O autor

“Segundo meu pai, o fato de eu ter nascido durante a 2ª Guerra Mundial justifica a minha rebeldia e falta de juízo”, conta Gilberto Abrão, que foi educado em um bairro simples de Curitiba, habitado por imigrantes poloneses, ucranianos, italianos, alemães e alguns sírio-libaneses. Aos 10 anos foi enviado pelo pai ao Líbano com a missão de aprender o idioma árabe, a cultura e a religião muçulmana. “Voltei aos 14 anos, fui estudar à noite e trabalhar durante o dia. O colégio não tinha boa fama, pois aceitava alunos já crescidos, rejeitados ou expulsos de outras escolas. No entanto, o prédio anexo à escola abrigava a Faculdade de Direito de Curitiba, onde acompanhei brilhantes conferências de renomados intelectuais e polítcos, de diferentes vertentes e posições partidárias, das décadas de 1950 e 1960”, detalha o autor. Rato de biblioteca, Gilberto Abrão leu os grandes clássicos da literatura nacional e mundial – de Machado de Assis a Franz Kafka – além velhos jornais de Angola e Moçambique. Em 1962, o autor se alistou como voluntário das Forças de Emergência das Nações Unidas para guarnecer as fileiras de soldados que atuavam na fronteira entre o Egito e Israel. Por ser fluente em árabe e inglês permaneceu por 14 meses na Faixa de Gaza. Apaixonado por uma gaúcha, retornou ao Brasil em janeiro de 1965 para lecionar inglês em uma grande escola de idiomas. No ano seguinte, após obter o licenciamento para abrir uma franquia dessa escola de inglês, migrou para a cidade de Novo Hamburgo (RS). No início da década de 1970 iniciou o “namoro” com a literatura ao colaborar com o jornal Zero Hora, no qual publicava crônicas e contos na coluna Sol e Chuva. “Até me aventurei a tecer comentários políticos e tive a honra de ser censurado pela direção do jornal, que nessas ocasiões colocava anúncios em substituição à coluna”, conta.

Amigos – entre eles a professora Juracy Saraiva, mestre e doutora em literatura – desde 1983 insistem para que Gilberto Abrão escreva um livro. Dividido entre “ganhar dinheiro ou fazer literatura”, sempre escolheu a primeira opção. “Por conta de uma cirurgia no joelho, que me obrigou a ficar 40 dias em casa, decidi aceitar a sugestão da minha esposa e iniciar um livro. Comprei um notebook e comecei a escrever Mohamed, o latoeiro”, afirma, acrescentando que ainda continua dando as aulas de inglês.

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9 Comentários

9 opiniões sobre “O autor

  1. Amigo!

    Um rato de biblioteca só poderia tornar-se escritor, estava escrito nas estrelas. E inserir em seu “livrinho da vida”, outros amigos também ratos de biblioteca…

    Parabéns por escrever tão bem. Você é admirável, e seu Mohamed é feliz (com certeza, acredito nisso) por ser seu “filho”, criado por suas mãos…

    Abraços e aguardamos o segundo. Livro.

    EBA!

    • Dóris, querida, estou muito contente e honrado com o teu acompanhamento. Continue visistando o meu blog e me mandando comentários e críticas. Tenho a tua opinião em alta conta. Tuas palavras são bíblicas.
      Quanto ao segundo “filho”, já está nas mãos da editora e virá em breve “insha’Allah!”

      Um grande beijo.

    • Fernando Eltz (Pipia)

      Gilberto!!
      Escritor então? Lembro de nossas conversas no saudoso Café Avenida. Onde encontro teu livro em São Paulo? Preciso ler.
      Grande abraço,

      • Pipia, velho de guerra!
        Há quanto tempo?! Deve fazer um milhão de anos! Fico feliz em saber que tu estás vivo!
        Quanto ao meu livro, tu o encontrás nas melhores casas do ramo: Cultura, Saraiva, Fnac, Nobel, Curitiba, Travessa, etc.
        Mantenha contato, velho. Forte abraço. Gilberto

  2. Mariem

    Irmãozinho!

    Foi por pouco, mas poderiamos ter sido irmãos se seu pai aceitasse o pedido de D.Dalila. Muito legal reviver minha infância nas páginas de teu livro. Seria injusto expôr críticas boas ou ruins sobre “Mohamed o latoeiro”, pois na realidade tudo isso faz parte de nós e estaria elogiando ou criticando a mim mesma. As críticas do escritor estou guardando para o próximo livro.
    Beijo no teu coração
    Mariem

  3. Emir Brahim

    Prezado Gilberto,

    Saudades do contato que tivemos aqui em Curitiba.

    Gostei muito de ler a história da imigração árabe, principalmente por ter conhecido um pouco da história do meu avô ( Camel), pois com a separaçào dos meus pais aos meus 6 meses de vida, eu fui conhecer os parentes após 40 anos de idade.

    Perdoe-me se pequei, mas tomei a liberdade e escrevi ao Programa do Jô sugerindo uma entrevista com sua pessoa para contar um pouco mais de linda história.

    Infelismente não possuo o seu e-mail e telefone, por isso indiquei o seu blog como contato.

    Um forte abraço,

    Emir Brahim

    • Estimado Emir,
      Obrigado pelo teu entusiasmo!
      Já respondi ao teu comentário diretamente ao teu e-mail particular.
      Um forte abraço
      Gilberto

  4. Laura Pruch

    Prezado Gilberto!
    Tive a honra de estar em tua presença por duas vezes. Foi o suficiente para me apaixonar ainda mais pela História, pois sua dedicação e amor por suas raízes fortaleceram o que entendo ser o amor pelo meu povo. Te respeito muito! Obrigada!!

    • Obrigado, Laura! Eu é que me sinto honrado por tê-la conhecido. Você é um ser humano especial, iluminado, certamente amado por Deus! Como não, se você é uma pessoa que se doa em prol do seu semelhante, que conduz um magnífico trabalho de ajuda aos seus irmãos… Olha, Laura, eu tenho muito orgulho de ser seu amigo. Um afetuoso abraço.

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