Exemplos:  Âb, oitavo mês… Shbat, segundo mês… Huzairan, sexto mês… Tishrin Awal, décimo mês… e assim por diante.

Os árabes utilizam dois calendários. O primeiro  é o muçulmano, lunar e o ano  é aproximadamente 10 dias mais curto do que o gregoriano. Deste, eu vou falar mais tarde.

O segundo calendário é o solar, derivado do aramaico  (a lingua falada por  Jesus)    e tem a sua equivalência nas línguas ocidentais. Quando eu escevi no ‘Mohamed, o   latoeiro’ , Adhar, terceiro mês… eu quis dizer exatamente março do calendário gregoriano; quando eu escrevi    Âb, oitavo mês…  eu quis dizer o oitavo mês do calendário gregoriano, ou seja, agôsto;  Quando eu escrevi Kanun Awal, o décimo segundo  mês… a equivalência no calendário gregoriano seria dezembro. Entretanto, chamo a atenção para o seguinte: Kanun Awal não quer dizer dezembro;    assim como Adhar não que dizer março e nem Âb quer dizer agosto.  Aliás, nenhum dos meses que eu menciono no romance são traduçoes dos meses ocidentais. São   meramente  equivalências numéricas ordinais. Os nomes dos meses ocidentais são nomes de deuses gregos e romanos. Enquanto que os meses árabes-aramaicos são nomes de periodos climáticos do ano. Exemplos:

Shbat: significa chicote em aramaico, quer dizer que o frio é forte e machuca como um chicote. Equivale ao nosso fevereiro.

Nissan: mês das flores, que equivale ao nosso abril.

Tammuz , o forte, ou seja o máximo do calor, equivale ao nosso julho.

Vamos então aos meses árabes-aramaicos  e seus equivalentes no nosso calendário ocidental.

Kanun-al-thani = janeiro,  Shbat = fevereiro;  Adhar = março; Nissan = abril; Ayar = Maio; Huzairan = junho; Tammuz = julho; Âb = agosto; Aylul = setembro; Tishrin Awal = outubro; Tishrin Thani = novembro; Kanun Awal = dezembro.

É isso aí. Um beijo e abraços para todos

Ni

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Por que os árabes são chamados de turcos?

 
Por que os árabes são chamados de turcos? Como veio esse apelido a identificar os árabes e seus descendentes?  Apelido, aliás, que já se tornou, no meio popular,  a “nacionalidade” dos árabes, donos das lojinhas que existem por aí ou dos mascates que percorriam as veredas do interiorzão do Brasil.  Muita gente os chama de turcos, convencidos que são realmente turcos.
Na verdade, tem até formadores de opinião que confundem as coisas. Há pouco tempo atrás, um conceituado jornalista da região, um ícone do jornalismo local,  escreveu um artigo sobre os grupos imigratórios que formaram o Vale do Sinos e ilustrou o artigo com fotografias.
O cara mencionou os alemães, que formam o grupo predominante, os italianos, os portugueses, os japoneses, os negros e os “turcos”. Para ilustrar o parágrafo que falava dos “turcos” ele tirou a foto de uma loja que, na época, se chamava Flor da Síria, cujo dono, na verdade, era palestino. Doloroso!
Quando os turcos otomanos dominavam, a ferro e fogo, todo o Oriente Médio, muitos árabes saíram de seus territórios durante a segunda métade do século dezenove. Não existiam ainda os países árabes geografica e politicamente definidos como hoje. A Síria, por exemplo, compreendia o território dos países de hoje: Jordânia, Israel (Palestina), Líbano e Síria. Esses emigrantes vinham com um documento chamado “laissez passer” (do francês “Deixai passar”) emitido pelo governo turco que dominava aquela região. Eram, portanto, considerados turcos, embora não soubessem dizer três palavras na língua do império.  O apelido continua até hoje. Alguns amigos me chamam carinhosamente de Turquinho. Mas uma grande porção da população brasileira, por ignorância,  ainda conhece os árabes como turcos. E muito comum você ouvir o seguinte diálogo:
– Que blusa bonita! Onde você a comprou?
– Na lojinha do turco lá do centro!
Ou:
– Que calça porcaria! Na primeira lavagem encolheu!
– Quem mandou você comprar na loja do turco!
E assim vai
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Livros didáticos contém erros sobre o Islã

07/02 – LIVROS DIDÁTICOS CONTÊM ERROS SOBRE O ISLÃ “Erros históricos permitem formação de conceitos errados sobre Islã e muçulmanos”

A professora Ana Gomes de Souza (FOTO), que dá aula de História para alunos de 11 a 18 anos, partiu de uma premissa importante quando escolheu estudar a imagem do Islã retratada nos livros didáticos de História. A pesquisa sempre deixou claro que esses livros agem como fontes fidedignas das informações que carregam. O que acontece, para a autora, é que a falta de questionamento e a relação dos alunos com o livro é de um olhar cientificista, ou seja, as informações contidas nas páginas do livro não “podem” estar erradas. Em outras palavras, “tendem a ser recebidas sem contestação e na maioria das vezes acompanham o aluno por toda a sua vida, ou seja, o aluno não filtra essas informações e apenas as recolhe”.

Assim, o Islã continua a ser um conjunto de conhecimentos ainda estranho para grande parte dos brasileiros. E se a informação oferecida pela mídia em geral – filmes, notícias – tem dificuldade para se livrar de preconceitos e equívocos, os livros didáticos – a base de educação da pessoa que emite opinião e age na sociedade – parece plantar a primeira semente de ignorância sobre o assunto.

Baseada em fontes islâmicas oficiais (o Corão, a Tradição, o Consenso e a Medida), a autora procura fazer uma análise de livros didáticos aplicados na educação de alunos da 5ª a 8ª séries. Os erros são vários. O termo Allah, de forma geral, é entendido como o deus muçulmano, e não como a palavra árabe que designa a palavra deus, seja qual for a religião a que se refira. Essa confusão pode “ocasionar a formação de preconceitos porque não permite a identificação da religião islâmica como fé monoteísta e os muçulmanos como devotos do mesmo deus adorado por cristãos e judeus”.

Outro erro: o islamismo como maometismo. A palavra não está presente em nenhuma das fontes islâmicas e nem há equivalente no idioma árabe. Edward Said, em “Orientalismo”, acredita o termo surge de uma analogia em relação à religião dominante na Europa, o cristianismo. Deu-se o mesmo atributo divino de Cristo a Maomé para então considerá-lo – assim como a religião que revelava – um impostor.

Os erros seguem, sobre os profetas, o local sagrado de Meca, a Hégira, a poligamia e a jihad (termo cuja carga semântica pode ser traduzido pela palavra esforço, e não guerra santa). Como explica a autora através do estudo das fontes islâmicas, “o jihad menor é o esforço que deve ser empenhado na defesa contra agressões feitas aos valores do Islã e agressões contra a integridade física dos muçulmanos. Tal conceito não mantém nenhuma ligação coma violência gratuita e nem com o termo ‘guerra santa’ que os não-muçulmanos utilizam para explicar a expansão islâmica”. Mas mais importante é a reflexão interior do muçulmano, o jihad maior. Como explica Ana Gomes, “o jihad maior é apresentado como o esforço, o empenho ou a luta diária que o muçulmano trava consigo mesmo para evitar situações que possam afastá-lo de Deus – a corrupção, a inveja, a injustiça, a soberba e a mentira. Essa é a mais importante”.

Leia a seguir a entrevista concedida ao jornalista Arturo Hartmann, do Instituto de Cultura Árabe (Icarabe), pela pesquisadora, que fala de sua tese, da imagem do Islã no mundo e sobre as causas dos erros nos livros didáticos a respeito da religião.

Icarabe: Por que resolveu fazer esse estudo sobre o islã?
Ana Gomes de Souza: O Islã é um dos temas que está previsto para ser abordado no ensino fundamental e também no ensino médio. Preparando uma aula sobre o tema, fui atrás das fontes oficiais do Islã – o Alcorão e Hadith – para que os alunos pudessem ver, ler e manusear durante a aula e, nessa busca, pude perceber divergências entre os textos dos livros didáticos de História e as fontes oficiais do Islã. Essas divergências me conduziram à pesquisa que se transformou numa dissertação de mestrado que foi defendida no Programa de Pós-Graduação em Língua, Literatura e Cultura Árabe do Departamento de Letras Orientais da USP.

Icarabe: Qual o critério para a escolha dos autores e dos livros para a análise?
Ana Gomes: No corpus da minha pesquisa foram selecionados apenas os livros didáticos de História editados pelas grandes editoras de livros didáticos do Brasil, pois elas têm alcance nacional e sãos as maiores fornecedoras de livros didáticos para o Programa Nacional do Livro Didático (PNLD). De acordo com esse programa, o governo federal compra e distribui tais livros para as escolas públicas do ensino fundamental.

Icarabe: Existe no conteúdo dos livros didáticos uma tendência a todo o momento centrar excessivamente a Religião Islâmica na figura de Muhammad (Maomé). Qual seria a principal razão para isso?
Ana Gomes: Não digo que é excessivo, porque enquanto alguns livros trazem que o Islã é uma religião revelada por Deus e que Maomé é um dos profetas aceitos no Islã, outros livros sinalizam que Maomé seria o autor dessa religião.

Icarabe: No processo constante que o conhecimento a respeito de Maomé tenta diminuí-lo, construir sua imagem como de um irracional e perverso se podemos dizer assim, como isso influencia a imagem do próprio islamismo?
Ana Gomes: Os livros didáticos de História do corpus trazem apenas algumas informações sobre Maomé, e dessas, a que se destaca é a do casamento com Kadija, mulher mais velha e rica, na qual alguns livros deixam transparecer que ele seria um “oportunista”. Esse perfil não é corroborado por pesquisadores que atestam que Maomé viveu de forma frugal, sem conforto, longe de qualquer luxo e ao morrer não teria deixado nenhuma herança a seus herdeiros. O perfil de “oportunista” priva Maomé do próprio status de profeta, que, de forma geral, foram pessoas com excelente conduta moral, sem interesses materiais, preocupados com o bem comum e com o pós-morte. Assim, uma pessoa que desconhece os fundamentos do Islã e recebe como informação apenas esse perfil, certamente terá dificuldades para reconhecer Maomé como profeta divino, reconhecer os muçulmanos como monoteístas e provavelmente terá uma “imagem” desfigurada do Islã.

Icarabe: Como você definiria a forma como o islã é divulgado nos livros didáticos?
Ana Gomes: Se a pergunta se refere ao livro didático de História, posso te dizer que, baseada na pesquisa, alguns dos livros didáticos de História que estão em uso deveriam rever algumas das informações apresentadas por conterem erros históricos que podem permitir a formação de conceitos errados sobre o Islã e os muçulmanos. Por exemplo, um dos livros afirmou que a Hégira teria ocorrido da cidade de Medina para a cidade de Meca, quando na verdade os muçulmanos partiram de Meca para Medina.

Icarabe: Qual sua análise das atualizações feitas nos livros didáticos em relação ao islamismo que ocorreram em 2004?
Ana Gomes: De forma geral os livros didáticos do corpus da pesquisa se preocuparam mais em fazer revisões na parte gráfico-editorial do que em seus textos, substituindo uma palavra por outra sem trazer grandes alterações no sentido do texto, ou seja, há várias décadas o Islã consta nos livros didáticos de História, porém, essa permanência não lhe garantiu a atualização e a revisão das informações, o que pode levar a crer que as informações sobre o Islã já se esgotaram e que não há nenhuma informação que merece revisão. Por exemplo, os ataques aéreos, em 2001, às torres gêmeas em Nova Iorque, aparecem em apenas um dos livros do corpus. Aqui, a questão das torres é apenas citada como fato histórico recente, sem nenhuma relação com os princípios da religião divulgada por Maomé.

Icarabe: Que tipo de ação poderia ser tomada pelo governo federal para evitar esses erros com relação ao islamismo?
Ana Gomes: Como professora, respondo não apenas em relação ao Islã, que foi o objeto da pesquisa, mas de forma geral, de uma forma que eu acho que pode beneficiar todo o processo de ensino-aprendizagem. Talvez a solução para essa questão passe pelos seguintes pontos: considerar que o livro didático traz inúmeros temas e para verificar se cada um desses temas traz divergências, erros ou enganos, deve-se colocar cada tema abordado sob a análise de um especialista na área. Por exemplo, qualquer historiador tem uma visão geral de muitos processos históricos, porém, o especialista/pesquisador de determinado tema sempre terá um número maior de informações, de dados que podem contribuir com mais propriedade nessa análise, porque o livro didático é destinado ao aluno do ensino fundamental que não é perito em nenhum tema, que acredita que o livro didático nunca erra ou comete enganos e ainda, provavelmente, as informações recolhidas seguirão no aluno após a conclusão do ensino fundamental. Por isso, o livro deve trazer informações precisas. O segundo ponto seria incentivar nas universidades a realização de pesquisas sobre os conteúdos trazidos pelos livros didáticos.

Fonte: www.icarabe.org

Edição: Ibei

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