O ACORDO DO SÉCULO. OS PALESTINOS ACEITARÃO?

O ACORDO DO SÉCULO. OS PALESTINOS ACEITARÃO?

 

Está sendo chamado pelos americanos de “The deal of the century”. Pode ser traduzido também como o negócio do século, como preferem chamá-lo os israelenses, os sauditas, os Emirados Árabes Unidos e todos os países que giram na órbita americana, já que são eles os grandes e únicos beneficiários.

Particularmente, prefiro usar o termo ‘acordo’, um vocábulo mais ameno. Na verdade, entretanto, é uma combinação entre os americanos, israelenses, sauditas, emeritenses, egípcios e mais alguns aliados dos Estados Unidos. Os detalhes desse acordo estão sendo engendrados por esse eixo diabólico cuja intenção é forçar os palestinos a aceitá-lo.

Os palestinos e os povos árabes em geral – digo povos e não governos – estão chamando esse acerto de o novo plano “Sykes-Picot”, que após a Primeira guerra Mundial dividiu os Árabes em vários países. Para citar um exemplo, a Grande Síria antes da Primeira Guerra Mundial compreendia a atual Síria, o Líbano, a Palestina e grande parte da atual Jordânia. O acordo “Sykes-Picot” foi uma das mais trágicas páginas da história árabe. Uma traição dos então aliados, os ingleses e franceses, que enganaram os árabes, depois de esses terem ajudado os aliados contra o Império Otomano na Primeira grande Guerra.

A segunda calamidade na história dos árabes foi a “Nakba” – a “Catástrofe” – que gerou a fundação do Estado Sionista Israel em território palestino. Portanto, o “Acordo do Século” seria o terceiro golpe contra os árabes e especificamente contra os palestinos.

O que seria o “Acordo do século”? Em síntese, seria assim:

  1. Os palestinos abririam mão de todo o território da Margem Ocidental do Jordão, incluindo Jerusalém.
  2. As cidades árabes da Margem (Ramalla, Jenin, Hebron, El Bireh, Nablus, Jericó, etc.) teriam controle limitado, com governos para decidir questões internas somente, sem nenhuma autoridade para assuntos externos. Isso estaria sob controle de Israel. Portanto, a ideia original de se formar um Estado palestino com a Margem Ocidental do Jordão e mais Gaza,conforme o acordo de Oslo, estaria fora de cogitação. A Autoridade Palestina seria desmontada e Mahmoud Abbas, seu atual presidente, iria cuidar de seus prósperos negócios particulares com os israelenses ou iria brincar com os netinhos. Isso, se não for assassinado por traição à causa.
  3. A nova “Palestina” seria formada pelo minguado território de Gaza (360 km2) e mais um território retangular de 1.300 km2 da Península do Sinai adquirida ao Egito. Ao Egito seria pago por esse território cedido o valor de cem bilhões de dólares pagos em dez anos, pelos sauditas, pelos Emirados Árabes e pelo Bahrein. Portanto, essa Palestina teria um pouco mais do que 1.600 km2. No Brasil há vários municípios com extensão territorial maior do que essa.
  4. A Palestina do golpe do século seria um país desarmado, pelas condições irrevogáveis de Israel e Estados Unidos. A capital seria Gaza,
  5. A nova Palestina teria um aeroporto internacional que estaria localizado em El-Arish, dentro do Sinai. É um aeroporto militar antigo do Egito, que seria reconstruído. Os israelenses não querem permitir aos palestinos a utilização do bombardeado aeroporto de Gaza. Também haveria um porto marítimo de entrada e saída de mercadorias localizado perto de El-Arish. Novamente, os israelenses se recusam a aceitar que os palestinos venham a usar o porto de Gaza nesse futuro Estado Palestino.
  6. Não haveria direito ao retorno dos refugiados palestinos às suas antigas cidades da Palestina histórica. Quem quiser voltar que volte à nova Palestina, onde, segundo cálculos dos planejadores, deverá caber 2 milhões de novos habitantes. Portanto, aqueles que saíram de Haifa, Jaffa, Lod, Safad e outras cidades antes da Catástrofe de 1948, podem jogar fora as enferrujadas chaves de ferro de suas casas, que guardavam para o dia do retorno.

Os signatários desse tal de acordo, ou plano diabólico, são Israel, Estados Unidos, Arábia Saudita, Emirados Árabes, Egito e Bahrein. Espera-se que os palestinos sob pressão, com a condição de “ou aceitam ou não têm nada”, venham a assinar e concordar. A larga maioria da população palestina não aceita. Mas há uma elite que se beneficia e locupleta com os sionistas, tipo Mahmoud Abbas (presidente da Autoridade Palestina) e Mohammad Dahlan, homem de vários negócios ilícitos pelo mundo, que tem muita influência nos meios corruptos árabes e que ambiciona ser presidente dessa nova Palestina.

Mas para que esse plano tenha sucesso, há que se destruir o sonho palestino de construir o seu país no que restou da antiga Palestina. E para extinguir esse sonho deve-se acabar com o eixo que alimenta e fortalece o sonho. O grupo é formado por Irã, Síria, Hezbollah e a Resistência Palestina. O Iraque entra com menor peso.

No início tentou-se acabar com regime sírio, que seria o elo central que liga a República Islâmica do Irã às resistências libanesa (Hezbollah) e palestina (Hamas, Frente Popular da Palestina, Jihad al Islami, etc.). Não deu certo. O exército permaneceu coeso e com o apoio da maioria da população da Síria Bashar al Assad permanece no poder e é considerado um herói pela vasta maioria dos árabes.

Então, Israel, Estados Unidos e os árabes do petróleo decidiram acionar o plano B. Esse plano seria atacar a fonte, ou seja, a República Islâmica do Irã. A ideia básica é desestabilizar o regime iraniano. Foi por isso que Trump decidiu cair fora do acordo nuclear. Criou um enorme problema para seus aliados europeus que não querem deixar o acordo porque lhes é benéfico.

A ideia central do plano B é instituir várias sanções ao Irã, de forma que não possam negociar com a maioria dos países do mundo. Com isso empobreceram o país e gerariam insatisfação popular, criando a possibilidade de derrubada do governo. É claro que vai haver um que outro opositor radicado no Ocidente e financiado pelos árabes do petróleo que vai querer tirar proveito disso. São doze as condições impostas pelos Estados Unidos, com as bênçãos de Israel. As mais importantes, são a destruição das usinas nucleares, deixar de fabricar e fornecer mísseis balísticos, tirar suas forças e as forças do Hezbollah do território sírio, não mais fornecer armas à resistência palestina e ao Hezbollah.

Mas acho que a possibilidade de o Irã ceder muito remota. Os europeus e os russos estão brigando para que os Estados Unidos voltem atrás na sua decisão. Na Europa e na Rússia existem políticos experimentados, macacos velhos que não põem a mão na cumbuca, Eles sabem que se os Estados Unidos e Israel cometerem a insensatez de atacar o Irã poderão criar um conflito de proporções mundiais. E quando o povo americano ver, pela televisão, os cadáveres de seus soldados voltando ao país em caixões cobertos com a bandeira americana, certamente não vão reeleger Donald Trump.

Quanto aos israelenses, estarão escondidos em seus bunkers, estarão rezando fervorosamente para que a chuva de foguetes sobre suas cabeças acabe e que possam pegar Netaniahu e chupar seu sangue.

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ABU IVANKA, A MEDIÇÃO DE PULSO ENTRE ISRAEL E SÍRIA E OUTRAS QUESTÕES

ABU IVANKA, A MEDIÇÃO DE PULSO ENTRE ISRAEL E SÍRIA E OUTRAS QUESTÕES

 

Êpa! Quem é Abu Ivanka?

É costume milenar entre os árabes a conceder o título honorífico e respeitoso de Abu àqueles que têm o primogênito. Abu, quer dizer pai de. Por exemplo, se o nome do cara é Abdalla e ele ganha o seu primeiro filho do sexo masculino e chama-o de Hashem, Ele passa a ser chamado orgulhosamente de Abu Hashem. Se o nome dele é Ali e chama o seu primogênito de Yasser, ele passa a ser chamado de Abu Yasser. Se o nome dele é Jamil e tem o seu primogênito com o nome de Sáleh, ele se se enche de orgulho e gosta de ser chamado de Abu Sáleh.  O nome do cara é Boutros, (nome cristão) mas ganha o primogênito e dá-lhe o nome de Elias, ele quer ser chamado de Abu Elias. É uma honra ser chamado de Abu Fulano, Abu Sicrano ou Abu Beltrano.

O Profeta Mohamed, por exemplo, (com Ele esteja a paz de Deus), antes de receber a missão de difundir a Palavra Divina, até os quarenta anos, era chamado de Abu El-Qassem, visto que o primeiro filho dele com Khadija chamava-se Qassem. Aos poucos, porém, à medida que Ele divulgava o Islã, outro título, infinitamente mais honorífico, sobrepujou o Abu. Foi o título de Mensageiro de Deus.

No meu caso, por exemplo, não tive filhos homens. Fui abençoado com duas meninas maravilhosas e a mais velha chama-se Karime. Alguns parentes da Síria e do Líbano e amigos árabes do Brasil me chamam de Abu Karime. Eu encho o peito de orgulho. Adoro ser chamado de Abu Karime. Mas não é muito comum receber o título de Abu quando só se tem filhas. Entram outros fatores na jogada. Outros títulos e predicados que o cara possa ter. No meu caso, sou um “estáz” – um professor (aplica-se também a intelectuais, escritores e jornalistas e portadores de mestrado) Portanto, os árabes enchem a minha bola quando me chamam de Estáz Abu Karime, embora eu saiba que não faço jus a tanto.

Mas voltemos ao Abu Ivanka. Quem é Abu Ivanka, afinal? Ele tem três filhos do sexo masculino: Donald Jr. e Eric da primeira mulher Ivana, e Baron, filho dele com a bela e charmosa Melania. Com Ivana ele também teve a loiríssima e sensual Ivanka. Mas por que esses árabes zombeteiros não chamaram ele de Abu Donald Jr., ou Abu Eric ou até Abu Baron? Por quê Abu Ivanka?

Ah, acontece que a charmosa Ivanka teve um papel preponderante na sedução dos sauditas para que o pai dela arrancasse 500 bilhões de dólares em armamentos dos árabes do Golfo. Os beduínos ficaram enfeitiçados pelos 1,80 metros de altura e por sua esbelteza de 64 quilos. Ah, e aquele olhar sexy de quem diz, “venha!”! E aqueles cabelos dourados ondeados a lhe cair nos ombros e no colo exuberante! E aquela inesquecível subida nas escadas do Air Force One, de braços dados com o marido, Jared Koshner! Uma subida lenta, provocativa, movendo seus glúteos em ritmo sincronizado, para a direita e para a esquerda, conforme ascendia a escada do avião! Ah, os beduínos da Arábia Saudita endoidaram de vez! Daí que os árabes de todos os países resolveram apelidar o pai dela, chistosamente, de Abu Ivanka

Pois bem Abu Ivanka tem tomado decisões que irritam os árabes fora do eixo Arábia-Saudita-Emirados Árabes-Bahrein-Qatar. Declarou Jerusalém a capital legítima e indivisível de Israel, pretende mudar a embaixada de seu país para Jerusalém dia 15, depois de amanhã, está trabalhando arduamente com esses países do Golfo e mais Israel para dar uma solução final aos palestinos.

A coisa é mais ou menos assim: ou os palestinos aceitam o que vai lhes ser proposto ou que se danem. A solução final é eles não mais reivindicarem a Margem Ocidental do Jordão como parte da Palestina e Jerusalém Oriental como capital do Estado Palestino.  Tudo isso deverá pertencer definitivamente a Israel. Os palestinos poderão formar um país na Faixa de Gaza – mais ou menos 320 km2 – e um pedaço da Península do Sinai de igual tamanho, que será comprado ao Egito. Contando com os palestinos que estão na diáspora, teremos aproximadamente 10 milhões de pessoas vivendo num naco de terra de menos do que a metade da extensão territorial de Caxias do Sul! Sendo que a parte do Sinai é majoritariamente desértica.

Mas Abu Ivanka continua com a sua obra. Colocou uma base militar no leste da Síria. Diz ele que é para combater o terrorismo. Que nada! Na verdade, é para proteger Israel. Aliás, ele andou ajudando os terroristas naquela área, tirando os líderes desses grupos e salvando-os com seus helicópteros, na hora que o exército sírio avançava. E para impedir o avanço do exército sírio, Abu Ivanka mandava seus F-16 bombardear as tropas sírias.

No dia 8 deste mês de maio, para satisfazer Israel, Abu Ivanka caiu fora do acordo nuclear assinado com o Irã e com outros cinco países. Criou com isso mais tensão, botou mais gasolina no fogo e deu luz verde à entidade hebraica para atacar a Síria. Só que a Síria já estava por aqui com os bombardeios constantes dos sionistas contra alguns de seus postos militares, ajudando dessa forma os terroristas que eles apoiavam. Portanto, a Síria resolveu atacar em represália. Efetuou vários golpes com misseis precisos em bases israelenses posicionadas no Golan ocupado. Como se esperava, houve a resposta israelense. A resposta também foi com foguetes. Mais do que a metade foi destruída pela defesa antiaérea da Síria. E os que atingiram o solo sírio, caíram em cima de armazéns e prédios vazios previamente abandonados.

O que aconteceu, foi uma medição de pulso entre a entidade sionista e a Síria. Por exemplo, Israel descobriu que o espaço aéreo da Síria não é mais um lugar de passeio para seus aviões de combate. Descobriu também que, se a Síria pode atacar Golan, pode perfeitamente atacar o âmago da Palestina ocupada. Pode chegar a Tel Aviv, Haifa, Acco e até Neguev, onde tem a estação nuclear dos sionistas, chamada Dimona.

E os líderes do estado sionista têm discutido esse problema com grande preocupação. Eles sabem que Abu Ivanka só vai ajudá-los se a situação estiver mesmo a perigo, se Israel estiver na iminência de desaparecer como país.  E sabem que se os foguetes da Síria não são suficientes, tem os do Hezbollah e os do Irã. Ai, ai, esses dois nomes causam pesadelos aos sionistas.

Depois dessa medição de pulso, vamos ver como as coisas se desenvolvem. Vamos ver quais serão os próximos passos de Abu Ivanka. Sabemos que no dia 15 ele vai mudar a sua embaixada para Jerusalém. Os palestinos de Gaza estão prometendo uma resposta adequada, inclusive com uma invasão de um milhão de refugiados ao território que um dia foi deles.

Será que Abu Ivanka vai permitir que Israel bombardeie a todos, causando uma gigantesca carnificina? Eu não duvido.

 

 

ISRAEL TOCA OS TAMBORES DE GUERRA – E já tem data marcada

ISRAEL TOCA OS TAMBORES DE GUERRA – E já tem data marcada.

 

Daqui a poucos dias, precisamente dia 12 de maio, os Estados Unidos vão sair do acordo nuclear assinado juntamente com os europeus e o Irã. Isso significa que não mais reconhecerão que a República Islâmica do Irã tem suas usinas nucleares para fins pacíficos.  Em tese, a qualquer momento poderão atacar o Irã, apesar da contrariedade dos europeus.

Mas eles não cometerão tal tolice. Isso fica por conta de Israel, já que há poucos dias, Benjamin Netaniahu, o primeiro ministro da entidade sionista, apresentou para o mundo alguns documentos que eles dizem ter roubado dos arquivos iranianos, onde constata-se que a República Islâmica está ainda trabalhando no seu projeto de possuir armas atômicas. O Irã nega essa afirmação veementemente. Foi uma autêntica apresentação teatral por parte de Netaniahu, cujo objetivo era arrastar os americanos para uma guerra contra o Irã.

Trump, entretanto, respondeu que esse problema era deles, israelenses, e os iranianos. E se eles quiserem atacar o Irã, que o façam. Obviamente, no frigir dos ovos, os Estados Unidos não iriam deixar sua menina dos olhos brigar sozinha contra o Irã. De alguma forma iriam ajudar. Eles, os americanos, sabem, e Israel também, que seria um confronto de grande risco. O resultado final poderá ser o desaparecimento do Estado judeu.

Mesmo assim não será uma tarefa fácil para o eixo do mal composto por Estados Unidos, Israel e os países do Golfo Persa (Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos e Bahrein – acho que o Qatar cairia fora da aliança nefasta). Por que não será fácil? Porque do outro lado temos a Rússia, que talvez não entre no conflito diretamente, mas estará ajudando seus aliados, o Irã, a Síria, o Hezbollah – que causou uma retumbante derrota a Israel em 2006. E não esqueçamos da heroica resistência palestina em Gaza.

A Síria, apesar do conflito contra as forças terroristas, está mais forte agora do que antes da guerra. Foram-lhe fornecidos pelos russos modernos armamentos para todo o tipo de guerra. O Hezbollah está muito mais forte com mais de duzentos mil misseis de alta precisão que poderão atingir todo o território palestino ocupado por Israel. A Resistência Palestina de Gaza já andou treinando uma invasão ao território israelense. Morreram algumas dezenas deles. Mas isso faz parte da resistência. Eles estão lá, na linha divisória que separa Israel de Gaza (que eu conheço muito bem). Por que estão lá?   Porque no dia 15 de maio, quando se rememora a “Nakba”, a catástrofe, a fundação de Israel e o êxodo total dos palestinos, eles haverão de invadir a terra que um dia antes de 1948, lhes pertenceu.

Quanto ao Irã, bem, o Irã é uma respeitável força bélica do Oriente Médio. Segundo os próprios analistas sionistas, é a única que pode destruir Israel.

Vamos aguardar os próximos dias. Vamos ver se Israel se atreverá a continuar tocando os tambores de guerra e, num momento de idiotice total, iniciar um ataque ao Irã, causando um conflito de proporções mundiais.

NOTÍCIAS QUE A IMPRENSA OCIDENTAL NÃO PUBLICA E A FESTA DE SAPATOS ATIRADOS NAS CARAS DOS REIS E EMIRES DO GOLFO.

NOTÍCIAS QUE A IMPRENSA OCIDENTAL NÃO PUBLICA
E A FESTA DE SAPATOS ATIRADOS NAS CARAS DOS REIS E EMIRES DO GOLFO.
 
No sábado passado, dia 21 de abril, alguns opositores ao governo saudita, tentaram um golpe para destituir o príncipe herdeiro, Mohammad bin Salman, que governa “de facto” a Arábia Saudita.
O interessante é que o grupo de opositores é composto, majoritariamente, por membros do clã dos Saud. Ou seja, primos e tios. Muitos deles tinham sido detidos em prisão domiciliar sob acusação de corrupção. Acusações essas, verdadeiras ou não, permitiram que o príncipe herdeiro Muhammad bin Salman extorquisse bilhões de dólares de seus bilionários parentes. Ele precisava fazer isso. Não porque quisesse combater a corrupção, pois toda a família dos Saúd é corrupta, inclusive ele e seu pai, Salman, o rei de mentira. Mas precisava fazer isso para recuperar, um pouco, o dinheiro que ele, o príncipe herdeiro, limpou dos cofres sauditas. Não esqueçamos que Muhammad bin Salman comprou quinhentos bilhões de dólares de armamentos dos Estados Unidos, durante uma visita de Trump ao regime saudita. Para os amigos terem uma ideia do volume desse valor, ele equivale a mais de duas vezes as exportações brasileiras em 2017.
Além disso, Muhammad bin Salman comprou um iate super luxuoso por quatrocentos e cinquenta milhões de dólares, comprou um quadro e pagou por ele trezentos e cinquenta milhões de dólares, sendo que o valor real desse quadro é menos de 10% o valor da compra. Portanto, ele precisava extorquir dos parentes biliardários para manter o país funcionando. Dizem fontes da oposição que só do homem de negócios Walid bin Talal, um dos homens mais ricos – senão o mais rico – do mundo, ele conseguiu arrancar dez bilhões de dólares.
Portanto, é muito natural que esses parentes que foram detidos em prisão domiciliar tenham sede de vingança e queiram derrubar o rei Salman e seu filho Muhammad. Por outro lado, convém enfatizar que o povo saudita está muito mais pobre e o índice de desemprego atinge um nível nunca antes visto no reino. Acreditem ou não, há sauditas revirando latas de lixo para comer. Há tribos no interior que não têm água para beber. Grande parte do povo saudita está revoltado com as guerras que o governo financia e participa. Exemplos: Iraque, Síria, Iêmen, Líbia, Somália, etc..
Portanto, é de se esperar uma revolta popular liderada por alguns membros da clã saudita (talvez o príncipe e homem de negócios Walid bin Talal).
Mas – agora vem a parte engraçada – um gigantesco grupo de árabes americanos querem que essa revolta seja adiada por umas duas semanas, pelo menos. Já explico.
Como vocês sabem, a imigração árabe aos Estados Unidos é dez vezes, ou mais, mais intensa do que a imigração árabe ao Brasil. Lá eles têm comunidades de sírios, libaneses, palestinos, iemenitas, iraquianos, egípcios, marroquinos, sudaneses, etc. e cada uma dessas comunidades tem centenas de milhares de membros. E esses milhões de árabes americanos têm violentas queixas contra os países do Golfo – Arábia Saudita, Emirados Árabes, Bahrein e Catar – e estão planejando uma demonstração contra esses países, bem à frente da sala oval da Casa branca, onde trabalha o presidente Trump. Os planejadores da demonstração esperam uma participação de aproximadamente vinte mil árabes e seus descendentes das mais variadas origens. A demonstração deverá ocorrer no dia 12 de maio, deste ano, das onze da manhã até às 17 horas. Serão seis horas de insultos, protestos, de sapatos velhos atirados nos enormes cartazes com as fotos desses reis e emires do Golfo. Vai ser um festival e tanto.
Por isso que esses “Arab Americans” querem que a derrubada de bin Salman e outros seja adiada até depois das 17h, do dia 12 de maio, para que eles possam ter o prazer de xingar, cuspir e atirar sapatos nas caras desses governantes. Se os caras forem derrubados antes, a festa perde a graça.

O “ATAQUE QUÍMICO” NA SÍRIA E A TRÍPLICE AGRESSÃO

O “ATAQUE QUÍMICO” NA SÍRIA E A TRÍPLICE AGRESSÃO

 

Imaginemos a seguinte situação futebolística: o time A está vencendo de goleada o time B. Digamos, de 6 a 0. Faltam cinco minutos para terminar a partida. De repente, sem mais nem menos, sem nenhuma justificativa lógica, o goleiro do time A vencedor, atravessa todo o campo e dá um soco no goleiro do time B, pondo-o a nocaute.

Existe lógica para isso? Precisava o goleiro do time A, que estava vencendo a partida por uma goleada histórica e, já nos minutos finais do jogo, agredir o goleiro do time B? Claro que não há lógica numa atitude dessas. Tampouco é plausível de acontecer.

Vamos aplicar a mesma lógica na guerra do governo sírio contra o terrorismo patrocinado por Israel, Estados Unidos, os árabes do Golfo Pérsico (Arábia Saudita, Emirados Árabes, Catar e Bahrein) e Turquia. A Síria está vencendo sua guerra contra esses grupos armados, Já tinha reconquistado noventa por cento da região de Ghuta Oriental. Já estava retirando os civis da cidade de Duma, o último bastião dos terroristas. Milhares desses terroristas estavam se rendendo ao governo sírio e sendo levados, em ônibus, a Idlib. A bandeira nacional da Síria já estava sendo hasteada em todos os prédios governamentais de Duma. Mas, não mais do que de repente, no finalzinho do jogo, o governo sírio, que estava dando de goleada nos terroristas, resolve atacar a população civil com armas químicas. Faz sentido isso? Dá para acreditar numa balela dessas?

Agora, vejamos as primeiras fotos distribuídas pelas agências de notícias. Aparecem crianças e mulheres deitadas no chão, algumas aparentando estarem em convulsão, outras sendo lavadas com mangueiras de água. O interessante é que não aparece nenhum homem morto nesse ataque. Será que as bombas químicas da Síria eram inteligentes e procuravam somente as mulheres e as crianças? Outro aspecto dessas fotos: nenhum dos que estavam ali para “salvar” as “vítimas” usavam máscaras que são necessárias para proteção contra o contágio químico.

Com todos esses questionamentos postos na balança, só há uma conclusão: o tal de ataque químico foi uma grande mentira forjada para que os Estados Unidos, Inglaterra e França, atacassem a Síria. Aliás, esse artifício já estava sendo previsto pelos sírios, pelos russos e pela maioria dos analistas do mundo árabe. Só não se sabia quando ia acontecer.

Toda vez que o exército sírio alcança uma grande vitória contra os terroristas, ou está para acontecer uma reunião do conselho de segurança da ONU sobre a questão síria, surge, como se fosse a reprodução de uma cena hollywoodiana, um “ataque de gás sarin por parte do governo sírio”

Esse último foi mais uma encenação para provocar a tríplice agressão à Síria. Os Estados Unidos, mais uma vez, convocaram a Inglaterra e a França para participarem. E os cãezinhos atenderam ao chamado. A Alemanha tinha sido chamada também. Mas a chanceler Merkel se negou, sabiamente, a participar dessa farsa.

O ataque saiu de uma base americana no Catar. Portanto, o Catar é cumplice na agressão e será severamente julgado pela História e pelo povo árabe.

Não preciso dizer a razão que move os Estados Unidos e outros países ocidentais a bombardearem a Síria. Quem já leu os meus escritos anteriores nesse mesmo blog, “O fator Síria” e “O fator Síria II” sabe que a razão são os belos olhos azuis de Israel.

Mas o meu amigo poderá perguntar: se o motivo é derrubar o presidente Assad, por que a Tríplice Agressão não foi adiante e invadiu Damasco e prendeu ou matou o popular presidente? Ora, simplesmente porque avaliaram que as consequências seriam terríveis. Em primeiro lugar, porque transformariam Bashar Al Assad num mártir para o mundo árabe inteiro e haveria uma guerra de guerrilha contra as forças invasoras. Segundo, porque do outro lado tem também uma superpotência chamada Russia, cujos foguetes alcançam Washington e vão além. Terceiro, porque do outro lado tem uma potência regional, a República Islâmica do Irã, cujos foguetes atingiriam Tel Aviv com facilidade, e atingiriam as capitais dos três países árabes do Golfo, que patrocinaram o terrorismo. Por fim, o quarto motivo, é que existe uma força chamada Hezbollah, que está colada em Israel e seus foguetes podem atingir as usinas nucleares de Dimona lá no deserto de Neguev e também os depósitos de Amônia em Haifa.

Já que eu usei o sentido figurativo comparativo para escrever esse texto, vou terminar da mesma forma. Digamos que o eixo Rússia-Síria-Irã-Iraque-Hezbollah está segurando, com mãos de ferro, o saco escrotal do outro eixo, composto por Israel, Estados Unidos, Árabes do Golfo, Inglaterra, França e Turquia. Qualquer movimento em falso, aperta-se o saco escrotal.

 

 

 

Os árabes ultra sionistas ou as putas de Meca

Os árabes ultra sionistas ou

as putas de Meca

 

Calma! Peço aos meus irmãos muçulmanos, especialmente aos sunitas, muita calma!

O mundo ocidental, em particular os Estados Unidos, vibraram com a ascensão ao poder, na Arábia Saudita, do príncipe Mohammad bin Salman. Um jovem de 32 anos, com ideias inovadoras e revolucionárias, que alegava trazer a Arábia Saudita do wahabismo retrógrado para o século XXI. Foi aplaudido efusivamente pelo Ocidente e por Israel.

Qual foi a primeira transformação dele? Concedeu às mulheres o direito de dirigir apesar da virulenta oposição dos clérigos sunitas wahabitas. E ficou só nisso no que tange aos direitos do cidadão. Não há registro de qualquer outro avanço nesse campo.

Recentemente, Mohammad bin Salman gastou um bilhão e meio de dólares em extravagâncias. Comprou um iate por quinhentos milhões de dólares, uma tela de Leonardo da Vinci que custou quatrocentos e oitenta milhões de dólares, que ele vai pendurar na cozinha da mãe, Fátima, e um palácio na França, que pertenceu a um dos Louis e que custou outros quinhentos milhões de dólares. Ato contínuo, mandou prender todos os bilionários sauditas, inclusive alguns parentes seus, e buscou a organização “Black Water”, especializada em torturas e que foi muito usada no Iraque. Sob tortura, arrancou vários bilhões de dólares desses biliardários homens de negócios para soltá-los.

O pai de Mohammad bin Salman é o rei Salman bin Abdel Aziz Äl Saúd. Aos oitenta e três anos, é uma figura decorativa. Nomeou o seu filho Mohammad como príncipe herdeiro, que assumiu o poder de fato. Seu primeiro ato foi deter, em prisão domiciliar, todos os outros príncipes que poderiam ameaçar a sua posição. Em seguida, juntamente com Jared Kushner, judeu sionista e genro e conselheiro de Donald Trump, costurou a maior transação de armas da história da humanidade. Meio trilhão de dólares – quinhentos bilhões. Para vocês terem uma ideia do volume de dinheiro, essa transação equivale a quase quinhentas vezes o total de exportação de calçados brasileiros no ano de 2017.

Para quê esse gigantesco arsenal?

Para guerrear contra o Irã, ora.

Mas por que o Irã que também é um país muçulmano?

Para proteger Israel que é inimigo mortal da República Islâmica do Irã. O Irã ajuda a Síria, o Hezbollah no Líbano e a resistência palestina em gaza. Portanto, a ideia de Israel, Estados Unidos, Arábia Saudita, Emirados Árabes, Bahrein é eliminar a fonte que alimenta a resistência contra Israel, que é o Irã.

Mas por que esses reinos e principados árabes do Golfo se posicionariam a favor de Israel contra a vontade da maioria esmagadora dos povos árabes? Contra a criação do Estado da Palestina, que é o sonho de todos os palestinos e árabes em geral?

Simplesmente porque eles sabem que o dia em que a Palestina for recuperada será a vez deles caírem. São reinos podres, corruptos, com reis e príncipes viciados em drogas e com vergonhosos desvios sexuais. A onda de libertação da Palestina seria avassaladora e atingiria o Golfo e derrubaria reinos e principados. Por isso a aliança deles com Israel. Eles são mais sionistas que os próprios judeus sionistas.

Falando em desvios sexuais, vem à tona mais uma “obra” de Mohammad bin Salman, o príncipe herdeiro saudita.

Realmente, ele decidiu dar um giro de cento e oitenta graus nos costumes da medieval Arábia Saudita, seguidora do islamismo sunita-wahabita, a mais retrógrada seita do Islã. Mas não foi um giro positivo. Foi um giro direcionado à libertinagem sexual. Com o discurso de “modernizar” o reino, ele decidiu concorrer com Dubai, dos Emirados Árabes. Pretende transformar todo o litoral do mar vermelho em um gigantesco parque de diversões para adultos, com hotéis, bares, cassinos, cabarés e puteiros de todas as categorias, para turistas ricaços e até turistas mochileiros.

Como consequência disso, a Cidade Santa, a Nobre Meca, para onde todos os muçulmanos se dirigem ao fazer suas orações, está sendo invadida por putas de todos os cantos e cabarés estão sendo instalados não muito distantes da Caaba Sagrada. Não sou eu quem diz isso.  Quem afirma isso é um sujeito que se diz jornalista e que trabalha como mercenário para quem paga mais. O nome desse crápula é Youssef Alauna. Agora, esse pulha está defendendo os interesses dos Emirados Árabes e da Arábia Saudita. Ele mete o pau no Irã e se auto intitula “Assad  al Sunna”, ou seja. O “leão dos sunitas”.  Xinga, sem pejo, os muçulmanos xiitas, o Hezbollah, o Irã, o governo da Síria e diz que os sunitas vão esmagar as cabeças de todos os xiitas. Exatamente esse ‘leão dos sunitas´’ é quem diz que Meca está cheia de puteiros. Ele afirmou que as meninas sobem os elevadores dos hotéis, batem nas portas dos apartamentos e oferecem seus serviços aos hóspedes peregrinos. O próprio homem deles diz isso. O que cabe a mim dizer?

Pois eu sou muçulmano xiita. Sempre tive vontade de fazer a peregrinação à Meca e me tornar um Hajj. Infelizmente, vejo que a Pura Meca, a Sagrada Mãe de Todas as Cidades (Umm al Qura, em árabe), está sendo profanada, está sendo desvirtuada e desvirginada pelas mãos de Mohammad bin Salman. Antes dele, seus bisavôs, seguindo o retrógrado dogma wahabita, destruíram os túmulos e santuários da família do Profeta, dizendo que isso era “shirk”- politeísmo. Agora ele, o jovem “reformador”, conspurca a Cidade Santa.

Está havendo um movimento, ainda embrionário, de alguns países muçulmanos para formar um comitê, composto de todas as correntes muçulmanas, para tirar Meca das mãos sujas dos Sauditas. Esse comitê constituído por sábios muçulmanos de muitos países, inclusive os xiitas, administrariam a Cidade Sagrada e gerenciariam a questão da peregrinação.

Há também uma corrente que defende a retomada de Meca e Medina pelos Hachemitas, que seriam os verdadeiros governantes do Hijaz, a região onde as duas cidades santas estão localizadas. Os Hachemitas são a tribo do Rei Abdala da Jordânia, cujo bisavô, Hussein bin Ali, foi expulso de Meca pelos Sauditas, ladrões e assaltantes de caravanas.

Enquanto nenhuma dessas duas possibilidades acontece, vou postergando minha peregrinação à Meca. Não quero fazer a peregrinação que deveria expurgar os meus pecados e, de repente, ter uma puta batendo à porta do meu apartamento no hotel.

 

 

 

LIGAÇÃO DE TEL AVIV PARA WASHINGTON

Gilberto Feres Abrão
22 de janeiro ·
LIGAÇÃO DE TEL AVIV A WASHINGTON

Toca o telefone privativo na antessala da Casa Branca. Atende Jared Kushner, genro e conselheiro de Donald Trump. Mr. Kushner tem dupla nacionalidade. É americano de nascimento e israelense-sionista de coração e mente.
Jared Kushner pega o telefone:
“Hello! Jared Kushner speaking!”
Ele ouve a voz grave do outro lado cumprimentando em hebraico:
“Shalom, Jared!”
“Oh Shalom, Sr. Primeiro Ministro! ” – Jared responde em hebraico.
O diálogo continua:
“Como vai você, Jared? E como vai Ivanka?”
“Estamos bem, obrigado, Sr. Primeiro Ministro! A propósito, Ivanka e eu agradecemos pela maravilhosa recepção que o senhor e a sua esposa, a senhora Sara, nos proporcionaram na última visita! ”
Netanyahu riu do outro lado:
“Vocês merecem! Especialmente pelo excelente trabalho que você fez na Arábia Saudita!”
Netanyahu referia-se ao multibilionário contrato que o sogro de Jared, Donald Trump, conseguira arrancar dos sauditas. Quase quinhentos bilhões de dólares em armamentos. Para quê? Para combater o Irã, ora. O primeiro ministro de Israel estava eufórico.
“Agora aqueles beduínos da Arábia Saudita, Emirados Árabes, Bahrein e Catar ficarão quase tão fortes quanto nós! … E vamos acabar com os nossos inimigos comuns! O Irã, a Síria, o Hezbollah e o Hamas! ”
Jared não conseguia esconder o seu orgulho:
“Obrigado, Sr, Primeiro Ministro”
Do outro lado, Netanyahu silenciou-se como se estivesse pensando no que dizer:
“Devemos à Ivanka pelo menos cinquenta por cento do sucesso do plano! Ela encantou aqueles ratos do deserto, aqueles assaltantes de caravanas. ”
Netanyahu falava como profundo conhecedor da alma e da história da família real saudita e dos demais países do Golfo. Continuou:
“ Eu acompanhei pela televisão o retorno de vocês de Riadh. Eu me mijei de rir ao ver os olhos esbugalhados, ávidos, dos beduínos que observavam o subir lento de Ivanka as escadas do Air Force One. A câmera de televisão dava um close no traseiro de Ivanka e outro nos olhares dos árabes. E ela subia devagarzinho as escadas do avião, mexendo a bunda pra lá e pra cá!”
Netanyahu gargalhou por um tempo. Por fim, recompôs-se:
“Aquele “mise en scène” foi invenção sua, Jared?
“Não, senhor Primeiro Ministro! Ivanka é assim mesmo! Ela adora ser sensual e provocante!”
Mais um risinho de velhaco de Netanyahu e continuou:
“Teve um emir lá da família Saud que ia pedir ao Rei Selman para interferir junto ao Trump e pedir a mão de Ivanka para si!” – Netanyahu riu de novo. “Teve outro que estava construindo uma mesquita e iria chama-la de ‘Mesquita Senhora Ivanka’ – mais uma gargalhada. “Teve outro que fez a peregrinação à Meca em nome da Ivanka, para que Deus perdoasse os pecados dela!” – Dessa vez riu até doer-lhe a barriga.
Jared ouvia um tanto constrangido. Achou que devia terminar a conversa:
“O senhor quer conversar com o meu sogro?”
“Sim, sim! Me passe ele!”
“Um momento!”
Jared abriu a porta da sala do presidente e anunciou:
“Netanyahu quer falar consigo, senhor presidente!”
“Oh, God! O que será que ele quer agora?”
Trump pegou o telefone, mas antes de dizer alguma coisa, tapou o bocal :
“Jared! Pare com essa frescura de ‘senhor presidente’! Nós somos família, remember? Me chame de Don, como meus amigos íntimos me chamam!”
Jared balançou a cabeça e ia sair. Mas Trump ordenou-lhe que ficasse. Acionou o viva voz para que o genro participasse.
“Bom dia, Ben! Como Vai?”
“Bom dia para você, Don! Aqui já é tarde!” Netanyahu pensou: “Que cara ignorante! Ainda bem que ele tem o Jared ao lado dele.”
Trump achou aquela observação de Netanyahu um tanto rude . Pensou: “Eu não sou ignorante, seu merda! Eu sei que aí já é tarde”. Mas o interlocutor era o primeiro ministro de Israel e detinha o domínio de oitenta por cento do congresso americano. Portanto, não convinha manifestar seu desagrado:
“Em que posso servi-lo, meu querido amigo?” – Trump colocou o máximo de gentileza na voz.
“Olha, Don, estou muito satisfeito com as vendas de armas aos nossos aliados, os sauditas! Mas a realidade da Síria me preocupa! Os sírios, junto com os iranianos e o Hezbollah estão aniquilando nossos aliados, o Daesh e a Al-Nusra, e já estão batendo às portas de nossas fronteiras norte e nordeste. Quer dizer, aquela ideia inicial de formar um cinturão defensivo com os fanáticos pagos pela Arábia Saudita não funcionou. Golan está ameaçada!”
Trump grunhiu.
“Vou pensar numa solução, Ben! Te dou a resposta em dois dias!”
Jared bateu no seu peito, como quem diz: “deixa comigo!”
“E tem mais uma coisa, Don!” – continuou Netanyahu – “Quando é que você vai declarar Jerusalém a capital indivisível de Israel e anunciar a mudança da embaixada americana para lá?”
Jared interfere:
“Senhor Primeiro Ministro, essa declaração causaria uma nova intifada, um novo levante palestino!”
“Fodam-se os palestinos, Jared!” – vociferou Netanyahu – “Estou louco para vê-los fora de Israel!”
“Mas, Ben, o resto do mundo não apoiaria essa minha resolução! O mundo inteiro apoia os palestinos exceto alguns países sobre os quais temos total domínio!” –
“Finalmente esse idiota disse uma frase que faz sentido” – pensou Netanyahu. Mas a opinião do mundo jamais preocupou Israel:
“Foda-se o mundo inteiro também, Don! Afinal, você quer que Israel continue a proteger seus interesses no Oriente Médio ou não?”
“Não há dúvidas quanto a isso !” – respondeu Trump em tom submisso. “Deixa comigo!”
“OK, espero uma ação para breve!” – determinou Benyamin Netanyahu, primeiro ministro de Israel e controlador do congresso americano.
Sob as ordens de seu sogro, Jared começou a trabalhar. Alguns dias depois do telefonema os Americanos espalharam tropas bem equipadas na fronteira norte da Síria com o Iraque. Trump dizia que era para combater os terroristas do Isis (Daesh ou Estado Islâmico) em Raqqa e Hassaka. Na verdade, era para salvar os comandantes dessa organização terrorista que, na sua origem, fundada pelos Estados Unidos. Os terroristas estavam cada vez mais perdendo terreno para as tropas sírias. Os americanos salvaram os comandantes dos terroristas, assim como fizeram na guerra do Vietnã, salvando os donos do regime do Vietnã do Sul, tirando-os com helicópteros. Ao mesmo tempo, a função maior das tropas americanas era impedir que armamentos viessem do Irã, pelo território do Iraque, para fortalecer a capacidade bélica da Síria e do Hezbollah.
E mais alguns dias, Trump declarou Jerusalém como a capital indivisível de Israel e disse que em breve mudaria a embaixada americana para lá. O mundo todo condenou a declaração de Trump. Iniciou-se a intifada palestina. Houve manifestações pró-palestina no mundo inteiro. Mas Trump não se importava com a condenação do mundo. O negócio era proteger Israel.
“E quanto aos palestinos, Jared?” – perguntou Trump ao seu genro que lhe apresentava os planos.
“Para eles tenho um projeto já aprovado pelos sauditas e por Israel, senhor presi… Don.”
“Diga-me qual é, Jared e depois escreva tudo para mim para que eu possa ler para o Ben!”
Jared abriu um mapa sobre a mesa do presidente:
“É o seguinte, Don: Os palestinos na Cisjordânia ficariam nos cantões onde estão, formariam uma entidade associada a Israel, somente com força policial. Todo o relacionamento externo deles seria através de Israel. Em outras palavras, não teriam exército e nem representação no exterior. Israel cuidaria da segurança. Eles teriam uma capital. Seria Abu Diss, aquele vilarejo perto de Jerusalém. Teriam uma passagem, um corredor, sob o controle de Israel, de Gaza até a Margem Ocidental. A fronteira com a Jordânia seria controlada por Israel e por colonos judeus que estão assentados naquela área. Ah, sim, generosamente Israel cederia um pequeno espaço no aeroporto de Lod para entrada e saída de palestinos e suas mercadorias. Também teriam um pequeno espaço no porto marítimo de Ashdod para os palestinos embarcarem e receberem mercadorias do exterior. Os israelenses controlariam tudo, naturalmente!”
“Ótimo! Ótimo!” – Trump esfregava as mãos. – “E quanto ao problema dos tais refugiados palestinos?”
“Aí é que está a cereja do bolo, Don! A Arábia Saudita compraria do Egito um naco do Sinai, equivalente à Faixa de Gaza ou um pouco mais. Esse pedaço de terra seria conectado à Gaza e formaria o território dos palestinos refugiados!”
“Mas, Jared, aquilo é um deserto!”
Jared riu:
“Não se preocupe, Don! Os Sauditas injetariam tanto dinheiro naquele deserto que se transformaria num gigantesco parque de diversões para adultos. Com água dessalinizada, luxuosos shopping centers, cassinos, cabarés e puteiros para todos os níveis, para a felicidade de todos os reis e príncipes dos países do Golfo. Gaza passaria a ser uma grande Las Vegas para eles, entupida de putas de todo o mundo”
Trump e Jared riram.
“Mas será que o Egito topa vender um pedaço do Sinai? – perguntou Trump ansioso
“ Claro! O Egito está faminto! Receberia dez bilhões de dólares por ano, durante dez anos.”
“E Israel? E os sauditas? “
“Todos toparam. Acharam o plano maravilhoso! Assim, acabaríamos com a reclamação dos palestinos e reinaria a paz no Oriente Médio”
“Os palestinos toparam?”
“Não, Don! Uns querem a Palestina do Rio ao Mar, como dizem, laica, com toda Jerusalém integral como capital. Outros, a turma de Mahmud Abbas, quer uma Palestina nas fronteiras de 1967 e Jerusalém Oriental como capital.”
“Então, como faremos?” – Trump mostrou leves sinais de preocupação.
“Ora, se eles não toparem, tiramos o Mahmud Abbas de presidência dessa tal de Autoridade Palestina e colocamos um dos nossos, O Mohamad Dahlan, que está louco para assumir e ganhar mais dinheiro”
“Ora, que se fodam os palestinos! Vamos ligar para o Ben!”
“Já liguei para ele, Don!”
“OK, Jared, você sempre se antecipando! Vamos tomar um whisky e celebrar!”

A PROPÓSITO DO ATENTADO EM NICE

 

                                                      A PROPÓSITO DO ATENTADO EM NICE
Ghaddaffi da Líbia não representava ameaça a ninguém e nem patrocinava terrorismo. Mas só porque ele tinha ambições de se tornar um líder no Norte da África, os americanos e a OTAN o derrubaram.
Pessoalmente, nunca gostei do Saddam Hussein do Iraque pela matança que ele protagonizou contra os xiitas e os curdos. Mas tenho que reconhecer que, sob o governo dele, os iraquianos viviam harmoniosamente e o país tinha um dos melhores padrões de vida na região. Mas os americanos e todo o Ocidente declararam guerra ao Iraque, invadiram e destruíram o país e foram caçar o pobre do Saddam dentro de um buraco como se fosse uma ratazana. Acusaram o infeliz de possuir armas de destruição em massa. Não tinha nada..
A Síria era o único país do Oriente Médio que não devia pra ninguém. Tinha um dos maiores índices de escolaridade entre os países árabes. Sistema de educação e saúde invejável e uma situação econômica estável. Mas representava uma suposta ameaça a Israel, incomodava a Arábia Saudita e outros países do Golfo pela sua aliança com o Irã e o Hezbollah. Foi daí então, que os Estados Unidos, Israel, Arábia Saudita, Turquia, Qatar e outros decidiram derrubar o presidente Bashar al Assad. Não conseguiram em virtude da popularidade do homem. Mas destruíram a Síria trazendo mais de duzentos mil terroristas de todo o mundo para fazer o serviço sujo.
Israel ficou preocupado com a amizade entre o Iêmen e o Irã. Achou que talvez o Irã pudesse armar o Iêmen e esse, por sua vez, fechar a entrada do Bab el Mandeb, no Mar Vermelho, aos barcos que entravam e saíam de Israel pelo porto de Eilat. Então Israel e os Estados Unidos pediram à Arábia Saudita – que também detesta o Irã – que destruísse o Iêmen. Assim está sendo feito. Bombardeio dos sauditas e emiratenses, com logística israelense e americana, e mais de oitenta mil mercenários pagos pela Arábia Saudita e Qatar.
Pois é. A Arábia Saudita está a financiar os terroristas (entenda-se Estado Islâmico e outros) que agem no Iraque, na Síria, no Iêmen, nos Estados Unidos, na Inglaterra, na Espanha, na Bélgica, na França e no resto do mundo. São os petrodólares sauditas que financiam os terroristas e são seus clérigos wahabitas que fazem a lavagem cerebral dos adolescentes pobres do mundo muçulmano e os incitam a matar e a morrer em nome de um falso Islã.
Recentemente, um desses clérigos esteve aqui no Brasil, visitando uma das nossas favelas onde há uma pequena comunidade de . muçulmanos brasileiros. O que esteve fazendo esse cara dentro de uma favela brasileira? Fazendo turismo? Porra nenhuma. Estava arregimentando jovens para entrarem nos grupos terroristas que lutam na Síria.             Para informação dos meus amigos, até 2013 já tinham morrido 40 brasileiros na Síria, combatendo nas fileiras do Estado Islâmico, e outros tantos tinham desaparecido.
Não adianta os Estados Unidos, a França, ou seja lá quem for querer combater os terroristas na Síria ou no Iraque. Estariam combatendo o efeito e não a causa, a origem do problema, a fonte do mal. Se os ocidentais matarem cem mil terroristas na Síria e no Iraque, com seus poderosos bombardeiros, amanhã a Arábia Saudita colocará outros cem mil com os seus dólares e com o seu Islã wahabita. Toda mesquita no mundo, inclusive aqui no Brasil, que foi construída com dinheiro saudita e cujo imã (chefe religioso) foi formado lá no reino do mal, é uma chocadeira de terroristas em potencial.
Portanto, se o mundo quiser acabar com o terrorismo, deve, isso sim, combater o mal na sua origem. Tem que se matar o dragão na sua caverna. Há que se destituir o regime saudita e acabar com o wahabismo que conspurca o islã.

O ESTOPIM QUE FALTAVA

O ESTOPIM QUE FALTAVA

O que estava sendo feito às escondidas, agora é feito às escancaras. A Arábia Saudita não mais esconde o seu relacionamento amistoso com Israel. Encontros entre as altas cúpulas dos dois regimes estão sendo fotografados e publicados pela imprensa mundial. Um dos príncipes sauditas, muito conhecido no jet set internacional, declarou sem nenhum pejo, que se houver um novo ataque de Israel aos palestinos de Gaza, o regime saudita não hesitará em se posicionar a favor de Israel.
Numa análise mais aprofundada, se a Arábia Saudita está envolvida até o pescoço na Guerra da Síria, financiando e arregimentando os terroristas que para lá vão, ela está a prestar um grande benefício aos sionistas enfraquecendo o exército sírio e destruindo toda a infraestrutura do país. A síria vai precisar de mais trinta anos, com a ajuda de países amigos, para se recuperar e voltar a ser o que era antes dessa guerra multinacional contra ela.
Por outro lado, a guerra no Iêmen liderada pela Arábia Saudita, já destruiu grande parte do país e matou centenas de milhares de civis. O motivo dessa guerra não é outro senão impedir que o Iêmen faça uma aliança com o Irã e fuja do controle saudita. Os sauditas consideram o Iêmen o seu quintal. Levando-se em conta que o Irã faz parte do eixo de resistência a Israel, juntamente com a Síria, o grupo guerrilheiro libanês Hezbollah e a resistência palestina, Israel está feliz da vida com essa guerra. Aliás, há até pilotos israelenses bombardeando Sanaa, a capital iemenita. Mas por quê? Uma coisa que os sionistas certamente não desejariam seria o domínio iraniano do Bab al Mandeb, a porta de entrada ao Mar Vermelho para os navios que saem ou entram em Israel. Portanto, Israel bate palmas para as agressões e massacres sauditas no Iêmen.
Tão feliz está Israel com o desempenho da Arábia Saudita, que, para criar ainda mais cisão no mundo muçulmano, autodenominou-se o “defensor dos sunitas” (sic). Foi uma jogada de mestre, sem dúvida. Israel explorou muito bem o ódio que os sauditas têm à República Islâmica do Irã que é xiita. O regime saudita é dominado pela seita wahabitas (o ramo radical do sunismo) que é a fonte ideológica do grupo terrorista Estado Islâmico e afins, e que considera os muçulmanos xiitas como apóstatas.
Na reunião da Liga Árabe ocorrida no dia 11 de março, a Arábia Saudita induziu os membros da liga a considerarem o Hezbollah uma organização terrorista. Com exceção da Síria (não representada), Líbano, Iraque e Argélia, os demais – inclusive a representação da Autoridade Palestina – seguiram o regime saudita. Compreende-se a razão. Todos eles estão a precisar de uma graninha e, portanto, não viram nada demais em vender suas consciências por um punhado de petrodólares. Os povos desses países, entretanto, são, na sua esmagadora maioria, contra essa resolução da Liga Árabe. Os governos, portanto, não representam a vontade dos povos.
Para gáudio de Israel, agora o regime saudita está pensando seriamente em atacar o Hezbollah no sul do Líbano, fomentando milícias sunitas dentro do país. Vai fazer o serviço sujo para Israel que não conseguiu tirar a resistência muçulmana (Hezbollah) do sul do Líbano em 2006. Entretanto, muito menos se espera dos sauditas. Eles não têm a expertise de guerra que Israel tem e muito menos o equipamento bélico de última geração que o Estado Sionista possui.  Mas pelo menos, segundo os cálculos dos israelenses, os sauditas vão manter o Hezbollah ocupado e vão desgastá-lo. Os israelenses (ou seja, “os defensores dos sunitas”, como eles se autoproclamam) estão dançando de alegria.
Mas será que o Irã e o novo aliado do Hezbollah, a Rússia, ficariam de braços cruzados? Não seria esse o estopim que faltava?

CARTA AO GENERAL REFORMADO

CARTA AO GENERAL REFORMADO

 

 

Um general reformado mandou a um amigo meu, procurador da justiça, uma mensagem islamofóbica, xenófoba e com tal grau de ignorância que eu não sabia se chorava ou ria às escancaras.

Ele anexou fotos de muçulmanos fazendo protestos nas ruas de Londres e disse que eles querem mudar o sistema jurídico da Grã-Bretanha, aplicando a lei da “sharia”, a lei muçulmana. Total inverdade!

O linguajar utilizado pelo general é de uma pobreza linguística infantil e de uma virulência hitleriana. Reproduzi abaixo alguns trechos da mensagem do tal general e a minha resposta aos comentários dele. Naturalmente, lhe respondi através do meu amigo, procurador da justiça, cujo nome suprimi.

Aqui vai:

 

Estimado amigo,

 

O texto é um pouco longo, querido amigo, mas poderá servir de esclarecimentos ao tal de general reformado e a quem interessar possa.

A areia vinda do deserto do Sinai deve ter penetrado no cérebro do general, quando ele esteve na Faixa de Gaza, e de tal forma que fez com que ele não mais entendesse a língua portuguesa.

Eu disse que os caras que estão fazendo as manifestações SÃO cidadãos britânicos, isto é, britânicos de 2ª, 3ª, 4ª e até 5ª geração. Seria o mesmo que os cidadãos descendentes de alemães daqui fizessem uma manifestação dentro do Brasil, ou os cidadãos afro-brasileiros, ou os cidadãos luso-brasileiros, ou os ítalo-brasileiros, ou até mesmo os brasileiros de ascendência árabe, como eu.

Eu disse que os caras fizeram a manifestação em retaliação à ofensa que a revista Charlie Hebdo fez ao Profeta. Pode ser que a demonstração tenha sido desproporcional (será?), mas aparentemente esse tal de general reformado não entendeu o meu português. Ou não teve capacidade de entender, pois o cérebro dele está entupido com a areia do Sinai e com os cactos que ficam no caminho de Gaza até Rafah e Al-Arish, passando por Deir el-Balah e Khan Yunis.

Gostaria de enfatizar ao General reformado que os caras NÃO são Paquistaneses, Bengalis ou Africanos; são cidadãos britânicos como os brancos anglo-saxões. A única diferença é que são muçulmanos. A toda hora há manifestações na Europa e em qualquer país democrático. Seria o mesmo que que nós aqui no Brasil obrigássemos a qualquer manifestante que saia do Brasil e vá ao país de seus ancestrais se desgostássemos da manifestação dele. Nesse caso, toda vez que saíssemos para bater panelas e fazer barulho contra o governo seríamos expulsos. Daí, meu caro amigo, tu terias que voltar para a Alemanha, a minha mulher que é bisneta de Italianos, teria que voltar a Itália, o tal de general reformado teria que voltar a Portugal, os filhos do Hans e o Hans teriam que voltar à Áustria, eu voltaria à Síria dos meus pais, etc. etc. etc.

É proibido manifestar-se em um país democrático?

Parece que o tal de general também não entendeu que a população muçulmana na Grã-Bretanha é de mais de 3 milhões de pessoas. Eles têm representantes em cargos do governo, no parlamento e no judiciário. Portanto representam uma grande fatia do tecido étnico do Reino Unido e, consequentemente, têm todo o direito de se manifestar politicamente, quer gostemos ou não. Assim como o PT e os grupos de direita têm direito de se manifestar aqui – até fazendo barulho e querendo matar a Dilma e portando cartazes com palavrões.

General, os caras não querem impor a religião deles para uma maioria cristã. Mas querem ter o seu direito de exercer sua religiosidade e protestar toda vez que seus símbolos religiosos são ofendidos. Oque aconteceria se o general me visse pisando sobre um crucifixo, por exemplo? Levando-se em consideração o nível de fúria dele, certamente ele daria um tiro em mim.

Convém lembrar ao general reformado que uma democracia multirracial (Brasil, Estados Unidos, Canadá, o próprio Reino Unido, etc.) compreende um povo oriundo de várias origens e várias religiões. Ou é assim ou é uma democracia de mentira, como é caso de Israel e Arábia Saudita.

Vamos a um parágrafo interessante do tal de general:

“Seria também  bom  lembrar ao teu amigo que o  1º Ministro  da Austrália, ACABOU DE DITAR A SEGUINTE NORMA aos senhores muçulmanos : se quiserem permanecer   na Austrália, RESPEITEM  A RELIGIÃO e costumes  DOS CANADENSES, ou voltem ás suas  Pátrias de origem!!!”

Explico ao general reformado que o 1º Ministro não pode “ditar” normas sem a aquiescência do seu parlamento. Se ele “dita”, ele é ditador e, por conseguinte, anula o seu parlamento. Além do mais, segundo informação do tal general reformado, parece que o 1º Ministro da Austrália cometeu uma grande gafe diplomática ao se imiscuir nos assuntos internos de um outro país, o Canadá, ao sugerir que “os muçulmanos que respeitem os costumes dos canadenses ou voltem às suas pátrias de origem”.

Ao falar do relacionamento do Japão com os muçulmanos o tal general diz que no Japão “essa raça” (perceba o termo pejorativo e de cunho racista que ele utiliza) não pode permanecer no país além de um tempo determinado e nem pode casar com japoneses. Inverdade total. Não sei de que fonte fascista o tal general reformado coletou essa informação. O governo japonês não questiona a religião de seus cidadãos. O islamismo existe no Japão desde o século XVI e segundo estatísticas verificadas existem mais de 100.000 muçulmanos no Japão, sendo que metade deles são de nativos convertidos e de mulheres. Existem duas magníficas mesquitas lá, uma em Kobe e outra em Tóquio, além de outras menores espalhadas pelo território japonês.

Vamos ler mais um parágrafo da mensagem do tal general reformado:

 

Também posso afirmar  ao teu amigo  que eu  permaneci  2(DOIS)  longos anos  1961 A 1963  na Faixa de Gaza, MISSÃO DA ONU, DE BOINA AZUL, e visitei quase todos  estes Paises Muçulmanos!!!Eles estão parados no tempo e no espaço á mais de 2(DOIS) MIL ANOS!!  Basta dizer que na Jordânia E QUASE TODOS  OS OUTROS  PAISES, os Homens  usam ainda, um tipo de Bombacha, com um depósito,tipo saco,  abaixo dos órgãos sexuais masculinos,  por que   estão aguardando ainda,”  a vinda de Cristo  QUE  poderá vir,  por meio de um homem ou  de uma mulher a qualquer instante”!!!

 

Como vocês podem notar, o general não se dá muito bem com a língua pátria.

Mas vamos ao conteúdo do texto que é de rir e de chorar ao mesmo tempo. Ele diz que foi à Faixa de Gaza e lá permaneceu dois anos. Pelos meus cálculos ele deve ser do 9º, 10º ou 11º contingente. Eu também estive lá no 13º que saiu de Porto Alegre em 1963. A maioria dos brasileiros que lá foram eram soldados de infantaria, poucos com escolaridade acima do ginásio. Saíram daqui sem saber porra nenhuma sobre a cultura árabe e islâmica e voltaram do mesmo jeito. A única preocupação deles era ir ao Cairo, alugar um apartamento e fazer festa com as putas durante sete dias.

Mas continuando com texto do general reformado. Pelo jeito o tal general julga o nível de civilização das pessoas pelos trajes típicos que elas usam. Ele acha que um homem que veste à maneira ocidental é mais civilizado do que o muçulmano que o usa o seu típico “camisolão”.  Ou uma mulher muçulmana que anda com a cabeça coberta é menos civilizada que uma brasileira que anda semidespida pelas ruas.

E essa história de que os homens usam o “saruel” (a calça árabe, com o fundilho amplo) porque estão “esperando o messias” é de matar. Ele, como general reformado, devia prestar atenção ao ridículo que está passando ao transmitir uma balela dessas. Algum idiota deve ter dito isso ao general e ele, ingenuamente, acreditou.

Mas voltando à Faixa de Gaza, da qual o tal General tanto se vangloria de lá ter estado. O fato de servir como militar nas Forças de Emergências das Nações Unidas não habilita ninguém a saber sobre a cultura e a civilização muçulmana. Quando eu estive lá, muitos dos caras que foram comigo voltaram tão ignorantes quanto quando foram. Parece que o general não foi uma das poucas exceções.

Além do mais, estimado amigo, se o general reformado ficou na Faixa de Gaza um tempo como militar (coisa que eu também tenho no meu currículo), eu estudei durante 4 anos na Síria e no Líbano, sou fluente em árabe clássico, metade da minha biblioteca é constituída de livros árabes sobre história da região e sobre o islamismo. Periodicamente visito meus parentes no Líbano e na Síria. E – importante – sou muçulmano xiita e faço as minhas 5 orações diárias em direção à Meca, a Cidade Santa. Portanto, acho que estou mais habilitado do que ele – infinitamente mais habilitado – para falar do Islã. A diferença seria mais ou menos como ele andar de bicicleta e eu pilotar uma nave espacial. Desculpe a imodéstia, mas o general merece uma dose de arrogância.

Querido amigo, deixa eu te contar um ‘causo’ do Batalhão de Suez. Entre os componentes do meu contingente havia um paraquedista paulista cujo ódio aos árabes e muçulmanos era tamanho que ele não hesitou em enfiar uma pistola 45 na boca de um menino palestino que vendia bagulhos na cerca do QG brasileiro. Por pouco não o matou. Eu fazia parte da “Military Police”, no destacamento de Rafah. Fui até o QG brasileiro junto com um colega, um sargento dinamarquês, e prendemos o paraquedista. Ele tomou uma cadeia de uma semana. Se o general reformado tivesse visto a cena talvez teria aplaudido o paraquedista louco e talvez tivesse gritado: “Mata! Mata esse “habib” imundo!” Posso imaginar o excitamento do general.

Vamos ao parágrafo de encerramento da mensagem do tal general:

 

Bem ,não vou falar mais nada, pois  poderia relacionar centenas de motivos e cenas  que presenciei INACREDITÁVEIS, COMO A FAMOSA REVERENCIA DIÁRIA  Á MECA, AS CELEBRAÇÕES DOS CASAMENTOS,,AS MESQUITAS,  OS TRAJES QUE USAM, O CAMISOLÃO QUE USAM  E QUE FAZEM  AS NECESSIDADES EM QUALQUER LUGAR  !!

É UM HORROR!!!

Em mal falando ,poderemos  também lembrar o  famoso  ,MARAVILHOSO  E AGRADÁVEL  estado islâmico querendo  fazer um CALIFADO,NA SÍRIA e IRAQUE!!!

Decapitando  seres humanos!!!!ELES SÃO MUITO  FANÁTICOS  E DESEJAM CONQUISTAR TODO O UNIVERSO!!!França e Holanda que digam!!!

Tambem,com todo o respeito, ao teu amigo , com o sobrenome de ABRÃO, de repente, seja mais um  ISLÂMICO!!!.Que ele me desculpe de minha sinceridade.

Saudações cordiais

 

Meu estimado amigo, não dá para acreditar que um general reformado possa ter escrito as palavras acima. Não, general, não o desculpo não. Tolero tudo, menos burrice.

Vamos fazer breves comentários sobre o que o general falou e vamos ensinar-lhe alguns fatos:

  • A reverência diária é a Deus e não à Meca. Meca é a Cidade Santa para onde todo bom muçulmano deve se dirigir ao orar para Deus. Isso é para manter a unidade do povo. Usando um termo militar para que o general entenda melhor, é como se fosse ordem unida, meu general.  Procure ver no Youtube um grupo de muçulmanos orando e verás que todos eles seguem o imã (o líder que conduz as orações) nos movimentos ritualísticos.
  • As mesquitas são os templos (igrejas) dos muçulmanos, general. Tem muitas que são famosas pela sua beleza arquitetônica e são visitadas por milhões de turistas cristãos e ocidentais. Não sei o que o senhor viu de errado nelas. O que o senhor disse é o mesmo que algum idiota dizer “aqueles católicos vão orar na Catedral de Notre Damme! Que horror!” A propósito, Notre Damme fica em Paris, general.
  • O que tem de anormal nos casamentos muçulmanos, general? Tem a cerimônia religiosa, tem festa, tem comilança, tem música, tem dança, tem presentes, como qualquer casamento no mundo. Só não tem o “Aí vem a noiva” de Richard Wagner.
  • Agora a parte em que os muçulmanos “fazem as necessidades em qualquer lugar”.  Essa é de gargalhar. Quando o general esteve lá na Faixa de Gaza, no início da década de 60, provavelmente ele viu algum beduíno largar o seu camelo no meio do deserto e foi evacuar atrás de uns cactos.  É que não tinham ainda inventado privadas a cada cinco quilômetros pelos caminhos do deserto. Mas agora a coisa mudou, general. Os beduínos não mais andam de camelo. Andam motorizados. Aqueles do Golfo, então, andam muito bem Mercedes, Porsch, Ferrari, Bentley, Rolls Royce, etc.  Portanto, agora eles podem chegar em suas casas mais rápido e podem cagar sossegados, sem ferirem a sensibilidade de um civilizado ocidental.
  • Quanto ao grupo terrorista que o general mencionou, o Estado Islâmico, e outros, não representam o islã e são veemente rejeitados pela maioria esmagadora dos muçulmanos. Seria o mesmo que dizer que a Klu Klux Klan representa o cristianismo. Ou que aquele pastor que levou centenas de seguidores ao suicídio é a representação perfeita do cristianismo.

Por fim, não sou “islâmico”, general. Sou muçulmano. Adoro a um Deus único e rezo 5 vezes ao dia, sim, e em direção à Meca. Não me escondo. O meu amigo me conhece há quatro décadas e ele está autorizado a dar ao general o meu e-mail, meu endereço em Novo Hamburgo, meu telefone, etc.

Quanto ao general, eu poderia mover contra ele um processo por racismo, xenofobia, explicita intolerância religiosa, de conformidade com a Lei 7.716 de 5 de janeiro de 1989.

Mas não vou fazer isso, querido amigo. Primeiro, porque ele é teu amigo e tu és meu amigo. Segundo, porque ele deve ser um velhinho passando dos oitenta e ninguém vai prestar atenção à insensatez que ele diz e à defecação que ele faz pela boca.

É isso aí.

 

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