O “ATAQUE QUÍMICO” NA SÍRIA E A TRÍPLICE AGRESSÃO

O “ATAQUE QUÍMICO” NA SÍRIA E A TRÍPLICE AGRESSÃO

 

Imaginemos a seguinte situação futebolística: o time A está vencendo de goleada o time B. Digamos, de 6 a 0. Faltam cinco minutos para terminar a partida. De repente, sem mais nem menos, sem nenhuma justificativa lógica, o goleiro do time A vencedor, atravessa todo o campo e dá um soco no goleiro do time B, pondo-o a nocaute.

Existe lógica para isso? Precisava o goleiro do time A, que estava vencendo a partida por uma goleada histórica e, já nos minutos finais do jogo, agredir o goleiro do time B? Claro que não há lógica numa atitude dessas. Tampouco é plausível de acontecer.

Vamos aplicar a mesma lógica na guerra do governo sírio contra o terrorismo patrocinado por Israel, Estados Unidos, os árabes do Golfo Pérsico (Arábia Saudita, Emirados Árabes, Catar e Bahrein) e Turquia. A Síria está vencendo sua guerra contra esses grupos armados, Já tinha reconquistado noventa por cento da região de Ghuta Oriental. Já estava retirando os civis da cidade de Duma, o último bastião dos terroristas. Milhares desses terroristas estavam se rendendo ao governo sírio e sendo levados, em ônibus, a Idlib. A bandeira nacional da Síria já estava sendo hasteada em todos os prédios governamentais de Duma. Mas, não mais do que de repente, no finalzinho do jogo, o governo sírio, que estava dando de goleada nos terroristas, resolve atacar a população civil com armas químicas. Faz sentido isso? Dá para acreditar numa balela dessas?

Agora, vejamos as primeiras fotos distribuídas pelas agências de notícias. Aparecem crianças e mulheres deitadas no chão, algumas aparentando estarem em convulsão, outras sendo lavadas com mangueiras de água. O interessante é que não aparece nenhum homem morto nesse ataque. Será que as bombas químicas da Síria eram inteligentes e procuravam somente as mulheres e as crianças? Outro aspecto dessas fotos: nenhum dos que estavam ali para “salvar” as “vítimas” usavam máscaras que são necessárias para proteção contra o contágio químico.

Com todos esses questionamentos postos na balança, só há uma conclusão: o tal de ataque químico foi uma grande mentira forjada para que os Estados Unidos, Inglaterra e França, atacassem a Síria. Aliás, esse artifício já estava sendo previsto pelos sírios, pelos russos e pela maioria dos analistas do mundo árabe. Só não se sabia quando ia acontecer.

Toda vez que o exército sírio alcança uma grande vitória contra os terroristas, ou está para acontecer uma reunião do conselho de segurança da ONU sobre a questão síria, surge, como se fosse a reprodução de uma cena hollywoodiana, um “ataque de gás sarin por parte do governo sírio”

Esse último foi mais uma encenação para provocar a tríplice agressão à Síria. Os Estados Unidos, mais uma vez, convocaram a Inglaterra e a França para participarem. E os cãezinhos atenderam ao chamado. A Alemanha tinha sido chamada também. Mas a chanceler Merkel se negou, sabiamente, a participar dessa farsa.

O ataque saiu de uma base americana no Catar. Portanto, o Catar é cumplice na agressão e será severamente julgado pela História e pelo povo árabe.

Não preciso dizer a razão que move os Estados Unidos e outros países ocidentais a bombardearem a Síria. Quem já leu os meus escritos anteriores nesse mesmo blog, “O fator Síria” e “O fator Síria II” sabe que a razão são os belos olhos azuis de Israel.

Mas o meu amigo poderá perguntar: se o motivo é derrubar o presidente Assad, por que a Tríplice Agressão não foi adiante e invadiu Damasco e prendeu ou matou o popular presidente? Ora, simplesmente porque avaliaram que as consequências seriam terríveis. Em primeiro lugar, porque transformariam Bashar Al Assad num mártir para o mundo árabe inteiro e haveria uma guerra de guerrilha contra as forças invasoras. Segundo, porque do outro lado tem também uma superpotência chamada Russia, cujos foguetes alcançam Washington e vão além. Terceiro, porque do outro lado tem uma potência regional, a República Islâmica do Irã, cujos foguetes atingiriam Tel Aviv com facilidade, e atingiriam as capitais dos três países árabes do Golfo, que patrocinaram o terrorismo. Por fim, o quarto motivo, é que existe uma força chamada Hezbollah, que está colada em Israel e seus foguetes podem atingir as usinas nucleares de Dimona lá no deserto de Neguev e também os depósitos de Amônia em Haifa.

Já que eu usei o sentido figurativo comparativo para escrever esse texto, vou terminar da mesma forma. Digamos que o eixo Rússia-Síria-Irã-Iraque-Hezbollah está segurando, com mãos de ferro, o saco escrotal do outro eixo, composto por Israel, Estados Unidos, Árabes do Golfo, Inglaterra, França e Turquia. Qualquer movimento em falso, aperta-se o saco escrotal.

 

 

 

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Os árabes ultra sionistas ou as putas de Meca

Os árabes ultra sionistas ou

as putas de Meca

 

Calma! Peço aos meus irmãos muçulmanos, especialmente aos sunitas, muita calma!

O mundo ocidental, em particular os Estados Unidos, vibraram com a ascensão ao poder, na Arábia Saudita, do príncipe Mohammad bin Salman. Um jovem de 32 anos, com ideias inovadoras e revolucionárias, que alegava trazer a Arábia Saudita do wahabismo retrógrado para o século XXI. Foi aplaudido efusivamente pelo Ocidente e por Israel.

Qual foi a primeira transformação dele? Concedeu às mulheres o direito de dirigir apesar da virulenta oposição dos clérigos sunitas wahabitas. E ficou só nisso no que tange aos direitos do cidadão. Não há registro de qualquer outro avanço nesse campo.

Recentemente, Mohammad bin Salman gastou um bilhão e meio de dólares em extravagâncias. Comprou um iate por quinhentos milhões de dólares, uma tela de Leonardo da Vinci que custou quatrocentos e oitenta milhões de dólares, que ele vai pendurar na cozinha da mãe, Fátima, e um palácio na França, que pertenceu a um dos Louis e que custou outros quinhentos milhões de dólares. Ato contínuo, mandou prender todos os bilionários sauditas, inclusive alguns parentes seus, e buscou a organização “Black Water”, especializada em torturas e que foi muito usada no Iraque. Sob tortura, arrancou vários bilhões de dólares desses biliardários homens de negócios para soltá-los.

O pai de Mohammad bin Salman é o rei Salman bin Abdel Aziz Äl Saúd. Aos oitenta e três anos, é uma figura decorativa. Nomeou o seu filho Mohammad como príncipe herdeiro, que assumiu o poder de fato. Seu primeiro ato foi deter, em prisão domiciliar, todos os outros príncipes que poderiam ameaçar a sua posição. Em seguida, juntamente com Jared Kushner, judeu sionista e genro e conselheiro de Donald Trump, costurou a maior transação de armas da história da humanidade. Meio trilhão de dólares – quinhentos bilhões. Para vocês terem uma ideia do volume de dinheiro, essa transação equivale a quase quinhentas vezes o total de exportação de calçados brasileiros no ano de 2017.

Para quê esse gigantesco arsenal?

Para guerrear contra o Irã, ora.

Mas por que o Irã que também é um país muçulmano?

Para proteger Israel que é inimigo mortal da República Islâmica do Irã. O Irã ajuda a Síria, o Hezbollah no Líbano e a resistência palestina em gaza. Portanto, a ideia de Israel, Estados Unidos, Arábia Saudita, Emirados Árabes, Bahrein é eliminar a fonte que alimenta a resistência contra Israel, que é o Irã.

Mas por que esses reinos e principados árabes do Golfo se posicionariam a favor de Israel contra a vontade da maioria esmagadora dos povos árabes? Contra a criação do Estado da Palestina, que é o sonho de todos os palestinos e árabes em geral?

Simplesmente porque eles sabem que o dia em que a Palestina for recuperada será a vez deles caírem. São reinos podres, corruptos, com reis e príncipes viciados em drogas e com vergonhosos desvios sexuais. A onda de libertação da Palestina seria avassaladora e atingiria o Golfo e derrubaria reinos e principados. Por isso a aliança deles com Israel. Eles são mais sionistas que os próprios judeus sionistas.

Falando em desvios sexuais, vem à tona mais uma “obra” de Mohammad bin Salman, o príncipe herdeiro saudita.

Realmente, ele decidiu dar um giro de cento e oitenta graus nos costumes da medieval Arábia Saudita, seguidora do islamismo sunita-wahabita, a mais retrógrada seita do Islã. Mas não foi um giro positivo. Foi um giro direcionado à libertinagem sexual. Com o discurso de “modernizar” o reino, ele decidiu concorrer com Dubai, dos Emirados Árabes. Pretende transformar todo o litoral do mar vermelho em um gigantesco parque de diversões para adultos, com hotéis, bares, cassinos, cabarés e puteiros de todas as categorias, para turistas ricaços e até turistas mochileiros.

Como consequência disso, a Cidade Santa, a Nobre Meca, para onde todos os muçulmanos se dirigem ao fazer suas orações, está sendo invadida por putas de todos os cantos e cabarés estão sendo instalados não muito distantes da Caaba Sagrada. Não sou eu quem diz isso.  Quem afirma isso é um sujeito que se diz jornalista e que trabalha como mercenário para quem paga mais. O nome desse crápula é Youssef Alauna. Agora, esse pulha está defendendo os interesses dos Emirados Árabes e da Arábia Saudita. Ele mete o pau no Irã e se auto intitula “Assad  al Sunna”, ou seja. O “leão dos sunitas”.  Xinga, sem pejo, os muçulmanos xiitas, o Hezbollah, o Irã, o governo da Síria e diz que os sunitas vão esmagar as cabeças de todos os xiitas. Exatamente esse ‘leão dos sunitas´’ é quem diz que Meca está cheia de puteiros. Ele afirmou que as meninas sobem os elevadores dos hotéis, batem nas portas dos apartamentos e oferecem seus serviços aos hóspedes peregrinos. O próprio homem deles diz isso. O que cabe a mim dizer?

Pois eu sou muçulmano xiita. Sempre tive vontade de fazer a peregrinação à Meca e me tornar um Hajj. Infelizmente, vejo que a Pura Meca, a Sagrada Mãe de Todas as Cidades (Umm al Qura, em árabe), está sendo profanada, está sendo desvirtuada e desvirginada pelas mãos de Mohammad bin Salman. Antes dele, seus bisavôs, seguindo o retrógrado dogma wahabita, destruíram os túmulos e santuários da família do Profeta, dizendo que isso era “shirk”- politeísmo. Agora ele, o jovem “reformador”, conspurca a Cidade Santa.

Está havendo um movimento, ainda embrionário, de alguns países muçulmanos para formar um comitê, composto de todas as correntes muçulmanas, para tirar Meca das mãos sujas dos Sauditas. Esse comitê constituído por sábios muçulmanos de muitos países, inclusive os xiitas, administrariam a Cidade Sagrada e gerenciariam a questão da peregrinação.

Há também uma corrente que defende a retomada de Meca e Medina pelos Hachemitas, que seriam os verdadeiros governantes do Hijaz, a região onde as duas cidades santas estão localizadas. Os Hachemitas são a tribo do Rei Abdala da Jordânia, cujo bisavô, Hussein bin Ali, foi expulso de Meca pelos Sauditas, ladrões e assaltantes de caravanas.

Enquanto nenhuma dessas duas possibilidades acontece, vou postergando minha peregrinação à Meca. Não quero fazer a peregrinação que deveria expurgar os meus pecados e, de repente, ter uma puta batendo à porta do meu apartamento no hotel.

 

 

 

LIGAÇÃO DE TEL AVIV PARA WASHINGTON

Gilberto Feres Abrão
22 de janeiro ·
LIGAÇÃO DE TEL AVIV A WASHINGTON

Toca o telefone privativo na antessala da Casa Branca. Atende Jared Kushner, genro e conselheiro de Donald Trump. Mr. Kushner tem dupla nacionalidade. É americano de nascimento e israelense-sionista de coração e mente.
Jared Kushner pega o telefone:
“Hello! Jared Kushner speaking!”
Ele ouve a voz grave do outro lado cumprimentando em hebraico:
“Shalom, Jared!”
“Oh Shalom, Sr. Primeiro Ministro! ” – Jared responde em hebraico.
O diálogo continua:
“Como vai você, Jared? E como vai Ivanka?”
“Estamos bem, obrigado, Sr. Primeiro Ministro! A propósito, Ivanka e eu agradecemos pela maravilhosa recepção que o senhor e a sua esposa, a senhora Sara, nos proporcionaram na última visita! ”
Netanyahu riu do outro lado:
“Vocês merecem! Especialmente pelo excelente trabalho que você fez na Arábia Saudita!”
Netanyahu referia-se ao multibilionário contrato que o sogro de Jared, Donald Trump, conseguira arrancar dos sauditas. Quase quinhentos bilhões de dólares em armamentos. Para quê? Para combater o Irã, ora. O primeiro ministro de Israel estava eufórico.
“Agora aqueles beduínos da Arábia Saudita, Emirados Árabes, Bahrein e Catar ficarão quase tão fortes quanto nós! … E vamos acabar com os nossos inimigos comuns! O Irã, a Síria, o Hezbollah e o Hamas! ”
Jared não conseguia esconder o seu orgulho:
“Obrigado, Sr, Primeiro Ministro”
Do outro lado, Netanyahu silenciou-se como se estivesse pensando no que dizer:
“Devemos à Ivanka pelo menos cinquenta por cento do sucesso do plano! Ela encantou aqueles ratos do deserto, aqueles assaltantes de caravanas. ”
Netanyahu falava como profundo conhecedor da alma e da história da família real saudita e dos demais países do Golfo. Continuou:
“ Eu acompanhei pela televisão o retorno de vocês de Riadh. Eu me mijei de rir ao ver os olhos esbugalhados, ávidos, dos beduínos que observavam o subir lento de Ivanka as escadas do Air Force One. A câmera de televisão dava um close no traseiro de Ivanka e outro nos olhares dos árabes. E ela subia devagarzinho as escadas do avião, mexendo a bunda pra lá e pra cá!”
Netanyahu gargalhou por um tempo. Por fim, recompôs-se:
“Aquele “mise en scène” foi invenção sua, Jared?
“Não, senhor Primeiro Ministro! Ivanka é assim mesmo! Ela adora ser sensual e provocante!”
Mais um risinho de velhaco de Netanyahu e continuou:
“Teve um emir lá da família Saud que ia pedir ao Rei Selman para interferir junto ao Trump e pedir a mão de Ivanka para si!” – Netanyahu riu de novo. “Teve outro que estava construindo uma mesquita e iria chama-la de ‘Mesquita Senhora Ivanka’ – mais uma gargalhada. “Teve outro que fez a peregrinação à Meca em nome da Ivanka, para que Deus perdoasse os pecados dela!” – Dessa vez riu até doer-lhe a barriga.
Jared ouvia um tanto constrangido. Achou que devia terminar a conversa:
“O senhor quer conversar com o meu sogro?”
“Sim, sim! Me passe ele!”
“Um momento!”
Jared abriu a porta da sala do presidente e anunciou:
“Netanyahu quer falar consigo, senhor presidente!”
“Oh, God! O que será que ele quer agora?”
Trump pegou o telefone, mas antes de dizer alguma coisa, tapou o bocal :
“Jared! Pare com essa frescura de ‘senhor presidente’! Nós somos família, remember? Me chame de Don, como meus amigos íntimos me chamam!”
Jared balançou a cabeça e ia sair. Mas Trump ordenou-lhe que ficasse. Acionou o viva voz para que o genro participasse.
“Bom dia, Ben! Como Vai?”
“Bom dia para você, Don! Aqui já é tarde!” Netanyahu pensou: “Que cara ignorante! Ainda bem que ele tem o Jared ao lado dele.”
Trump achou aquela observação de Netanyahu um tanto rude . Pensou: “Eu não sou ignorante, seu merda! Eu sei que aí já é tarde”. Mas o interlocutor era o primeiro ministro de Israel e detinha o domínio de oitenta por cento do congresso americano. Portanto, não convinha manifestar seu desagrado:
“Em que posso servi-lo, meu querido amigo?” – Trump colocou o máximo de gentileza na voz.
“Olha, Don, estou muito satisfeito com as vendas de armas aos nossos aliados, os sauditas! Mas a realidade da Síria me preocupa! Os sírios, junto com os iranianos e o Hezbollah estão aniquilando nossos aliados, o Daesh e a Al-Nusra, e já estão batendo às portas de nossas fronteiras norte e nordeste. Quer dizer, aquela ideia inicial de formar um cinturão defensivo com os fanáticos pagos pela Arábia Saudita não funcionou. Golan está ameaçada!”
Trump grunhiu.
“Vou pensar numa solução, Ben! Te dou a resposta em dois dias!”
Jared bateu no seu peito, como quem diz: “deixa comigo!”
“E tem mais uma coisa, Don!” – continuou Netanyahu – “Quando é que você vai declarar Jerusalém a capital indivisível de Israel e anunciar a mudança da embaixada americana para lá?”
Jared interfere:
“Senhor Primeiro Ministro, essa declaração causaria uma nova intifada, um novo levante palestino!”
“Fodam-se os palestinos, Jared!” – vociferou Netanyahu – “Estou louco para vê-los fora de Israel!”
“Mas, Ben, o resto do mundo não apoiaria essa minha resolução! O mundo inteiro apoia os palestinos exceto alguns países sobre os quais temos total domínio!” –
“Finalmente esse idiota disse uma frase que faz sentido” – pensou Netanyahu. Mas a opinião do mundo jamais preocupou Israel:
“Foda-se o mundo inteiro também, Don! Afinal, você quer que Israel continue a proteger seus interesses no Oriente Médio ou não?”
“Não há dúvidas quanto a isso !” – respondeu Trump em tom submisso. “Deixa comigo!”
“OK, espero uma ação para breve!” – determinou Benyamin Netanyahu, primeiro ministro de Israel e controlador do congresso americano.
Sob as ordens de seu sogro, Jared começou a trabalhar. Alguns dias depois do telefonema os Americanos espalharam tropas bem equipadas na fronteira norte da Síria com o Iraque. Trump dizia que era para combater os terroristas do Isis (Daesh ou Estado Islâmico) em Raqqa e Hassaka. Na verdade, era para salvar os comandantes dessa organização terrorista que, na sua origem, fundada pelos Estados Unidos. Os terroristas estavam cada vez mais perdendo terreno para as tropas sírias. Os americanos salvaram os comandantes dos terroristas, assim como fizeram na guerra do Vietnã, salvando os donos do regime do Vietnã do Sul, tirando-os com helicópteros. Ao mesmo tempo, a função maior das tropas americanas era impedir que armamentos viessem do Irã, pelo território do Iraque, para fortalecer a capacidade bélica da Síria e do Hezbollah.
E mais alguns dias, Trump declarou Jerusalém como a capital indivisível de Israel e disse que em breve mudaria a embaixada americana para lá. O mundo todo condenou a declaração de Trump. Iniciou-se a intifada palestina. Houve manifestações pró-palestina no mundo inteiro. Mas Trump não se importava com a condenação do mundo. O negócio era proteger Israel.
“E quanto aos palestinos, Jared?” – perguntou Trump ao seu genro que lhe apresentava os planos.
“Para eles tenho um projeto já aprovado pelos sauditas e por Israel, senhor presi… Don.”
“Diga-me qual é, Jared e depois escreva tudo para mim para que eu possa ler para o Ben!”
Jared abriu um mapa sobre a mesa do presidente:
“É o seguinte, Don: Os palestinos na Cisjordânia ficariam nos cantões onde estão, formariam uma entidade associada a Israel, somente com força policial. Todo o relacionamento externo deles seria através de Israel. Em outras palavras, não teriam exército e nem representação no exterior. Israel cuidaria da segurança. Eles teriam uma capital. Seria Abu Diss, aquele vilarejo perto de Jerusalém. Teriam uma passagem, um corredor, sob o controle de Israel, de Gaza até a Margem Ocidental. A fronteira com a Jordânia seria controlada por Israel e por colonos judeus que estão assentados naquela área. Ah, sim, generosamente Israel cederia um pequeno espaço no aeroporto de Lod para entrada e saída de palestinos e suas mercadorias. Também teriam um pequeno espaço no porto marítimo de Ashdod para os palestinos embarcarem e receberem mercadorias do exterior. Os israelenses controlariam tudo, naturalmente!”
“Ótimo! Ótimo!” – Trump esfregava as mãos. – “E quanto ao problema dos tais refugiados palestinos?”
“Aí é que está a cereja do bolo, Don! A Arábia Saudita compraria do Egito um naco do Sinai, equivalente à Faixa de Gaza ou um pouco mais. Esse pedaço de terra seria conectado à Gaza e formaria o território dos palestinos refugiados!”
“Mas, Jared, aquilo é um deserto!”
Jared riu:
“Não se preocupe, Don! Os Sauditas injetariam tanto dinheiro naquele deserto que se transformaria num gigantesco parque de diversões para adultos. Com água dessalinizada, luxuosos shopping centers, cassinos, cabarés e puteiros para todos os níveis, para a felicidade de todos os reis e príncipes dos países do Golfo. Gaza passaria a ser uma grande Las Vegas para eles, entupida de putas de todo o mundo”
Trump e Jared riram.
“Mas será que o Egito topa vender um pedaço do Sinai? – perguntou Trump ansioso
“ Claro! O Egito está faminto! Receberia dez bilhões de dólares por ano, durante dez anos.”
“E Israel? E os sauditas? “
“Todos toparam. Acharam o plano maravilhoso! Assim, acabaríamos com a reclamação dos palestinos e reinaria a paz no Oriente Médio”
“Os palestinos toparam?”
“Não, Don! Uns querem a Palestina do Rio ao Mar, como dizem, laica, com toda Jerusalém integral como capital. Outros, a turma de Mahmud Abbas, quer uma Palestina nas fronteiras de 1967 e Jerusalém Oriental como capital.”
“Então, como faremos?” – Trump mostrou leves sinais de preocupação.
“Ora, se eles não toparem, tiramos o Mahmud Abbas de presidência dessa tal de Autoridade Palestina e colocamos um dos nossos, O Mohamad Dahlan, que está louco para assumir e ganhar mais dinheiro”
“Ora, que se fodam os palestinos! Vamos ligar para o Ben!”
“Já liguei para ele, Don!”
“OK, Jared, você sempre se antecipando! Vamos tomar um whisky e celebrar!”

A PROPÓSITO DO ATENTADO EM NICE

 

                                                      A PROPÓSITO DO ATENTADO EM NICE
Ghaddaffi da Líbia não representava ameaça a ninguém e nem patrocinava terrorismo. Mas só porque ele tinha ambições de se tornar um líder no Norte da África, os americanos e a OTAN o derrubaram.
Pessoalmente, nunca gostei do Saddam Hussein do Iraque pela matança que ele protagonizou contra os xiitas e os curdos. Mas tenho que reconhecer que, sob o governo dele, os iraquianos viviam harmoniosamente e o país tinha um dos melhores padrões de vida na região. Mas os americanos e todo o Ocidente declararam guerra ao Iraque, invadiram e destruíram o país e foram caçar o pobre do Saddam dentro de um buraco como se fosse uma ratazana. Acusaram o infeliz de possuir armas de destruição em massa. Não tinha nada..
A Síria era o único país do Oriente Médio que não devia pra ninguém. Tinha um dos maiores índices de escolaridade entre os países árabes. Sistema de educação e saúde invejável e uma situação econômica estável. Mas representava uma suposta ameaça a Israel, incomodava a Arábia Saudita e outros países do Golfo pela sua aliança com o Irã e o Hezbollah. Foi daí então, que os Estados Unidos, Israel, Arábia Saudita, Turquia, Qatar e outros decidiram derrubar o presidente Bashar al Assad. Não conseguiram em virtude da popularidade do homem. Mas destruíram a Síria trazendo mais de duzentos mil terroristas de todo o mundo para fazer o serviço sujo.
Israel ficou preocupado com a amizade entre o Iêmen e o Irã. Achou que talvez o Irã pudesse armar o Iêmen e esse, por sua vez, fechar a entrada do Bab el Mandeb, no Mar Vermelho, aos barcos que entravam e saíam de Israel pelo porto de Eilat. Então Israel e os Estados Unidos pediram à Arábia Saudita – que também detesta o Irã – que destruísse o Iêmen. Assim está sendo feito. Bombardeio dos sauditas e emiratenses, com logística israelense e americana, e mais de oitenta mil mercenários pagos pela Arábia Saudita e Qatar.
Pois é. A Arábia Saudita está a financiar os terroristas (entenda-se Estado Islâmico e outros) que agem no Iraque, na Síria, no Iêmen, nos Estados Unidos, na Inglaterra, na Espanha, na Bélgica, na França e no resto do mundo. São os petrodólares sauditas que financiam os terroristas e são seus clérigos wahabitas que fazem a lavagem cerebral dos adolescentes pobres do mundo muçulmano e os incitam a matar e a morrer em nome de um falso Islã.
Recentemente, um desses clérigos esteve aqui no Brasil, visitando uma das nossas favelas onde há uma pequena comunidade de . muçulmanos brasileiros. O que esteve fazendo esse cara dentro de uma favela brasileira? Fazendo turismo? Porra nenhuma. Estava arregimentando jovens para entrarem nos grupos terroristas que lutam na Síria.             Para informação dos meus amigos, até 2013 já tinham morrido 40 brasileiros na Síria, combatendo nas fileiras do Estado Islâmico, e outros tantos tinham desaparecido.
Não adianta os Estados Unidos, a França, ou seja lá quem for querer combater os terroristas na Síria ou no Iraque. Estariam combatendo o efeito e não a causa, a origem do problema, a fonte do mal. Se os ocidentais matarem cem mil terroristas na Síria e no Iraque, com seus poderosos bombardeiros, amanhã a Arábia Saudita colocará outros cem mil com os seus dólares e com o seu Islã wahabita. Toda mesquita no mundo, inclusive aqui no Brasil, que foi construída com dinheiro saudita e cujo imã (chefe religioso) foi formado lá no reino do mal, é uma chocadeira de terroristas em potencial.
Portanto, se o mundo quiser acabar com o terrorismo, deve, isso sim, combater o mal na sua origem. Tem que se matar o dragão na sua caverna. Há que se destituir o regime saudita e acabar com o wahabismo que conspurca o islã.

O ESTOPIM QUE FALTAVA

O ESTOPIM QUE FALTAVA

O que estava sendo feito às escondidas, agora é feito às escancaras. A Arábia Saudita não mais esconde o seu relacionamento amistoso com Israel. Encontros entre as altas cúpulas dos dois regimes estão sendo fotografados e publicados pela imprensa mundial. Um dos príncipes sauditas, muito conhecido no jet set internacional, declarou sem nenhum pejo, que se houver um novo ataque de Israel aos palestinos de Gaza, o regime saudita não hesitará em se posicionar a favor de Israel.
Numa análise mais aprofundada, se a Arábia Saudita está envolvida até o pescoço na Guerra da Síria, financiando e arregimentando os terroristas que para lá vão, ela está a prestar um grande benefício aos sionistas enfraquecendo o exército sírio e destruindo toda a infraestrutura do país. A síria vai precisar de mais trinta anos, com a ajuda de países amigos, para se recuperar e voltar a ser o que era antes dessa guerra multinacional contra ela.
Por outro lado, a guerra no Iêmen liderada pela Arábia Saudita, já destruiu grande parte do país e matou centenas de milhares de civis. O motivo dessa guerra não é outro senão impedir que o Iêmen faça uma aliança com o Irã e fuja do controle saudita. Os sauditas consideram o Iêmen o seu quintal. Levando-se em conta que o Irã faz parte do eixo de resistência a Israel, juntamente com a Síria, o grupo guerrilheiro libanês Hezbollah e a resistência palestina, Israel está feliz da vida com essa guerra. Aliás, há até pilotos israelenses bombardeando Sanaa, a capital iemenita. Mas por quê? Uma coisa que os sionistas certamente não desejariam seria o domínio iraniano do Bab al Mandeb, a porta de entrada ao Mar Vermelho para os navios que saem ou entram em Israel. Portanto, Israel bate palmas para as agressões e massacres sauditas no Iêmen.
Tão feliz está Israel com o desempenho da Arábia Saudita, que, para criar ainda mais cisão no mundo muçulmano, autodenominou-se o “defensor dos sunitas” (sic). Foi uma jogada de mestre, sem dúvida. Israel explorou muito bem o ódio que os sauditas têm à República Islâmica do Irã que é xiita. O regime saudita é dominado pela seita wahabitas (o ramo radical do sunismo) que é a fonte ideológica do grupo terrorista Estado Islâmico e afins, e que considera os muçulmanos xiitas como apóstatas.
Na reunião da Liga Árabe ocorrida no dia 11 de março, a Arábia Saudita induziu os membros da liga a considerarem o Hezbollah uma organização terrorista. Com exceção da Síria (não representada), Líbano, Iraque e Argélia, os demais – inclusive a representação da Autoridade Palestina – seguiram o regime saudita. Compreende-se a razão. Todos eles estão a precisar de uma graninha e, portanto, não viram nada demais em vender suas consciências por um punhado de petrodólares. Os povos desses países, entretanto, são, na sua esmagadora maioria, contra essa resolução da Liga Árabe. Os governos, portanto, não representam a vontade dos povos.
Para gáudio de Israel, agora o regime saudita está pensando seriamente em atacar o Hezbollah no sul do Líbano, fomentando milícias sunitas dentro do país. Vai fazer o serviço sujo para Israel que não conseguiu tirar a resistência muçulmana (Hezbollah) do sul do Líbano em 2006. Entretanto, muito menos se espera dos sauditas. Eles não têm a expertise de guerra que Israel tem e muito menos o equipamento bélico de última geração que o Estado Sionista possui.  Mas pelo menos, segundo os cálculos dos israelenses, os sauditas vão manter o Hezbollah ocupado e vão desgastá-lo. Os israelenses (ou seja, “os defensores dos sunitas”, como eles se autoproclamam) estão dançando de alegria.
Mas será que o Irã e o novo aliado do Hezbollah, a Rússia, ficariam de braços cruzados? Não seria esse o estopim que faltava?

CARTA AO GENERAL REFORMADO

CARTA AO GENERAL REFORMADO

 

 

Um general reformado mandou a um amigo meu, procurador da justiça, uma mensagem islamofóbica, xenófoba e com tal grau de ignorância que eu não sabia se chorava ou ria às escancaras.

Ele anexou fotos de muçulmanos fazendo protestos nas ruas de Londres e disse que eles querem mudar o sistema jurídico da Grã-Bretanha, aplicando a lei da “sharia”, a lei muçulmana. Total inverdade!

O linguajar utilizado pelo general é de uma pobreza linguística infantil e de uma virulência hitleriana. Reproduzi abaixo alguns trechos da mensagem do tal general e a minha resposta aos comentários dele. Naturalmente, lhe respondi através do meu amigo, procurador da justiça, cujo nome suprimi.

Aqui vai:

 

Estimado amigo,

 

O texto é um pouco longo, querido amigo, mas poderá servir de esclarecimentos ao tal de general reformado e a quem interessar possa.

A areia vinda do deserto do Sinai deve ter penetrado no cérebro do general, quando ele esteve na Faixa de Gaza, e de tal forma que fez com que ele não mais entendesse a língua portuguesa.

Eu disse que os caras que estão fazendo as manifestações SÃO cidadãos britânicos, isto é, britânicos de 2ª, 3ª, 4ª e até 5ª geração. Seria o mesmo que os cidadãos descendentes de alemães daqui fizessem uma manifestação dentro do Brasil, ou os cidadãos afro-brasileiros, ou os cidadãos luso-brasileiros, ou os ítalo-brasileiros, ou até mesmo os brasileiros de ascendência árabe, como eu.

Eu disse que os caras fizeram a manifestação em retaliação à ofensa que a revista Charlie Hebdo fez ao Profeta. Pode ser que a demonstração tenha sido desproporcional (será?), mas aparentemente esse tal de general reformado não entendeu o meu português. Ou não teve capacidade de entender, pois o cérebro dele está entupido com a areia do Sinai e com os cactos que ficam no caminho de Gaza até Rafah e Al-Arish, passando por Deir el-Balah e Khan Yunis.

Gostaria de enfatizar ao General reformado que os caras NÃO são Paquistaneses, Bengalis ou Africanos; são cidadãos britânicos como os brancos anglo-saxões. A única diferença é que são muçulmanos. A toda hora há manifestações na Europa e em qualquer país democrático. Seria o mesmo que que nós aqui no Brasil obrigássemos a qualquer manifestante que saia do Brasil e vá ao país de seus ancestrais se desgostássemos da manifestação dele. Nesse caso, toda vez que saíssemos para bater panelas e fazer barulho contra o governo seríamos expulsos. Daí, meu caro amigo, tu terias que voltar para a Alemanha, a minha mulher que é bisneta de Italianos, teria que voltar a Itália, o tal de general reformado teria que voltar a Portugal, os filhos do Hans e o Hans teriam que voltar à Áustria, eu voltaria à Síria dos meus pais, etc. etc. etc.

É proibido manifestar-se em um país democrático?

Parece que o tal de general também não entendeu que a população muçulmana na Grã-Bretanha é de mais de 3 milhões de pessoas. Eles têm representantes em cargos do governo, no parlamento e no judiciário. Portanto representam uma grande fatia do tecido étnico do Reino Unido e, consequentemente, têm todo o direito de se manifestar politicamente, quer gostemos ou não. Assim como o PT e os grupos de direita têm direito de se manifestar aqui – até fazendo barulho e querendo matar a Dilma e portando cartazes com palavrões.

General, os caras não querem impor a religião deles para uma maioria cristã. Mas querem ter o seu direito de exercer sua religiosidade e protestar toda vez que seus símbolos religiosos são ofendidos. Oque aconteceria se o general me visse pisando sobre um crucifixo, por exemplo? Levando-se em consideração o nível de fúria dele, certamente ele daria um tiro em mim.

Convém lembrar ao general reformado que uma democracia multirracial (Brasil, Estados Unidos, Canadá, o próprio Reino Unido, etc.) compreende um povo oriundo de várias origens e várias religiões. Ou é assim ou é uma democracia de mentira, como é caso de Israel e Arábia Saudita.

Vamos a um parágrafo interessante do tal de general:

“Seria também  bom  lembrar ao teu amigo que o  1º Ministro  da Austrália, ACABOU DE DITAR A SEGUINTE NORMA aos senhores muçulmanos : se quiserem permanecer   na Austrália, RESPEITEM  A RELIGIÃO e costumes  DOS CANADENSES, ou voltem ás suas  Pátrias de origem!!!”

Explico ao general reformado que o 1º Ministro não pode “ditar” normas sem a aquiescência do seu parlamento. Se ele “dita”, ele é ditador e, por conseguinte, anula o seu parlamento. Além do mais, segundo informação do tal general reformado, parece que o 1º Ministro da Austrália cometeu uma grande gafe diplomática ao se imiscuir nos assuntos internos de um outro país, o Canadá, ao sugerir que “os muçulmanos que respeitem os costumes dos canadenses ou voltem às suas pátrias de origem”.

Ao falar do relacionamento do Japão com os muçulmanos o tal general diz que no Japão “essa raça” (perceba o termo pejorativo e de cunho racista que ele utiliza) não pode permanecer no país além de um tempo determinado e nem pode casar com japoneses. Inverdade total. Não sei de que fonte fascista o tal general reformado coletou essa informação. O governo japonês não questiona a religião de seus cidadãos. O islamismo existe no Japão desde o século XVI e segundo estatísticas verificadas existem mais de 100.000 muçulmanos no Japão, sendo que metade deles são de nativos convertidos e de mulheres. Existem duas magníficas mesquitas lá, uma em Kobe e outra em Tóquio, além de outras menores espalhadas pelo território japonês.

Vamos ler mais um parágrafo da mensagem do tal general reformado:

 

Também posso afirmar  ao teu amigo  que eu  permaneci  2(DOIS)  longos anos  1961 A 1963  na Faixa de Gaza, MISSÃO DA ONU, DE BOINA AZUL, e visitei quase todos  estes Paises Muçulmanos!!!Eles estão parados no tempo e no espaço á mais de 2(DOIS) MIL ANOS!!  Basta dizer que na Jordânia E QUASE TODOS  OS OUTROS  PAISES, os Homens  usam ainda, um tipo de Bombacha, com um depósito,tipo saco,  abaixo dos órgãos sexuais masculinos,  por que   estão aguardando ainda,”  a vinda de Cristo  QUE  poderá vir,  por meio de um homem ou  de uma mulher a qualquer instante”!!!

 

Como vocês podem notar, o general não se dá muito bem com a língua pátria.

Mas vamos ao conteúdo do texto que é de rir e de chorar ao mesmo tempo. Ele diz que foi à Faixa de Gaza e lá permaneceu dois anos. Pelos meus cálculos ele deve ser do 9º, 10º ou 11º contingente. Eu também estive lá no 13º que saiu de Porto Alegre em 1963. A maioria dos brasileiros que lá foram eram soldados de infantaria, poucos com escolaridade acima do ginásio. Saíram daqui sem saber porra nenhuma sobre a cultura árabe e islâmica e voltaram do mesmo jeito. A única preocupação deles era ir ao Cairo, alugar um apartamento e fazer festa com as putas durante sete dias.

Mas continuando com texto do general reformado. Pelo jeito o tal general julga o nível de civilização das pessoas pelos trajes típicos que elas usam. Ele acha que um homem que veste à maneira ocidental é mais civilizado do que o muçulmano que o usa o seu típico “camisolão”.  Ou uma mulher muçulmana que anda com a cabeça coberta é menos civilizada que uma brasileira que anda semidespida pelas ruas.

E essa história de que os homens usam o “saruel” (a calça árabe, com o fundilho amplo) porque estão “esperando o messias” é de matar. Ele, como general reformado, devia prestar atenção ao ridículo que está passando ao transmitir uma balela dessas. Algum idiota deve ter dito isso ao general e ele, ingenuamente, acreditou.

Mas voltando à Faixa de Gaza, da qual o tal General tanto se vangloria de lá ter estado. O fato de servir como militar nas Forças de Emergências das Nações Unidas não habilita ninguém a saber sobre a cultura e a civilização muçulmana. Quando eu estive lá, muitos dos caras que foram comigo voltaram tão ignorantes quanto quando foram. Parece que o general não foi uma das poucas exceções.

Além do mais, estimado amigo, se o general reformado ficou na Faixa de Gaza um tempo como militar (coisa que eu também tenho no meu currículo), eu estudei durante 4 anos na Síria e no Líbano, sou fluente em árabe clássico, metade da minha biblioteca é constituída de livros árabes sobre história da região e sobre o islamismo. Periodicamente visito meus parentes no Líbano e na Síria. E – importante – sou muçulmano xiita e faço as minhas 5 orações diárias em direção à Meca, a Cidade Santa. Portanto, acho que estou mais habilitado do que ele – infinitamente mais habilitado – para falar do Islã. A diferença seria mais ou menos como ele andar de bicicleta e eu pilotar uma nave espacial. Desculpe a imodéstia, mas o general merece uma dose de arrogância.

Querido amigo, deixa eu te contar um ‘causo’ do Batalhão de Suez. Entre os componentes do meu contingente havia um paraquedista paulista cujo ódio aos árabes e muçulmanos era tamanho que ele não hesitou em enfiar uma pistola 45 na boca de um menino palestino que vendia bagulhos na cerca do QG brasileiro. Por pouco não o matou. Eu fazia parte da “Military Police”, no destacamento de Rafah. Fui até o QG brasileiro junto com um colega, um sargento dinamarquês, e prendemos o paraquedista. Ele tomou uma cadeia de uma semana. Se o general reformado tivesse visto a cena talvez teria aplaudido o paraquedista louco e talvez tivesse gritado: “Mata! Mata esse “habib” imundo!” Posso imaginar o excitamento do general.

Vamos ao parágrafo de encerramento da mensagem do tal general:

 

Bem ,não vou falar mais nada, pois  poderia relacionar centenas de motivos e cenas  que presenciei INACREDITÁVEIS, COMO A FAMOSA REVERENCIA DIÁRIA  Á MECA, AS CELEBRAÇÕES DOS CASAMENTOS,,AS MESQUITAS,  OS TRAJES QUE USAM, O CAMISOLÃO QUE USAM  E QUE FAZEM  AS NECESSIDADES EM QUALQUER LUGAR  !!

É UM HORROR!!!

Em mal falando ,poderemos  também lembrar o  famoso  ,MARAVILHOSO  E AGRADÁVEL  estado islâmico querendo  fazer um CALIFADO,NA SÍRIA e IRAQUE!!!

Decapitando  seres humanos!!!!ELES SÃO MUITO  FANÁTICOS  E DESEJAM CONQUISTAR TODO O UNIVERSO!!!França e Holanda que digam!!!

Tambem,com todo o respeito, ao teu amigo , com o sobrenome de ABRÃO, de repente, seja mais um  ISLÂMICO!!!.Que ele me desculpe de minha sinceridade.

Saudações cordiais

 

Meu estimado amigo, não dá para acreditar que um general reformado possa ter escrito as palavras acima. Não, general, não o desculpo não. Tolero tudo, menos burrice.

Vamos fazer breves comentários sobre o que o general falou e vamos ensinar-lhe alguns fatos:

  • A reverência diária é a Deus e não à Meca. Meca é a Cidade Santa para onde todo bom muçulmano deve se dirigir ao orar para Deus. Isso é para manter a unidade do povo. Usando um termo militar para que o general entenda melhor, é como se fosse ordem unida, meu general.  Procure ver no Youtube um grupo de muçulmanos orando e verás que todos eles seguem o imã (o líder que conduz as orações) nos movimentos ritualísticos.
  • As mesquitas são os templos (igrejas) dos muçulmanos, general. Tem muitas que são famosas pela sua beleza arquitetônica e são visitadas por milhões de turistas cristãos e ocidentais. Não sei o que o senhor viu de errado nelas. O que o senhor disse é o mesmo que algum idiota dizer “aqueles católicos vão orar na Catedral de Notre Damme! Que horror!” A propósito, Notre Damme fica em Paris, general.
  • O que tem de anormal nos casamentos muçulmanos, general? Tem a cerimônia religiosa, tem festa, tem comilança, tem música, tem dança, tem presentes, como qualquer casamento no mundo. Só não tem o “Aí vem a noiva” de Richard Wagner.
  • Agora a parte em que os muçulmanos “fazem as necessidades em qualquer lugar”.  Essa é de gargalhar. Quando o general esteve lá na Faixa de Gaza, no início da década de 60, provavelmente ele viu algum beduíno largar o seu camelo no meio do deserto e foi evacuar atrás de uns cactos.  É que não tinham ainda inventado privadas a cada cinco quilômetros pelos caminhos do deserto. Mas agora a coisa mudou, general. Os beduínos não mais andam de camelo. Andam motorizados. Aqueles do Golfo, então, andam muito bem Mercedes, Porsch, Ferrari, Bentley, Rolls Royce, etc.  Portanto, agora eles podem chegar em suas casas mais rápido e podem cagar sossegados, sem ferirem a sensibilidade de um civilizado ocidental.
  • Quanto ao grupo terrorista que o general mencionou, o Estado Islâmico, e outros, não representam o islã e são veemente rejeitados pela maioria esmagadora dos muçulmanos. Seria o mesmo que dizer que a Klu Klux Klan representa o cristianismo. Ou que aquele pastor que levou centenas de seguidores ao suicídio é a representação perfeita do cristianismo.

Por fim, não sou “islâmico”, general. Sou muçulmano. Adoro a um Deus único e rezo 5 vezes ao dia, sim, e em direção à Meca. Não me escondo. O meu amigo me conhece há quatro décadas e ele está autorizado a dar ao general o meu e-mail, meu endereço em Novo Hamburgo, meu telefone, etc.

Quanto ao general, eu poderia mover contra ele um processo por racismo, xenofobia, explicita intolerância religiosa, de conformidade com a Lei 7.716 de 5 de janeiro de 1989.

Mas não vou fazer isso, querido amigo. Primeiro, porque ele é teu amigo e tu és meu amigo. Segundo, porque ele deve ser um velhinho passando dos oitenta e ninguém vai prestar atenção à insensatez que ele diz e à defecação que ele faz pela boca.

É isso aí.

 

AS QUATRO PORTAS DE SAÍDA PARA A QUESTÃO PALESTINA-ISRAELENSE

AS QUATRO PORTAS DE SAÍDA PARA A QUESTÃO PALESTINO-ISRAELENSE

 

Está havendo uma terceira Intifada Palestina contra a ocupação israelense. Amigos meus continuamente me fazem a pergunta que já se tornou clássica: qual é a saída para o conflito entre palestinos e israelenses? Qual das partes possui na mão a chave da porta que dá acesso à saída do conflito?

Pois eu lhes digo, queridos amigos, que existem quatro portas de saída e cada uma das partes, palestinos e israelenses, tem chaves para essas portas. Fora essas quatro possibilidades não existe absolutamente mais nenhuma e uma delas terá que ser adotada e aceita por ambos os lados. Vejamos as quatro portas.

Porta Nº 1: Essa é a preferida de Benyamin Netaniahu e seus seguidores, adeptos do apartheid, da ‘cantonização’ e da confiscação de terras dos palestinos e, se possível, a expulsão deles dos territórios ocupados através de derrubamento de suas casas, queima de seus pomares e a constante hostilidade dos colonos judeus. Esse é o status quo na Palestina ocupada. É assim que Netaniahu e seus asseclas querem as coisas. Mas, paradoxalmente, quem tem a chave para essa ‘saída’ são os palestinos. Se os palestinos ficarem quietinhos em seus guetos, observando docilmente as bem estruturadas cidades judias, habitadas por colonos armados até os dentes a cercarem os seus guetos miseráveis, se toparem essa condição humilhante de não poderem circular em certas ruas e estradas que só os judeus circulam, se se calarem diante da degradação em que vivem, então terão a paz prometida por Netaniahu. Basta que os palestinos concordem com toda o aviltamento que o atual governo israelense está a lhes impor. Portanto, a chave dessa porta está nas mãos dos palestinos. Ou aceitam ou nada feito.

Porta Nº 2: Essa é a porta do acordo de Oslo, – a ilusão de dois países para dois povos, que até eu acreditei.  Os signatários do acordo foram assassinados. Itzhak Rabin foi morto por um extremista de direita israelense e Yasser Arafat foi envenenado sabe-se lá por quem. O acordo de Oslo, quando foi assinado, criou uma expectativa de alegria e esperança nos lares palestinos e muitos lares judeus. Afinal, os palestinos teriam o seu país, formado pelo pequeno território da Margem Ocidental do Jordão e pela minúscula Faixa de Gaza. Todo esse território não daria seis mil quilômetros quadrados. Bem menor do que Lagoa dos Patos. A capital do país seria Jerusalém Oriental. Em Gaza haveria um aeroporto internacional e um porto e, talvez, contando com um pouco de generosidade e grandiosidade dos israelenses, seria construída uma autoestrada ligando Gaza a Hebron, atravessando o território israelense, de um pouco mais de 60 quilômetros. O que ligaria um estado palestino a outro num percurso de uma hora de carro, no máximo. Os palestinos festejaram a ideia. Muitos israelenses também. Mas daí veio o partido direitista Likud e rasgou o acordo e defecou em cima dele. Não valeu nem o papel que foi gasto para redigi-lo. Quem tem a chave dessa porta é o governo israelense. Mas eles fizeram a coisa de tal forma que agora tornou-se irreversível. Como tirar os quase quatrocentos mil judeus que estão nessas cidades-fortalezas na Cisjordânia? Os palestinos terão que aceitar o fato consumado.

Porta Nº 3: Essa é a minha favorita. Criar um estado para os dois povos. Um estado binacional e laico. O nome poderia ser Estado Federativo de Israel/Palestina. A bandeira deveria ser modificada de forma a incluir os símbolos dos dois povos. Um estado cuja capital seria Jerusalém. Os judeus a chamariam de Yerushalaim e os árabes a chamariam de Al-Quds (a santificada). Um estado bilíngue, assim como são a Suíça, a Bélgica, o Canadá e mais alguns outros por aí. Os palestinos elegeriam um presidente e os judeus elegeriam um primeiro ministro. Ou vice-versa. O parlamento seria composto por metade de judeus e outra metade de palestinos muçulmanos e cristãos. Direito de ir e vir para ambos os povos. Conceder o direito de retorno aos palestinos da diáspora (ao redor de quatro milhões) que querem voltar às suas cidades e aldeias da antiga palestina ou indenizar aqueles que não querem voltar. Pois assim como se concede o direito de retorno aos judeus que, supostamente, estiveram na Palestina há dois mil anos, também deve ser concedido o legítimo direito de retorno aos palestinos que de lá saíram há apenas 67 anos, muitos deles ainda estão vivos e ainda carregam as chaves enferrujadas de suas casas. Eu usei o advérbio de dúvida ‘supostamente’ aí em cima por que existem dúvidas sobre a presença na Palestina dos ancestrais desses judeus que vieram e continuam vindo da Europa para a Palestina/Israel. Dúvidas levantadas não por palestinos e nem por simpatizantes da causa palestina, mas sim por intelectuais e acadêmicos judeus, tais como Shlomo Sand, autor do best seller “A Invenção do Povo Judeu”, Noam Chomsky, Liliane Kaczerginski, Ralph Schoenman, que, como eu,  defende uma Palestina binacional e laica, e outros.

A chave dessa 3ª porta está nas mãos dos judeus sionistas. Entretanto, é difícil – senão impossível – imaginar-se Netaniahu e seus partidários, a essas alturas, em um rasgo de humildade e grandiosidade, desmanchar toda a estrutura do estado sionista, que prega um país só para os judeus, para formar um novo país, onde judeus, muçulmanos e cristãos pudessem viver em paz, com igualdade de direitos e obrigações, sem apartheid, sem opressão de um povo sobre o outro. A grandiosidade e a magnanimidade têm que vir da parte mais forte. No caso, Israel.

Por fim, temos a porta Nº 4, que aconteceria se nenhuma das outras três forem abertas. Essa porta envolveria outros atores: Irã, Rússia, China, Síria (apesar de sua atual desestruturação), Hezbollah no Líbano, a Resistência Palestina e quem sabe o Iraque, de um lado. Do outro, teríamos Israel, Estados Unidos, Arábia Saudita, Emirados Árabes, Catar e talvez a Grã-Bretanha que é marionete dos Estados Unidos. Daí, o furo é mais embaixo. Não quero nem pensar nas consequências.  Seria a hecatombe.

 

 

COM PROCURAÇÃO OUTORGADA POR ISRAEL E ESTADOS UNIDOS, A ARÁBIA SAUDITA DESTRÓI O IÊMEN.

Com procuração outorgada por Israel e Estados Unidos, a Arábia Saudita destrói o Iêmen.

 

O Iêmen é um país localizado no extremo sul da Península Arábica e é um dos mais empobrecidos dos países árabes. Mas é um país de história briosa. Quando toda a península aRÁBICA ainda era habitada por tribos nômades, ali já existia o reino de Sabá, da Rainha Balqis, o reino dos Humairitas e outros mais.

Quando ainda a Península Arábica vivia no obscurantismo pré-islâmico, tribo lutando contra tribo por um olho d’água, ou por uma jovem raptada ou ainda quando se enterrava recém-nascidas por se temer a desonra, o Iêmen já tinha suas cidades bem construídas, com adiantadas infraestruturas, com alfabeto e leis estabelecidas e um sistema governamental organizado.

Na verdade, o Iêmen é o útero onde foram geradas a língua e a civilização árabes.  Mesmo na era moderna, o árabe falado – até mesmo pela população iletrada – nas ruas de Sanaá, a capital, está mais próximo do árabe clássico corânico do que em qualquer outro país árabe. Portanto, o Iêmen é infinitamente mais nobre do que a Arábia Saudita. Tem mais berço, mais altivez e é mais árabe!

Mas o Iêmen está empobrecido. Tem poucos recursos naturais. A maioria do povo vive muito próxima da linha da miserabilidade. Então, por que a Arábia Saudita está bombardeando o país?

Olhem bem o mapa e vejam onde está localizado o Iêmen. Entre o Iêmen e o Djibuti  e a Eritréia está o estreito de Bab al-Mandeb, que dá passagem do Oceano Indico, através do golfo de Áden, para o mar vermelho. Por ali passam todos os navios que trazem e levam mercadorias do comércio entre Israel e todos os países asiáticos. O porto de Eilat, a entrada de Israel para o Oriente, fica lá em cima no Mar Vermelho. Estão percebendo a importância geopolítica do estreito do Bab al-Mandeb?

Então a CIA e o Mossad articularam um plano. Por que não explorar o ódio que os wahabitas têm contra os xiitas? Quem conhece um pouco o islamismo sabe que a seita wahabita, predominante na Arábia Saudita, considera hereges os xiitas, e até os sunitas que não seguem as doutrinas deles. Como hereges, devem morrer para expiar os pecados. Daí os assassinatos e as degolações em massa que ocorrem na Síria e no Iraque.  Mas essa é outra questão.  Falando da população iemenita, aproximadamente 40 por cento é xiita do ramo zaidita e 60 por cento são sunitas da escola shafie. Há uma minoria judaica e cristã.

Junte-se o ódio wahabita e o ciúmes da Arábia Saudita pela crescente influência do Irã (xiita) em alguns países árabes, inclusive o Iêmen, Israel e Estados Unidos têm, então, os componentes exatos para fazer com que a Arábia Saudita bombardeie o Iêmen. A ideia é evitar que o Irã domine o estreito do Bab el Mandeb fechando a entrada e saída de mercadorias de e para Israel. Portanto, como sempre , a ideia é proteger Israel.

A Arábia Saudita recebeu luz verde dos americanos. Com a desculpa de “restaurar a ordem e a legitimidade constitucional” recolocando o presidente corrupto, deposto e fugitivo, Abd Rabbo Mansur Hadi, iniciou-se a destruição do Iêmen. Dezenas de modernos F-16 têm atacado diariamente áreas residenciais, escolas, hospitais, estradas, aeroportos, mesquitas, até shoppings. Enfim, toda a infraestrutura vital do Iêmen está sendo destruída.

E não há como ajudar o Iêmen, por enquanto. A Arábia Saudita impôs um cerco aéreo e marítimo sobre o país atacado. Recentemente um avião iraniano carregado de alimentos e remédios foi impedido de pousar no Iêmen. Diante da insistência do piloto, os F-16 sauditas bombardearam as pistas do aeroporto para evitar que ele pousasse.

Mas apesar desses ataques cruéis e indiscriminados, o legítimo exército iemenita e as forças populares têm avançado sobre o seu território, recuperando áreas antes dominadas pela Al-Qaeda (a mãe do Estado Islâmico) e os partidários do presidente fujão. Os iemenitas já atacaram forças militares sauditas postadas na fronteira matando muitos soldados sauditas e destruindo pesados equipamentos militares. Portanto, os iemenitas resistem ao contínuo bombardeio saudita. Não só resistem, como reconquistam terrenos.

O desejo dos sauditas é entrar em combate direto contra os iemenitas, em território iemenita. Mas não se atrevem. Eles conhecem a capacidade combativa e o valor do homem iemenita. O que fazer então? Estão tentando “alugar”, a peso de bilhões de dólares, um exército que faça a invasão terrestre por eles. Foram ao Paquistão, onde existe a influência wahabita em alguns setores da população (lá é o berço do Talibã), para pedir que forças paquistanesas fizessem parte de uma coalizão para invadir o território iemenita. O congresso paquistanês, sabiamente, impediu. Tentaram também o Egito, para quem os sauditas têm doado bilhões e bilhões de dólares. Afora algumas incursões aéreas, o Egito não quis comprometer o seu exército numa invasão territorial. Então emissários sauditas continuam circulando pelo mundo muçulmano, carregados com sacos de dinheiro, tentando alugar algum exército para invadir o Iêmen. Parece que, finalmente, conseguiram seduzir o Senegal para mandar alguns milhares de soldados para o combate em terra e decidir de vez o destino da guerra a favor dos sauditas e dos patrões americanos e israelenses.

Os sauditas e seus aliados vão vencer? As perspectivas não indicam isso. O Irã não pretende ficar de braços cruzados para sempre. Seus navios de guerra já estão no Golfo de Àden, às portas do Bab el Mandeb. Qualquer provocação pode gerar um confronto de proporções gigantescas. Certamente a ONU deverá ordenar que a Arábia Saudita e Estados Unidos parem com a agressão. O grito das nações de bem do mundo deverá fazer efeito e o Iêmen deverá continuar independente, fazendo alianças com quem o seu povo soberano desejar..

COMO NASCEU O “ESTADO ISLÂMICO”

Como nasceu o “Estado Islâmico” e

Quais são seus objetivos

 

No princípio, Deus criou o petróleo sob as areias dos desertos. Até então, os beduínos da Península Arábica eram felizes, alimentavam-se de tâmaras e leite de camela. Ninguém os incomodava e eles não incomodavam ninguém.  Nem os turcos otomanos se interessavam por eles. Mas Deus queria vê-los mais felizes e, então, criou o petróleo.

Em seguida, Deus criou a extrema necessidade do petróleo nas nações ocidentais. E com isso incutiu-lhes a ambição de se apoderar daquela riqueza. Foram pedir ajuda aos árabes para derrotar os turcos otomanos na 1ª Guerra Mundial. Os árabes toparam com a condição de que os ingleses e franceses, na época as duas superpotências ocidentais, concordassem em que o Xarife de Meca, Rei do Hijaz, Hussein Bin Ali (naquela época ainda não existia a Arábia Saudita) fosse proclamado o califa de um vasto império muçulmano que iria do Hijaz até o Marrocos. Os ocidentais (França e Inglaterra) concordaram e, então, os turcos, muçulmanos como os árabes, foram derrotados em 1918.

Parece, entretanto, que Deus não gostou do fato dos árabes traírem seus irmãos de fé, os turcos, e resolveu castigá-los severamente. Acontece que os ocidentais estavam preocupados com o fato de que se o petróleo ficasse nas mãos de um império gigantesco, como seria o califado sonhado pelo xarife de Meca, a qualquer momento os árabes poderiam cortar aquele liquido pastoso negro que alimentava a revolução industrial que acontecia na Europa. Portanto, na surdina, o diplomata francês François George Picot e o britânico Sir Mark Sykes, tramaram a traição aos anseios do Rei do Hijaz  e decidiram dividir as províncias árabes que estavam sob o domínio dos otomanos entre si, como zonas de influência. Esse acordo – conhecido internacionalmente como o acordo Sykes-Picot – foi firmado em 1916, portanto dois anos antes do término da guerra.

Paralelamente, para maior castigo dos árabes, já no fim do século XIX, nascia um movimento na Europa chamado de sionismo, que clamava por um lar nacional só para os judeus. Havia 3 opções. Dar aos judeus uma parte da atual Uganda, na África; Ou um pedaço da Amazônia, no Brasil; Ou um pedaço da Patagônia, no sul da Argentina. Mas acontece que os ingleses e franceses, como raposas políticas que são, começaram a pensar no futuro. A preocupação era: e se surgir um líder nacionalista carismático que possa reunir todos os árabes sob uma única causa e bandeira? “Dividir os árabes em países tribais não basta!” pensaram eles. “Teremos que criar uma vasta e poderosa base militar para sufocar qualquer movimento nacionalista árabe que possa surgir!” Então, por que não dar a Palestina aos judeus? É um território que divide os árabes da Ásia dos Árabes do Norte da África e o país dos judeus deverá ser muito bem armado de forma que possa atacar qualquer país árabe que levantar a crista. E então a ONU (ou melhor, o Ocidente) criou Israel.

A essas alturas, os americanos já tinham entrado no cenário mundial como a maior força bélica do mundo. Adotaram Israel como a menina dos olhos e superbase americana para proteger seus interesses (leia-se petróleo) no Oriente Médio.

Mas vocês hão de me perguntar o que tudo isso tem a ver com o Estado Islâmico? Calma, já chegaremos lá.

Vamos para o outro lado da história. Aquele que era para ser o monarca do grande califado islâmico que deveria abranger todo o Oriente Médio, o rei do Hijaz, Hussein Bin Ali, foi exilado e morto em Istambul. Enquanto isso, os Bani Saud, o clã dos Saud, com o apoio do movimento religioso ultraortodoxo wahabita, partindo de Riadh, conquistavam Nejed, Hijaz (Meca e Medina), Hassa, Al-Qatif e outras. Surgiu daí, em 1932, a atual Arábia Saudita, que nada mais é do que um gigantesco feudo da família Saud. O nome Saudita vem do clã Saud.

Convém esclarecer, em poucas linhas, o que é o movimento wahabita ou a ideologia deles. Essa seita foi fundada no século XVIII por um fanático chamado Mohammad Abdel Wahab, uma espécie de Antonio Conselheiro das arábias, guardado o devido respeito pela figura histórica brasileira. Na interpretação desvirtuada do islamismo, eis alguns dos pensamentos wahabitas: a mulher tem que estar totalmente coberta (trajando a burqa); para sair à rua tem que estar acompanhada por um homem da família (marido, pai, irmão, filho, avô); ela não pode exercer nenhuma profissão que atenda a homens. Por exemplo, se for médica, tem que medicar somente a mulheres, se for professora tem que ensinar somente a meninas. E o pior: o wahabismo considera os outros muçulmanos, mesmo os sunitas que não seguem a filosofia deles, como hereges. Muçulmanos xiitas, alauítas, drusos, etc., então nem se fala. São considerados apóstatas e idólatras e devem ser mortos por decapitação e mais modernamente por tiro na nuca. Há outras interpretações e rituais que deferem da maioria dos muçulmanos que não convém citá-las aqui para não perder tempo.

Bem, é essa a seita à qual o clã dos Saud deve a sua vitória e, consequentemente, obediência aos seus clérigos.

Voltemos, pois, a Israel. A entidade sionista jamais foi engolida pelo povo árabe, a despeito de alguns governos árabes fazerem com ela acordos de paz. O mais feroz inimigo de Israel é o eixo Irã-Siria-Hezbollah-Resistência Palestina. Israel já experimentou o amargor de perdas significativas perante o Hezbollah e a Resistência Palestina em Gaza. Atualmente, a maior ameaça à existência da entidade sionista chama-se Hezbollah, cujo poderio de fogo pode atingir cidades inteiras por todo o território da Palestina ocupada.  Mas de onde vem o armamento do Hezbollah e da Resistência Palestina? Vem do Irã. Mas por onde? Pela Síria, cujo governo apoia por todos os meios a resistência contra Israel.

Pois bem. Israel, os americanos, os ingleses, os franceses, os turcos (que sonham em restaurar o antigo Império Otomano) os sauditas e catarianos (que não desejam o domínio do Irã na área) pensaram: “Precisamos proteger Israel!” De que forma? Cortando um dos elos do eixo Irã-Siria-Hezbollah-Resistência Palestina. Então, o Mossad, a CIA, o serviço secreto de Sua Majestade do Reino Unido, o serviço secreto francês se reuniram e resolveram aproveitar a malfadada “Primavera Árabe”, que mais tarde se revelou ser um rigoroso e mortal inverno, para derrubar o presidente Bashar al Assad. Arregimentaram dezenas de milhares de criminosos nas favelas do mundo muçulmano e também muçulmanos de países europeus para combater o regime “apóstata” do alauíta Bashar al Assad. Qual era a compensação? Se o cara sobrevivesse estaria rico com os milhares de dólares que lhe seriam pagos. Se morresse, seria considerado um mártir e ascenderia direto ao Paraíso onde setenta virgens o aguardariam, de acordo com a fátwa, (decreto) dos clérigos wahabitas da Arábia Saudita e Catar. Tentaram, tentaram, tentaram, mas não conseguiram derrubar o Bashar al Assad, pois o homem goza  de uma popularidade elevada (80%) no seio do seu povo. O que no início parecia ser uma revolta popular síria revelou-se, mais tarde, ser nada mais do que o ajuntamento de dezenas de milhares de terroristas vindos de 87 países diferentes, inclusive do Brasil, para fazer uma guerra de desgaste contra a Síria, enfraquecer o seu exército e deixá-lo inoperante numa presumível frente contra Israel. A esses terroristas foram dados vários nomes: O Estado Islâmico do Iraque e Síria, Jabhat Al Nusra, Ahrar al Sham, o Exército Livre da Síria, etc. Todos eles têm a mesma ideologia emanada dos púlpitos wahabitas da Arábia Saudita e do Catar, que além da ideologia, bancaram com petrodólares as armas usadas pelos terroristas. A logística para beneficiar os movimentos dos terroristas foi e está sendo fornecida por Israel e Estados Unidos. Aliás, Israel, não só alimenta os terroristas com dados captados por seus satélites, como também dá cobertura aérea a eles. É por isso que de vez em quando há um ataque da aviação israelense contra os soldados sírios aqui e acolá. Além do mais, Israel já recebeu centenas de feridos dos terroristas em seus hospitais, medicando-os e merecendo inclusive a “gentil” visita de Benjamin Natanyahu e o ministro de Guerra de Israel, Moshe Yaalon.

E o papel dos turcos? Barbada! É deixar entrar os terroristas pelas suas fronteiras para combater na Síria e no Iraque.

Então quer dizer que o Estado Islâmico e seus assemelhados não representam perigo para Israel? Exatamente! Pelo contrário, o EI serviria como uma “buffer zone”, uma área de mais ou menos sete quilômetros de largura a proteger Israel de um presumível ataque do exército sírio por terra.  No ideário do EI e seus assemelhados não existe a libertação de Jerusalém do domínio dos sionistas. Existe, sim, e com muita ênfase, a conquista de Meca e Medina, pois um califado só terá validade religiosa se o seu califa tiver uma das cidades santas como sua residência.

Êpa! Então o monstro pode virar contra seu criador, ou melhor, contra seus criadores? Exatamente! E é isso que os americanos, franceses, ingleses, sauditas, turcos, etc. estão temendo. O EI está fugindo ao controle. Já degolou ingleses, americanos, franceses, japoneses, árabes, kurdos, muçulmanos, cristãos, etc. A história de Frankestein se repete.  E para desgosto de Israel, o EI está perdendo terreno nos combates frente ao exército sírio que tem o auxílio do Hezbollah e conselheiros iranianos.

Acreditem, ainda veremos os Estados Unidos e o Ocidente pedindo arrego, veladamente é claro, e agradecendo à Siria, ao Hezbollah e aos iranianos por estarem  combatendo o EI.

Só Israel vai ficar apavorada. Agora os iranianos e o Hezbollah já estão no Golan.

 

 

 

 

SÍNTESE DA QUESTÃO PALESTINA

 

SÍNTESE DA QUESTÃO PALESTINA

 

 

Em primeiro lugar, amigo, analisando a questão pela ótica bíblica. Pois, vamos lá. Quando os hebreus invadiram aquele território a ferro e fogo, como você bem disse, ali já habitavam os filisteus e os cananeus. Quem são os filisteus e os cananeus senão os ancestrais dos atuais palestinos? Aliás, foram os romanos que deram o nome de Palestina à região baseados na população de filisteus (ou filastinos). Essa mescla de povos, no início adotou a religião monoteísta que era o judaísmo. Alguns séculos depois uns poucos adotaram o cristianismo.

Entretanto, como naquela época não havia fronteiras exatas, outros povos semitas se misturaram àquela composição. No correr dos séculos, árabes, que professavam a religião cristã, vindos da Península Arábica, mesclaram-se aos grupos que ali estavam.

Mais tarde, no século VII, foi introduzido o islamismo na região, com a entrada do segundo Califa do Islão, Omar ibn Al-Khattab.

Portanto, o povo que habitava a região era formado por cristãos, judeus e muçulmanos. Os muçulmanos tornaram-se maioria, ou pela conversão de alguns cristãos e judeus, ou por um maior fluxo de muçulmanos vindos da Península Arábica. Então, formou-se uma população étnica e culturalmente uniforme, falavam a mesma língua, o árabe, e tinham os mesmos hábitos e costumes, E passaram todos a se chamarem palestinos e viviam em perfeita harmonia. Em palavras mais simples, os muçulmanos eram palestinos que professavam a religião islâmica e formavam 80% da população. 13% eram palestinos que professavam a religião cristã e 7% eram palestinos de religião judaica. A língua comum era o árabe. Não se usava outra língua a não ser em rituais religiosos. Todos viviam em paz, socializavam entre si, comercializavam, e, de vez quando, até acontecia um casamento inter-religioso.

No final do século 19, foi descoberto o petróleo no Oriente Médio. Como aquela região estava sob o domínio do Império Otomano, fazia-se necessário que o Ocidente (Inglaterra e França na época) se apossasse daquela riqueza. Foi essa uma das razões, além de outras, que levou o Ocidente a pedir a ajuda dos árabes para combater os turcos otomanos. Embora os turcos tivessem em comum com os árabes a religião (o islamismo), eram incomparavelmente cruéis com os povos que dominavam.  Então, os árabes viram nessa aliança com o Ocidente a oportunidade que eles aguardavam para realizar o seu grande sonho: fundar o grande califado que iria do Golfo Pérsico até o Norte da África.

Paralelamente, surgia na Europa, no final do século 19,  o movimento sionista que tinha por objetivo criar uma pátria para os judeus perseguidos na Europa cristã.  Eles tinham quatro opções. Um pedaço da Amazônia brasileira, ou um pedaço do antigo Congo Belga, ou uma porção da Patagônia, no sul da Argentina e, por último, a Palestina. Só que a Palestina tinha sua população nativa composta de muçulmanos, cristãos e judeus. Repetindo, eram árabes cuja maioria professava o islamismo, outros o cristianismo e outros o judaísmo.

Voltemos ao final da 1ª Guerra, quando os aliados derrotaram os turcos. Ao invés de cumprir com a promessa aos árabes, o Ocidente (Inglaterra e França) decidiu dividir todos os territórios, que linguisticamente eram considerados árabes, em vários países (ver o acordo Sykes-Picot). Dessa forma, poderiam dominar o petróleo árabe recém descoberto.

Mas e se de repente surgisse um líder nacionalista que tivesse a força carismática suficientemente forte para unir todos aqueles árabes? (Como mais tarde veio a surgir Gamal Abdel Nasser com o seu pan-arabismo) Daí, então, juntaram-se as duas forças. O Ocidente querendo dominar o petróleo árabe e os sionistas querendo fundar um país só de judeus.

Ficou decidido, então, que os judeus da Europa teriam a Palestina como seu país. Formariam um país fortemente armado com armas ocidentais. A essas alturas, já tinha surgido a maior potência bélica do planeta que são os Estados Unidos, cujo “lobby” judeu trabalhou e ainda trabalha para que os americanos mantenham Israel. Mas alguns países se perguntavam o que fazer com a população nativa da Palestina, já que tinha sido uma grande mentira a ideia de que os judeus da Europa eram um povo sem terra que iriam para uma terra sem povo? Na verdade, as grandes cidades de Israel hoje, eram até antes da fundação do Estado de Israel, cidades árabes. Jerusalém, Lod, Haifa, Jaffa, Ashkelon, Nazaré, Belém, etc. eram cidades habitadas majoritariamente por árabes.

E então começou a primeira guerra entre árabes e judeus, em 1948, vencida pelos segundos, melhor armados e melhor instruídos, fazendo uso de massacres em cidades e  aldeias palestinas para fazer a população palestina abandonar suas casas. Assim, Israel conquistou mais um bom pedaço da antiga Palestina, além daquele que lhe tinha sido destinado pela ONU (ou Liga das Nações, na época).

Mas afinal, esses judeus europeus têm direito à Palestina? Categoricamente, não! Nem sequer são semitas, não têm nenhum laço com os povos que habitaram aquela região. Na verdade, esses judeus da Europa, os ashkenazim, são tribos da Europa Oriental (Hungria, Croácia, Polônia, Iugoslávia, Bulgária, România, Rep. Tcheca, Rep. Eslováquia, etc.) que, nos séculos VIII e IX, decidiram adotar uma religião monoteísta e optaram pelo judaísmo. Portanto, são judeus convertidos. Não têm nada a ver com os judeus do Oriente Médio que são os verdadeiros semitas.

Quanto aos lugares santos, a Igreja da Natividade, o Santo Sepulcro, a Mesquita al-Aqsa que sempre estiveram sob os cuidados dos árabes cristão e muçulmanos, os sionistas radicais, racistas e fascistas, querem esses lugares para si. A ideia deles é transformar toda a Palestina um país só de judeus, sem muçulmanos e sem cristãos. O mundo está deixando eles realizarem esse crime.

 

 

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