ISRAEL: O COMPLEXO DE CULPA DA EUROPA

     Em vários escritos eu já expliquei sobejamente a razão da existência de Israel onde é o território da Palestina histórica. Mas vou mencionar, novamente, algumas das razões principais já citadas.

     Depois da 1ª Guerra Mundial, com a derrota dos Otomanos, os aliados – Inglaterra e França – decidiram dividir todos os territórios árabes que pertenciam ao Império Otomano. Uma gigantesca área que ia do Golfo Pérsico até o Oceano Atlântico. Ou seja, um pedaço do globo terrestre que começava lá em baixo na Península Arábica, onde é o Iêmen, passando pela atual Arábia Saudita, subindo ao Iraque, Síria, Palestina Egito, atravessando o rio Nilo, até a Mauritânia.

     Receando que aquele imenso território pudesse se unir um dia e formar um novo califado, a Inglaterra e a França decidiram aplicar o conceito de imperador romano Julio Cesar “divide et impera”, ou seja, dividir para governar. O receio dos europeus pela união dos árabes cresceu com a descoberta do petróleo na região. Havia o temor que algum líder árabe, nacionalista e carismático, pudesse movimentar as massas para uma união, como veio a acontecer com Gamal Abdel Nasser do Egito.

     Só que Nasser veio muito tarde. Governou seu país de 1954 a 1970, quando faleceu. Fez várias tentativas para unir os árabes, mas todas foram em vão. Embora as massas árabes o adorassem, os governos dos países divididos e recém-criados, especialmente as monarquias, já estavam “contaminadas” com o vírus do orgulho tribal, atávico nos árabes até hoje. Esse apego à tribo, ao clã, supera o conceito de pátria entre os árabes. É muito difícil superar essa barreira que está sendo muito bem explorada pelas potências ocidentais que determinam as políticas das monarquias árabes. 

     Bem antes das duas guerras mundiais acontecerem, já no final do século XIX, um grupo de judeus não religiosos, liderados por Theodor Herzl, fundou o movimento sionista que tinha como objetivo criar um país só para os judeus. Essa ideia agradava aos europeus, que viam os judeus como nocivos aos seus países e os culpavam por todos os problemas de qualquer ordem, que existiam no continente.

      Na verdade, os judeus vinham sendo perseguidos há séculos pelos mais variados tipos de governo na Europa. Desde quando os visigodos dominaram a Península Ibérica os judeus eram perseguidos e maltratados, tanto foi que eles ajudaram os árabes a conquistar a Ibéria no início do século VIII. Muitos autores judeus afirmam que um dos períodos áureos do judaísmo foi a época do domínio muçulmano na Espanha e Portugal.

     A perseguição aos judeus continuou através dos séculos. Basta olharmos para as inquisições que aconteceram na Idade Média, as torturas para forçar a conversão deles ao catolicismo, a queimação em fogueiras e a expulsão deles da Espanha, junto com os árabes, pelos reis católicos.

     Mesmo na literatura mundial vemos uma visão anti-judaica claramente exposta, por exemplo, na obra O Mercador de Veneza, do grande poeta e dramaturgo inglês Wiliam Shakespeare. Nessa obra do maior escritor da língua inglesa, o agiota judeu Shylock é pintado como um ser abominável e cruel. A narrativa do bardo inglês conta que quando Shylock foi procurado pelo mercador falido, Antonio, para pedir dinheiro emprestado porque queria cortejar sua amada Portia, o agiota condicionou o empréstimo a que Antonio pagasse com pedaços de sua própria carne.

     Por fim, veio o nazismo que foi a gota d’água. Na realidade, o nazismo expôs à luz do dia aquilo que estava oculto no DNA europeu. Ou seja, a verdade de que os judeus nunca foram benquistos na Europa.

     Portanto, como podemos observar, três fatores se juntaram para a fundação de Israel. Primeiro, a decisão das potências ocidentais, vencedoras da 1ª guerra mundial, de dividir os países árabes. Segundo, o movimento sionista que pregava a fundação de um país só para judeus, de forma que ficassem livres das perseguições na Europa.  Terceiro fator, o desejo camuflado da Europa se livrar dos judeus.

     Inicialmente, as quatro opções para o estabelecimento de um país para os judeus eram: 1) um pedaço da Amazônia brasileira; 2) uma parte da Patagônia; 3) um território na África que seria hoje Uganda. Mas prevaleceu a 4ª opção que era a Palestina histórica.

     Por que a escolha recaiu sobre a Palestina? Em primeiro lugar, o país judeu seria enxertado como uma cunha a dividir os árabes da Ásia menor dos Árabes do Norte da África, impedindo-os de se unirem territorialmente. Armado, financiado e instruído pelos ingleses, franceses e, mais adiante, pelos americanos, Israel se tornaria uma poderosa entidade para policiar os árabes, impedindo qualquer levante contra os exploradores ocidentais.

     Com a entrada dos Estados Unidos como forte protagonista no Oriente Médio, logo após o término da 2ª Guerra Mundial, Israel transformou-se praticamente no 52º estado americano. Está distante do continente assim como estão o Alaska e o Havaí. Tem língua e leis diferentes, mas goza da mesma proteção que qualquer estado americano.

     Ou talvez possamos chamá-lo de um estado associado como é Porto Rico. Ou uma base militar, como o são a Ilha de Guam, a Samoa Americana ou as Ilhas Virgens. O fato é que Israel é a mais poderosa base americana no planeta. Por isso, cada bomba, cada avião, cada peça de armamento e munições que a entidade sionista gasta ou perde, é imediatamente reabastecida pelos americanos.

     Portanto, se Israel não quer que os palestinos tenham o seu país independente, os Estados Unidos dizem amém. Se Israel bombardeia as cidades palestinas, prende e tortura homens, mulheres e crianças palestinas, os americanos fecham os olhos, porque “Israel tem o direito de se defender!”. Se Israel abocanha cada vez mais do pouco que restou do território palestino, expulsa os palestinos, demole suas casas, queima suas plantações, pratica o apartheid, os americanos não dão a mínima.

     E a Europa? A Europa Ocidental é a cadelinha dos Estados Unidos. O que os americanos dizem a Europa concorda incondicionalmente. Isso porque toda a Europa, e a Alemanha especialmente, sofre de um incurável complexo de culpa pelo sofrimento que causaram aos judeus durante séculos. Assim sendo, o genocídio e a limpeza étnica que Israel causa aos palestinos é uma espécie de catarse europeia e uma expiação de seu pecado maior.

     E a ONU? A Organização das Nações Unidas não é uma organização de nações unidas. Nunca foram unidas.  Quem manda ali dentro são os Estados Unidos. A maioria obedece. Por enquanto.

     E os palestinos. Os libaneses e todos os árabes vão pagando pelos pecados dos europeus.

O DNA DOS ISRAELENSES E DOS PALESTINOS

O DNA DOS ISRAELENSES E DOS PALESTINOS
A Universidade Johns Hopkins, uma das mais prestigiadas instituições acadêmicas dos Estados Unidos e do mundo, fez um estudo genético (DNA) dos judeus que vivem em Israel (Palestina) e constatou que 93% da população o DNA deles não revela qualquer ligação com os hebreus antigos. Consequentemente, não são semitas e não têm nenhuma conexão com a antiga Palestina.
Por outro lado, o mesmo estudo revelou que 80% da população palestina carrega o DNA dos antigos hebreus e são, portanto, os verdadeiros semitas e donos da terra.

TRUMP FOI PEGO COM AS CALÇAS NAS MÃOS

Gilberto Feres Abrão 
TRUMP ESTÁ COM AS CALÇAS NA MÃO

Well, Donald Trump foi pego de saia justa ou com as calças na mão, já que, presume-se, ele é homem e não usa saia.
Pois leiam a história. Ele reavivou a economia dos Estados Unidos de tal forma que abriu vinte milhões de vagas de trabalho e o PIB americano saltou cinco pontos. Até alguns democratas ficaram ao seu favor e passaram a admirá-lo como um grande presidente administrador.
Mas não há nenhuma genialidade nisso. Ou será que há? Vejamos. Esse crescimento vertical aconteceu graças às vendas de armas à Arábia Saudita. Afinal de contas, quinhentos bilhões de dólares americanos – vou colocar em algarismos para que vocês vejam quantos zeros há: US$ 500.000.000.000. – levanta qualquer economia.Para vocês terem uma ideia esse número representa mais de duas vezes o total de exportações do Brasil em 2017.
Com esse gigantesco arsenal a Arábia Saudita quer se preparar para uma guerra contra o Irã e está. há quatro anos. destruindo o Iêmen. Além de armar e financiar grupos terroristas na Síria, no Iraque, na Líbia e outros países do Oriente Médio.
Tudo estava a correr às mil maravilhas para Trump. Em seus discursos por vários estados americanos, na campanha para as eleições legislativas, ele tem repetido constantemente que os países do Golfo Pérsico (Arábia Saudita, Emirados Árabes, Qatar, Bahrain e Kuwait) estão sentados sobre trilhões de dólares e ele quer “ordenhá-los” todos para defendê-los. Recentemente, ele disse a uma multidão no estado de North Carolina: “Hoje liguei para o rei (saudita) e disse-lhe: rei, se vocês querem que nós os defendamos, vocês têm que pagar pela nossa defesa! Vocês estão sentados em cima de trilhões de dólares! Vocês têm que pagar!” A multidão o aplaudiu longa e embasbacadamente. Trump estava querendo garantir uma “ordenha” do dinheiro saudita para cinco décadas no minimo.
Mas nem sempre os ventos sopram conforme os desejos da Grande América.
O regime saudita é um regime de terror. Costumam caçar seus opositores onde quer que estejam. Torturam e depois os matam com requintes de crueldade e sadismo inimagináveis
Há, ou melhor, havia um opositor chamado Jamal Kashooggi. Jornalista, opositor ao regime saudita, e constante articulista do Washington Post onde ele criticava o regime. Escrever artigos para o Washington Post não é para qualquer um. Portanto, Kashooggi tinha amigos dentro do congresso americano e amigos influentes dentro da administração americana, além do seu prestígio dentro dos meios de comunicação americanos. Assim sendo, o regime saudita resolveu eliminar Jamal Kashooggi. Como fazê-lo?
Com a desculpa de renovação de seus documentos para o seu segundo casamento com uma moça da Turquia, Kashooggi foi atraído para o consulado saudita em Istambul. Lá ele foi detido, torturado e depois morto por ordem do príncipe herdeiro saudita, Mohamad Ibn Salman. Dentro da sala de tortura havia o cônsul, que roubou o “I-watch” de Kashooggi, e quinze sauditas que vieram em dois aviões particulares para torturar e esquartejar a vítima.
O sofrimento de Jamal Kashooggi durou duas horas e meia. Toda a tortura, a morte e o esquartejamento estava sendo filmado e enviado diretamente ao príncipe herdeiro Mohamad Ibn Salman, que assistia sadicamente a operação. De vez em quando Ibn Salman questionava Kashoooggi e o insultava. Por fim, Kashooggi morreu. O príncipe, então, ordenou que fosse esquartejado e trazido para a Arábia Saudita. Mas não houve tempo. As autoridades turcas detectaram as comunicações e as filmagens entre o consulado saudita e Riadh, Imediatamente cercaram o consulado. Os criminosos só puderam levar as partes do corpo de Jamal Kashooggi para serem enterradas no quintal da casa do consul que ficava a 300 metros do consulado.
Estourou, então, o escandaloso crime cometido pelo governo da Arábia Saudita contra um opositor que gozava de prestígio internacional
Well, Trump está com uma granada sem pino na mão. O congresso está pressionando o presidente americano a punir a Arábia Saudita. Ele quer manter a postura do “americano justo” que pune os regimes que matam seus cidadãos. Mas ao mesmo tempo, está a pensar, pragmaticamente, nos bilhões de dólares que ele está “ordenhando” da Arábia Saudita. O que fazer?

TIA YEMNA MANDOU MENSAGEM DO PARAÍSO ATRAVÉS DO ARCANJO GABRIEL

 

TIA YEMNA MANDOU MENSAGEM DO PARAÍSO ATRAVÉS DO ARCANJO GABRIEL

 

Aqueles que leram o meu primeiro romance, “Mohamed, o latoeiro”, conheceram a personagem Yemna. Ela é a segunda personagem mais importante da história. Foi a irmã do herói Mohamed. Estivesse viva hoje, estaria com 112 ou 113 anos.

Pois a Tia Yemna, esporadicamente, mandava-me mensagens diretamente do Paraíso, dava-me conselhos e ensinava-me a cozinhar pratos árabes. Graças a ela, faço o melhor quibe cru e assado da região e ensinei minha mulher a fazer o mais gostoso charutinho de folha de parreira, de repolho ou de couve. Tia Yemna também me ensinou a fazer saladas gostosas além dos pratos quentes. E todas as suas receitas ela enviava através do Arcanjo Gabriel.

Na verdade, Tia Yemna sentia-se grata por eu divulgar o seu talento culinário neste século, através do meu primeiro romance. Aqueles que leram o “Mohamed, o latoeiro” encontraram ali várias receitas ditadas por ela. Falecida em meados da década de noventa, com mais de noventa anos, ela já tinha parado de cozinhar. Mas legou a sua arte às filhas e noras.

Tia Yemna tinha parado de me dar notícias por um longo tempo. Eu já estava sentindo saudades e estava um tanto preocupado. Matutava comigo, “será que cometi algum pecado grave? ”. Pelo que sei, os anjos não entram em casas de pecadores.  Muito menos o Gabriel, que é o chefe de todos os anjos. Eles repudiam casas impuras, conspurcadas por pecados vários.

Mas, surpreendentemente, na madrugada passada, enquanto escrevia no computador uma bobagem qualquer, olho pela janela para observar o absoluto silêncio nas ruas, e vejo uma luminosidade do tamanho de uma laranja se aproximando. À medida que se abeirava da minha janela crescia em tamanho. A viagem da laranja iluminada até a minha janela durou poucos segundos. Finalmente, vi a figura fulgurada do Arcanjo Gabriel se formar à minha frente.

– Gabi! Meu querido amigo! – gritei, cheio de entusiasmo e alegria –  Porra, cara! Eu estava com saudades de você!

– Assalamu Alaikum!  A paz esteja convosco, pecador e ingrato sobrinho!

Os anjos zelam pela linguagem correta e só falam o português castiço. Dei-me conta da minha gafe desrespeitosa. A minha informalidade derivava-se das constantes visitas do Arcanjo no passado. Por isso senti-me à vontade para usar um linguajar de baixo calão. Mas diante do seu olhar severo, me recompus e mudei o tom:

– E convosco esteja a paz, Santíssimo Arcanjo Gabriel! – Curvei minha cabeça em respeito. – Perdoe a ignorância desse velho servo de Deus!

– Trago-vos novas da tia Yemna!

– Ah, maravilha! E como está ela, Santíssimo?

O Arcanjo fitou-me nos olhos:

– Ela está bem! Desfruta dos deleites do Paraíso junto com o seu amado Hajj Abdalla! Entre uma lauta refeição e outra, regada a um bom vinho do Paraíso, eles praticam sexo!

– O quê?! – Gritei assustado. Mas imediatamente me refiz. – Perdoe-me, Santíssimo Arcanjo, mas como podem praticar sexo se ela deve estar com cento e quatorze anos ou mais e ele era vinte anos mais velho? Ele deve estar com cento e trinta e quatro…

Estremeci com o olhar e o grito do Santíssimo Arcanjo Gabriel:

– Restaure sua fé, ó herege! Não sabeis, por acaso, que no Paraíso de Alá os fiéis voltam à sua mais bela forma? Vossa tia Yemna está na plenitude dos seus dezoito anos, mais linda do que vós a descrevestes no vosso impudico romance. E ele, o Hajj Abdalla, é um garboso jovem de vinte anos e leva-a a passear pelos campos floridos do Paraíso, montados em um corcel branco brilhoso. Exatamente como ela sonhava quando jovem em Ain El-Jesh!

– Fico feliz, Gabi… Digo, Santíssimo Arcanjo, com essa boa notícia! Isso quer dizer que quando eu for ao Paraíso serei jovem, esbelto pesando trinta quilos menos e cabeludo?

– Isso acontecerá se vós entrardes no Paraíso, mas…

– Não precisa dizer mais nada, Santíssimo Arcanjo! Reconheço que sou um muçulmano faltoso. Mas confio na infinita misericórdia e clemência do Altíssimo Criador do Universo!

Senti novamente o olhar feroz e condenatório do Arcanjo Gabriel.

– Quando foi a última vez que recitastes Al-Fatiha, a abertura do Alcorão, pela alma de sua Tia Yemna?

Respondi com um sorriso amarelo vexado e abri os braços como quem diz “não sei! ”.

– Pois eu vos digo, faz mais de quatro anos que não recitas Al-Fatiha pela alma de sua tia. Mas ela assim mesmo vos ama, incrédulo!

Cabisbaixo, escutei pacientemente o sermão do Arcanjo Gabriel, que parecia infindável.

— E para ratificar o seu amor, ela me encarregou de vos entregar mais uma receita escrita pelo seu próprio punho.

– Mas Santíssimo, tia Yemna era analfabeta!

– Ela está no Paraíso de Alá agora, incrédulo!

– Ah, é verdade! Ela agora fala e escreve todas as línguas do mundo…

O Arcanjo Gabriel grunhiu algo que não entendi. Possivelmente alguma coisa me criticando no linguajar dos anjos. Em seguida, sacou de seu manto um papel escrito em árabe, com uma caligrafia digna dos calígrafos árabes que enfeitavam os portões dos palácios e das mesquitas do glorioso passado do califado abássida e do Andalus.

O Rei dos Anjos disse:

– Essa é uma receita de sopa para se enfrentar o severo inverno que estais a passar, filho.

Senti-me tranquilo ao ouvi-lo me chamar de “filho”. Ele continuou.

– É uma sopa de grão de bico, bem simples de preparar. Salam alaikum!

O Arcanjo largou o papel em cima da minha mesa. Flutuou até a janela e num piscar de olhos desapareceu. Eu só vi a laranja luminosa desaparecer no infinito do firmamento em menos de cinco segundos.

Li a receita que me veio do além, escrita em árabe, em bela caligrafia, escrita pela Tia Yemna, falecida há mais d trinta anos. Eis o conteúdo:

Sopa de grão de bico para 6 pessoas

– Meio-quilo de lombo de carneiro cortado em cubos. Refogar a carne com cebola em rodelas, alho picado, sal e pimenta do reino à vontade. E uso 5 a 6 dentes de alho.  Usar azeite de oliva.

– Colocar duas xícaras e meia de grão de bico a cozinhar em uma panela de pressão até os grãos amolecerem.

– Em seguida, colocar a carne refogada na panela de pressão. Acrescentar mais um tomate maduro picado, dos grandes (gaúcho). Deixar ferver por mais uns dez minutos.

– Cobrir a superfície da panela – ou da sopeira – com salsa e espremer um quarto de limão em cada prato servido.

É isso aí. A sopa de grão de bico de Tia Yemna. Bem simplesinha. Se gostarem, façam uma oração pela alma dela.

 

 

O ACORDO DO SÉCULO. OS PALESTINOS ACEITARÃO?

O ACORDO DO SÉCULO. OS PALESTINOS ACEITARÃO?

 

Está sendo chamado pelos americanos de “The deal of the century”. Pode ser traduzido também como o negócio do século, como preferem chamá-lo os israelenses, os sauditas, os Emirados Árabes Unidos e todos os países que giram na órbita americana, já que são eles os grandes e únicos beneficiários.

Particularmente, prefiro usar o termo ‘acordo’, um vocábulo mais ameno. Na verdade, entretanto, é uma combinação entre os americanos, israelenses, sauditas, emeritenses, egípcios e mais alguns aliados dos Estados Unidos. Os detalhes desse acordo estão sendo engendrados por esse eixo diabólico cuja intenção é forçar os palestinos a aceitá-lo.

Os palestinos e os povos árabes em geral – digo povos e não governos – estão chamando esse acerto de o novo plano “Sykes-Picot”, que após a Primeira guerra Mundial dividiu os Árabes em vários países. Para citar um exemplo, a Grande Síria antes da Primeira Guerra Mundial compreendia a atual Síria, o Líbano, a Palestina e grande parte da atual Jordânia. O acordo “Sykes-Picot” foi uma das mais trágicas páginas da história árabe. Uma traição dos então aliados, os ingleses e franceses, que enganaram os árabes, depois de esses terem ajudado os aliados contra o Império Otomano na Primeira grande Guerra.

A segunda calamidade na história dos árabes foi a “Nakba” – a “Catástrofe” – que gerou a fundação do Estado Sionista Israel em território palestino. Portanto, o “Acordo do Século” seria o terceiro golpe contra os árabes e especificamente contra os palestinos.

O que seria o “Acordo do século”? Em síntese, seria assim:

  1. Os palestinos abririam mão de todo o território da Margem Ocidental do Jordão, incluindo Jerusalém.
  2. As cidades árabes da Margem (Ramalla, Jenin, Hebron, El Bireh, Nablus, Jericó, etc.) teriam controle limitado, com governos para decidir questões internas somente, sem nenhuma autoridade para assuntos externos. Isso estaria sob controle de Israel. Portanto, a ideia original de se formar um Estado palestino com a Margem Ocidental do Jordão e mais Gaza,conforme o acordo de Oslo, estaria fora de cogitação. A Autoridade Palestina seria desmontada e Mahmoud Abbas, seu atual presidente, iria cuidar de seus prósperos negócios particulares com os israelenses ou iria brincar com os netinhos. Isso, se não for assassinado por traição à causa.
  3. A nova “Palestina” seria formada pelo minguado território de Gaza (360 km2) e mais um território retangular de 1.300 km2 da Península do Sinai adquirida ao Egito. Ao Egito seria pago por esse território cedido o valor de cem bilhões de dólares pagos em dez anos, pelos sauditas, pelos Emirados Árabes e pelo Bahrein. Portanto, essa Palestina teria um pouco mais do que 1.600 km2. No Brasil há vários municípios com extensão territorial maior do que essa.
  4. A Palestina do golpe do século seria um país desarmado, pelas condições irrevogáveis de Israel e Estados Unidos. A capital seria Gaza,
  5. A nova Palestina teria um aeroporto internacional que estaria localizado em El-Arish, dentro do Sinai. É um aeroporto militar antigo do Egito, que seria reconstruído. Os israelenses não querem permitir aos palestinos a utilização do bombardeado aeroporto de Gaza. Também haveria um porto marítimo de entrada e saída de mercadorias localizado perto de El-Arish. Novamente, os israelenses se recusam a aceitar que os palestinos venham a usar o porto de Gaza nesse futuro Estado Palestino.
  6. Não haveria direito ao retorno dos refugiados palestinos às suas antigas cidades da Palestina histórica. Quem quiser voltar que volte à nova Palestina, onde, segundo cálculos dos planejadores, deverá caber 2 milhões de novos habitantes. Portanto, aqueles que saíram de Haifa, Jaffa, Lod, Safad e outras cidades antes da Catástrofe de 1948, podem jogar fora as enferrujadas chaves de ferro de suas casas, que guardavam para o dia do retorno.

Os signatários desse tal de acordo, ou plano diabólico, são Israel, Estados Unidos, Arábia Saudita, Emirados Árabes, Egito e Bahrein. Espera-se que os palestinos sob pressão, com a condição de “ou aceitam ou não têm nada”, venham a assinar e concordar. A larga maioria da população palestina não aceita. Mas há uma elite que se beneficia e locupleta com os sionistas, tipo Mahmoud Abbas (presidente da Autoridade Palestina) e Mohammad Dahlan, homem de vários negócios ilícitos pelo mundo, que tem muita influência nos meios corruptos árabes e que ambiciona ser presidente dessa nova Palestina.

Mas para que esse plano tenha sucesso, há que se destruir o sonho palestino de construir o seu país no que restou da antiga Palestina. E para extinguir esse sonho deve-se acabar com o eixo que alimenta e fortalece o sonho. O grupo é formado por Irã, Síria, Hezbollah e a Resistência Palestina. O Iraque entra com menor peso.

No início tentou-se acabar com regime sírio, que seria o elo central que liga a República Islâmica do Irã às resistências libanesa (Hezbollah) e palestina (Hamas, Frente Popular da Palestina, Jihad al Islami, etc.). Não deu certo. O exército permaneceu coeso e com o apoio da maioria da população da Síria Bashar al Assad permanece no poder e é considerado um herói pela vasta maioria dos árabes.

Então, Israel, Estados Unidos e os árabes do petróleo decidiram acionar o plano B. Esse plano seria atacar a fonte, ou seja, a República Islâmica do Irã. A ideia básica é desestabilizar o regime iraniano. Foi por isso que Trump decidiu cair fora do acordo nuclear. Criou um enorme problema para seus aliados europeus que não querem deixar o acordo porque lhes é benéfico.

A ideia central do plano B é instituir várias sanções ao Irã, de forma que não possam negociar com a maioria dos países do mundo. Com isso empobreceram o país e gerariam insatisfação popular, criando a possibilidade de derrubada do governo. É claro que vai haver um que outro opositor radicado no Ocidente e financiado pelos árabes do petróleo que vai querer tirar proveito disso. São doze as condições impostas pelos Estados Unidos, com as bênçãos de Israel. As mais importantes, são a destruição das usinas nucleares, deixar de fabricar e fornecer mísseis balísticos, tirar suas forças e as forças do Hezbollah do território sírio, não mais fornecer armas à resistência palestina e ao Hezbollah.

Mas acho que a possibilidade de o Irã ceder muito remota. Os europeus e os russos estão brigando para que os Estados Unidos voltem atrás na sua decisão. Na Europa e na Rússia existem políticos experimentados, macacos velhos que não põem a mão na cumbuca, Eles sabem que se os Estados Unidos e Israel cometerem a insensatez de atacar o Irã poderão criar um conflito de proporções mundiais. E quando o povo americano ver, pela televisão, os cadáveres de seus soldados voltando ao país em caixões cobertos com a bandeira americana, certamente não vão reeleger Donald Trump.

Quanto aos israelenses, estarão escondidos em seus bunkers, estarão rezando fervorosamente para que a chuva de foguetes sobre suas cabeças acabe e que possam pegar Netaniahu e chupar seu sangue.

ABU IVANKA, A MEDIÇÃO DE PULSO ENTRE ISRAEL E SÍRIA E OUTRAS QUESTÕES

ABU IVANKA, A MEDIÇÃO DE PULSO ENTRE ISRAEL E SÍRIA E OUTRAS QUESTÕES

 

Êpa! Quem é Abu Ivanka?

É costume milenar entre os árabes a conceder o título honorífico e respeitoso de Abu àqueles que têm o primogênito. Abu, quer dizer pai de. Por exemplo, se o nome do cara é Abdalla e ele ganha o seu primeiro filho do sexo masculino e chama-o de Hashem, Ele passa a ser chamado orgulhosamente de Abu Hashem. Se o nome dele é Ali e chama o seu primogênito de Yasser, ele passa a ser chamado de Abu Yasser. Se o nome dele é Jamil e tem o seu primogênito com o nome de Sáleh, ele se se enche de orgulho e gosta de ser chamado de Abu Sáleh.  O nome do cara é Boutros, (nome cristão) mas ganha o primogênito e dá-lhe o nome de Elias, ele quer ser chamado de Abu Elias. É uma honra ser chamado de Abu Fulano, Abu Sicrano ou Abu Beltrano.

O Profeta Mohamed, por exemplo, (com Ele esteja a paz de Deus), antes de receber a missão de difundir a Palavra Divina, até os quarenta anos, era chamado de Abu El-Qassem, visto que o primeiro filho dele com Khadija chamava-se Qassem. Aos poucos, porém, à medida que Ele divulgava o Islã, outro título, infinitamente mais honorífico, sobrepujou o Abu. Foi o título de Mensageiro de Deus.

No meu caso, por exemplo, não tive filhos homens. Fui abençoado com duas meninas maravilhosas e a mais velha chama-se Karime. Alguns parentes da Síria e do Líbano e amigos árabes do Brasil me chamam de Abu Karime. Eu encho o peito de orgulho. Adoro ser chamado de Abu Karime. Mas não é muito comum receber o título de Abu quando só se tem filhas. Entram outros fatores na jogada. Outros títulos e predicados que o cara possa ter. No meu caso, sou um “estáz” – um professor (aplica-se também a intelectuais, escritores e jornalistas e portadores de mestrado) Portanto, os árabes enchem a minha bola quando me chamam de Estáz Abu Karime, embora eu saiba que não faço jus a tanto.

Mas voltemos ao Abu Ivanka. Quem é Abu Ivanka, afinal? Ele tem três filhos do sexo masculino: Donald Jr. e Eric da primeira mulher Ivana, e Baron, filho dele com a bela e charmosa Melania. Com Ivana ele também teve a loiríssima e sensual Ivanka. Mas por que esses árabes zombeteiros não chamaram ele de Abu Donald Jr., ou Abu Eric ou até Abu Baron? Por quê Abu Ivanka?

Ah, acontece que a charmosa Ivanka teve um papel preponderante na sedução dos sauditas para que o pai dela arrancasse 500 bilhões de dólares em armamentos dos árabes do Golfo. Os beduínos ficaram enfeitiçados pelos 1,80 metros de altura e por sua esbelteza de 64 quilos. Ah, e aquele olhar sexy de quem diz, “venha!”! E aqueles cabelos dourados ondeados a lhe cair nos ombros e no colo exuberante! E aquela inesquecível subida nas escadas do Air Force One, de braços dados com o marido, Jared Koshner! Uma subida lenta, provocativa, movendo seus glúteos em ritmo sincronizado, para a direita e para a esquerda, conforme ascendia a escada do avião! Ah, os beduínos da Arábia Saudita endoidaram de vez! Daí que os árabes de todos os países resolveram apelidar o pai dela, chistosamente, de Abu Ivanka

Pois bem Abu Ivanka tem tomado decisões que irritam os árabes fora do eixo Arábia-Saudita-Emirados Árabes-Bahrein-Qatar. Declarou Jerusalém a capital legítima e indivisível de Israel, pretende mudar a embaixada de seu país para Jerusalém dia 15, depois de amanhã, está trabalhando arduamente com esses países do Golfo e mais Israel para dar uma solução final aos palestinos.

A coisa é mais ou menos assim: ou os palestinos aceitam o que vai lhes ser proposto ou que se danem. A solução final é eles não mais reivindicarem a Margem Ocidental do Jordão como parte da Palestina e Jerusalém Oriental como capital do Estado Palestino.  Tudo isso deverá pertencer definitivamente a Israel. Os palestinos poderão formar um país na Faixa de Gaza – mais ou menos 320 km2 – e um pedaço da Península do Sinai de igual tamanho, que será comprado ao Egito. Contando com os palestinos que estão na diáspora, teremos aproximadamente 10 milhões de pessoas vivendo num naco de terra de menos do que a metade da extensão territorial de Caxias do Sul! Sendo que a parte do Sinai é majoritariamente desértica.

Mas Abu Ivanka continua com a sua obra. Colocou uma base militar no leste da Síria. Diz ele que é para combater o terrorismo. Que nada! Na verdade, é para proteger Israel. Aliás, ele andou ajudando os terroristas naquela área, tirando os líderes desses grupos e salvando-os com seus helicópteros, na hora que o exército sírio avançava. E para impedir o avanço do exército sírio, Abu Ivanka mandava seus F-16 bombardear as tropas sírias.

No dia 8 deste mês de maio, para satisfazer Israel, Abu Ivanka caiu fora do acordo nuclear assinado com o Irã e com outros cinco países. Criou com isso mais tensão, botou mais gasolina no fogo e deu luz verde à entidade hebraica para atacar a Síria. Só que a Síria já estava por aqui com os bombardeios constantes dos sionistas contra alguns de seus postos militares, ajudando dessa forma os terroristas que eles apoiavam. Portanto, a Síria resolveu atacar em represália. Efetuou vários golpes com misseis precisos em bases israelenses posicionadas no Golan ocupado. Como se esperava, houve a resposta israelense. A resposta também foi com foguetes. Mais do que a metade foi destruída pela defesa antiaérea da Síria. E os que atingiram o solo sírio, caíram em cima de armazéns e prédios vazios previamente abandonados.

O que aconteceu, foi uma medição de pulso entre a entidade sionista e a Síria. Por exemplo, Israel descobriu que o espaço aéreo da Síria não é mais um lugar de passeio para seus aviões de combate. Descobriu também que, se a Síria pode atacar Golan, pode perfeitamente atacar o âmago da Palestina ocupada. Pode chegar a Tel Aviv, Haifa, Acco e até Neguev, onde tem a estação nuclear dos sionistas, chamada Dimona.

E os líderes do estado sionista têm discutido esse problema com grande preocupação. Eles sabem que Abu Ivanka só vai ajudá-los se a situação estiver mesmo a perigo, se Israel estiver na iminência de desaparecer como país.  E sabem que se os foguetes da Síria não são suficientes, tem os do Hezbollah e os do Irã. Ai, ai, esses dois nomes causam pesadelos aos sionistas.

Depois dessa medição de pulso, vamos ver como as coisas se desenvolvem. Vamos ver quais serão os próximos passos de Abu Ivanka. Sabemos que no dia 15 ele vai mudar a sua embaixada para Jerusalém. Os palestinos de Gaza estão prometendo uma resposta adequada, inclusive com uma invasão de um milhão de refugiados ao território que um dia foi deles.

Será que Abu Ivanka vai permitir que Israel bombardeie a todos, causando uma gigantesca carnificina? Eu não duvido.

 

 

ISRAEL TOCA OS TAMBORES DE GUERRA – E já tem data marcada

ISRAEL TOCA OS TAMBORES DE GUERRA – E já tem data marcada.

 

Daqui a poucos dias, precisamente dia 12 de maio, os Estados Unidos vão sair do acordo nuclear assinado juntamente com os europeus e o Irã. Isso significa que não mais reconhecerão que a República Islâmica do Irã tem suas usinas nucleares para fins pacíficos.  Em tese, a qualquer momento poderão atacar o Irã, apesar da contrariedade dos europeus.

Mas eles não cometerão tal tolice. Isso fica por conta de Israel, já que há poucos dias, Benjamin Netaniahu, o primeiro ministro da entidade sionista, apresentou para o mundo alguns documentos que eles dizem ter roubado dos arquivos iranianos, onde constata-se que a República Islâmica está ainda trabalhando no seu projeto de possuir armas atômicas. O Irã nega essa afirmação veementemente. Foi uma autêntica apresentação teatral por parte de Netaniahu, cujo objetivo era arrastar os americanos para uma guerra contra o Irã.

Trump, entretanto, respondeu que esse problema era deles, israelenses, e os iranianos. E se eles quiserem atacar o Irã, que o façam. Obviamente, no frigir dos ovos, os Estados Unidos não iriam deixar sua menina dos olhos brigar sozinha contra o Irã. De alguma forma iriam ajudar. Eles, os americanos, sabem, e Israel também, que seria um confronto de grande risco. O resultado final poderá ser o desaparecimento do Estado judeu.

Mesmo assim não será uma tarefa fácil para o eixo do mal composto por Estados Unidos, Israel e os países do Golfo Persa (Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos e Bahrein – acho que o Qatar cairia fora da aliança nefasta). Por que não será fácil? Porque do outro lado temos a Rússia, que talvez não entre no conflito diretamente, mas estará ajudando seus aliados, o Irã, a Síria, o Hezbollah – que causou uma retumbante derrota a Israel em 2006. E não esqueçamos da heroica resistência palestina em Gaza.

A Síria, apesar do conflito contra as forças terroristas, está mais forte agora do que antes da guerra. Foram-lhe fornecidos pelos russos modernos armamentos para todo o tipo de guerra. O Hezbollah está muito mais forte com mais de duzentos mil misseis de alta precisão que poderão atingir todo o território palestino ocupado por Israel. A Resistência Palestina de Gaza já andou treinando uma invasão ao território israelense. Morreram algumas dezenas deles. Mas isso faz parte da resistência. Eles estão lá, na linha divisória que separa Israel de Gaza (que eu conheço muito bem). Por que estão lá?   Porque no dia 15 de maio, quando se rememora a “Nakba”, a catástrofe, a fundação de Israel e o êxodo total dos palestinos, eles haverão de invadir a terra que um dia antes de 1948, lhes pertenceu.

Quanto ao Irã, bem, o Irã é uma respeitável força bélica do Oriente Médio. Segundo os próprios analistas sionistas, é a única que pode destruir Israel.

Vamos aguardar os próximos dias. Vamos ver se Israel se atreverá a continuar tocando os tambores de guerra e, num momento de idiotice total, iniciar um ataque ao Irã, causando um conflito de proporções mundiais.

NOTÍCIAS QUE A IMPRENSA OCIDENTAL NÃO PUBLICA E A FESTA DE SAPATOS ATIRADOS NAS CARAS DOS REIS E EMIRES DO GOLFO.

NOTÍCIAS QUE A IMPRENSA OCIDENTAL NÃO PUBLICA
E A FESTA DE SAPATOS ATIRADOS NAS CARAS DOS REIS E EMIRES DO GOLFO.
 
No sábado passado, dia 21 de abril, alguns opositores ao governo saudita, tentaram um golpe para destituir o príncipe herdeiro, Mohammad bin Salman, que governa “de facto” a Arábia Saudita.
O interessante é que o grupo de opositores é composto, majoritariamente, por membros do clã dos Saud. Ou seja, primos e tios. Muitos deles tinham sido detidos em prisão domiciliar sob acusação de corrupção. Acusações essas, verdadeiras ou não, permitiram que o príncipe herdeiro Muhammad bin Salman extorquisse bilhões de dólares de seus bilionários parentes. Ele precisava fazer isso. Não porque quisesse combater a corrupção, pois toda a família dos Saúd é corrupta, inclusive ele e seu pai, Salman, o rei de mentira. Mas precisava fazer isso para recuperar, um pouco, o dinheiro que ele, o príncipe herdeiro, limpou dos cofres sauditas. Não esqueçamos que Muhammad bin Salman comprou quinhentos bilhões de dólares de armamentos dos Estados Unidos, durante uma visita de Trump ao regime saudita. Para os amigos terem uma ideia do volume desse valor, ele equivale a mais de duas vezes as exportações brasileiras em 2017.
Além disso, Muhammad bin Salman comprou um iate super luxuoso por quatrocentos e cinquenta milhões de dólares, comprou um quadro e pagou por ele trezentos e cinquenta milhões de dólares, sendo que o valor real desse quadro é menos de 10% o valor da compra. Portanto, ele precisava extorquir dos parentes biliardários para manter o país funcionando. Dizem fontes da oposição que só do homem de negócios Walid bin Talal, um dos homens mais ricos – senão o mais rico – do mundo, ele conseguiu arrancar dez bilhões de dólares.
Portanto, é muito natural que esses parentes que foram detidos em prisão domiciliar tenham sede de vingança e queiram derrubar o rei Salman e seu filho Muhammad. Por outro lado, convém enfatizar que o povo saudita está muito mais pobre e o índice de desemprego atinge um nível nunca antes visto no reino. Acreditem ou não, há sauditas revirando latas de lixo para comer. Há tribos no interior que não têm água para beber. Grande parte do povo saudita está revoltado com as guerras que o governo financia e participa. Exemplos: Iraque, Síria, Iêmen, Líbia, Somália, etc..
Portanto, é de se esperar uma revolta popular liderada por alguns membros da clã saudita (talvez o príncipe e homem de negócios Walid bin Talal).
Mas – agora vem a parte engraçada – um gigantesco grupo de árabes americanos querem que essa revolta seja adiada por umas duas semanas, pelo menos. Já explico.
Como vocês sabem, a imigração árabe aos Estados Unidos é dez vezes, ou mais, mais intensa do que a imigração árabe ao Brasil. Lá eles têm comunidades de sírios, libaneses, palestinos, iemenitas, iraquianos, egípcios, marroquinos, sudaneses, etc. e cada uma dessas comunidades tem centenas de milhares de membros. E esses milhões de árabes americanos têm violentas queixas contra os países do Golfo – Arábia Saudita, Emirados Árabes, Bahrein e Catar – e estão planejando uma demonstração contra esses países, bem à frente da sala oval da Casa branca, onde trabalha o presidente Trump. Os planejadores da demonstração esperam uma participação de aproximadamente vinte mil árabes e seus descendentes das mais variadas origens. A demonstração deverá ocorrer no dia 12 de maio, deste ano, das onze da manhã até às 17 horas. Serão seis horas de insultos, protestos, de sapatos velhos atirados nos enormes cartazes com as fotos desses reis e emires do Golfo. Vai ser um festival e tanto.
Por isso que esses “Arab Americans” querem que a derrubada de bin Salman e outros seja adiada até depois das 17h, do dia 12 de maio, para que eles possam ter o prazer de xingar, cuspir e atirar sapatos nas caras desses governantes. Se os caras forem derrubados antes, a festa perde a graça.

O “ATAQUE QUÍMICO” NA SÍRIA E A TRÍPLICE AGRESSÃO

O “ATAQUE QUÍMICO” NA SÍRIA E A TRÍPLICE AGRESSÃO

 

Imaginemos a seguinte situação futebolística: o time A está vencendo de goleada o time B. Digamos, de 6 a 0. Faltam cinco minutos para terminar a partida. De repente, sem mais nem menos, sem nenhuma justificativa lógica, o goleiro do time A vencedor, atravessa todo o campo e dá um soco no goleiro do time B, pondo-o a nocaute.

Existe lógica para isso? Precisava o goleiro do time A, que estava vencendo a partida por uma goleada histórica e, já nos minutos finais do jogo, agredir o goleiro do time B? Claro que não há lógica numa atitude dessas. Tampouco é plausível de acontecer.

Vamos aplicar a mesma lógica na guerra do governo sírio contra o terrorismo patrocinado por Israel, Estados Unidos, os árabes do Golfo Pérsico (Arábia Saudita, Emirados Árabes, Catar e Bahrein) e Turquia. A Síria está vencendo sua guerra contra esses grupos armados, Já tinha reconquistado noventa por cento da região de Ghuta Oriental. Já estava retirando os civis da cidade de Duma, o último bastião dos terroristas. Milhares desses terroristas estavam se rendendo ao governo sírio e sendo levados, em ônibus, a Idlib. A bandeira nacional da Síria já estava sendo hasteada em todos os prédios governamentais de Duma. Mas, não mais do que de repente, no finalzinho do jogo, o governo sírio, que estava dando de goleada nos terroristas, resolve atacar a população civil com armas químicas. Faz sentido isso? Dá para acreditar numa balela dessas?

Agora, vejamos as primeiras fotos distribuídas pelas agências de notícias. Aparecem crianças e mulheres deitadas no chão, algumas aparentando estarem em convulsão, outras sendo lavadas com mangueiras de água. O interessante é que não aparece nenhum homem morto nesse ataque. Será que as bombas químicas da Síria eram inteligentes e procuravam somente as mulheres e as crianças? Outro aspecto dessas fotos: nenhum dos que estavam ali para “salvar” as “vítimas” usavam máscaras que são necessárias para proteção contra o contágio químico.

Com todos esses questionamentos postos na balança, só há uma conclusão: o tal de ataque químico foi uma grande mentira forjada para que os Estados Unidos, Inglaterra e França, atacassem a Síria. Aliás, esse artifício já estava sendo previsto pelos sírios, pelos russos e pela maioria dos analistas do mundo árabe. Só não se sabia quando ia acontecer.

Toda vez que o exército sírio alcança uma grande vitória contra os terroristas, ou está para acontecer uma reunião do conselho de segurança da ONU sobre a questão síria, surge, como se fosse a reprodução de uma cena hollywoodiana, um “ataque de gás sarin por parte do governo sírio”

Esse último foi mais uma encenação para provocar a tríplice agressão à Síria. Os Estados Unidos, mais uma vez, convocaram a Inglaterra e a França para participarem. E os cãezinhos atenderam ao chamado. A Alemanha tinha sido chamada também. Mas a chanceler Merkel se negou, sabiamente, a participar dessa farsa.

O ataque saiu de uma base americana no Catar. Portanto, o Catar é cumplice na agressão e será severamente julgado pela História e pelo povo árabe.

Não preciso dizer a razão que move os Estados Unidos e outros países ocidentais a bombardearem a Síria. Quem já leu os meus escritos anteriores nesse mesmo blog, “O fator Síria” e “O fator Síria II” sabe que a razão são os belos olhos azuis de Israel.

Mas o meu amigo poderá perguntar: se o motivo é derrubar o presidente Assad, por que a Tríplice Agressão não foi adiante e invadiu Damasco e prendeu ou matou o popular presidente? Ora, simplesmente porque avaliaram que as consequências seriam terríveis. Em primeiro lugar, porque transformariam Bashar Al Assad num mártir para o mundo árabe inteiro e haveria uma guerra de guerrilha contra as forças invasoras. Segundo, porque do outro lado tem também uma superpotência chamada Russia, cujos foguetes alcançam Washington e vão além. Terceiro, porque do outro lado tem uma potência regional, a República Islâmica do Irã, cujos foguetes atingiriam Tel Aviv com facilidade, e atingiriam as capitais dos três países árabes do Golfo, que patrocinaram o terrorismo. Por fim, o quarto motivo, é que existe uma força chamada Hezbollah, que está colada em Israel e seus foguetes podem atingir as usinas nucleares de Dimona lá no deserto de Neguev e também os depósitos de Amônia em Haifa.

Já que eu usei o sentido figurativo comparativo para escrever esse texto, vou terminar da mesma forma. Digamos que o eixo Rússia-Síria-Irã-Iraque-Hezbollah está segurando, com mãos de ferro, o saco escrotal do outro eixo, composto por Israel, Estados Unidos, Árabes do Golfo, Inglaterra, França e Turquia. Qualquer movimento em falso, aperta-se o saco escrotal.

 

 

 

Os árabes ultra sionistas ou as putas de Meca

Os árabes ultra sionistas ou

as putas de Meca

 

Calma! Peço aos meus irmãos muçulmanos, especialmente aos sunitas, muita calma!

O mundo ocidental, em particular os Estados Unidos, vibraram com a ascensão ao poder, na Arábia Saudita, do príncipe Mohammad bin Salman. Um jovem de 32 anos, com ideias inovadoras e revolucionárias, que alegava trazer a Arábia Saudita do wahabismo retrógrado para o século XXI. Foi aplaudido efusivamente pelo Ocidente e por Israel.

Qual foi a primeira transformação dele? Concedeu às mulheres o direito de dirigir apesar da virulenta oposição dos clérigos sunitas wahabitas. E ficou só nisso no que tange aos direitos do cidadão. Não há registro de qualquer outro avanço nesse campo.

Recentemente, Mohammad bin Salman gastou um bilhão e meio de dólares em extravagâncias. Comprou um iate por quinhentos milhões de dólares, uma tela de Leonardo da Vinci que custou quatrocentos e oitenta milhões de dólares, que ele vai pendurar na cozinha da mãe, Fátima, e um palácio na França, que pertenceu a um dos Louis e que custou outros quinhentos milhões de dólares. Ato contínuo, mandou prender todos os bilionários sauditas, inclusive alguns parentes seus, e buscou a organização “Black Water”, especializada em torturas e que foi muito usada no Iraque. Sob tortura, arrancou vários bilhões de dólares desses biliardários homens de negócios para soltá-los.

O pai de Mohammad bin Salman é o rei Salman bin Abdel Aziz Äl Saúd. Aos oitenta e três anos, é uma figura decorativa. Nomeou o seu filho Mohammad como príncipe herdeiro, que assumiu o poder de fato. Seu primeiro ato foi deter, em prisão domiciliar, todos os outros príncipes que poderiam ameaçar a sua posição. Em seguida, juntamente com Jared Kushner, judeu sionista e genro e conselheiro de Donald Trump, costurou a maior transação de armas da história da humanidade. Meio trilhão de dólares – quinhentos bilhões. Para vocês terem uma ideia do volume de dinheiro, essa transação equivale a quase quinhentas vezes o total de exportação de calçados brasileiros no ano de 2017.

Para quê esse gigantesco arsenal?

Para guerrear contra o Irã, ora.

Mas por que o Irã que também é um país muçulmano?

Para proteger Israel que é inimigo mortal da República Islâmica do Irã. O Irã ajuda a Síria, o Hezbollah no Líbano e a resistência palestina em gaza. Portanto, a ideia de Israel, Estados Unidos, Arábia Saudita, Emirados Árabes, Bahrein é eliminar a fonte que alimenta a resistência contra Israel, que é o Irã.

Mas por que esses reinos e principados árabes do Golfo se posicionariam a favor de Israel contra a vontade da maioria esmagadora dos povos árabes? Contra a criação do Estado da Palestina, que é o sonho de todos os palestinos e árabes em geral?

Simplesmente porque eles sabem que o dia em que a Palestina for recuperada será a vez deles caírem. São reinos podres, corruptos, com reis e príncipes viciados em drogas e com vergonhosos desvios sexuais. A onda de libertação da Palestina seria avassaladora e atingiria o Golfo e derrubaria reinos e principados. Por isso a aliança deles com Israel. Eles são mais sionistas que os próprios judeus sionistas.

Falando em desvios sexuais, vem à tona mais uma “obra” de Mohammad bin Salman, o príncipe herdeiro saudita.

Realmente, ele decidiu dar um giro de cento e oitenta graus nos costumes da medieval Arábia Saudita, seguidora do islamismo sunita-wahabita, a mais retrógrada seita do Islã. Mas não foi um giro positivo. Foi um giro direcionado à libertinagem sexual. Com o discurso de “modernizar” o reino, ele decidiu concorrer com Dubai, dos Emirados Árabes. Pretende transformar todo o litoral do mar vermelho em um gigantesco parque de diversões para adultos, com hotéis, bares, cassinos, cabarés e puteiros de todas as categorias, para turistas ricaços e até turistas mochileiros.

Como consequência disso, a Cidade Santa, a Nobre Meca, para onde todos os muçulmanos se dirigem ao fazer suas orações, está sendo invadida por putas de todos os cantos e cabarés estão sendo instalados não muito distantes da Caaba Sagrada. Não sou eu quem diz isso.  Quem afirma isso é um sujeito que se diz jornalista e que trabalha como mercenário para quem paga mais. O nome desse crápula é Youssef Alauna. Agora, esse pulha está defendendo os interesses dos Emirados Árabes e da Arábia Saudita. Ele mete o pau no Irã e se auto intitula “Assad  al Sunna”, ou seja. O “leão dos sunitas”.  Xinga, sem pejo, os muçulmanos xiitas, o Hezbollah, o Irã, o governo da Síria e diz que os sunitas vão esmagar as cabeças de todos os xiitas. Exatamente esse ‘leão dos sunitas´’ é quem diz que Meca está cheia de puteiros. Ele afirmou que as meninas sobem os elevadores dos hotéis, batem nas portas dos apartamentos e oferecem seus serviços aos hóspedes peregrinos. O próprio homem deles diz isso. O que cabe a mim dizer?

Pois eu sou muçulmano xiita. Sempre tive vontade de fazer a peregrinação à Meca e me tornar um Hajj. Infelizmente, vejo que a Pura Meca, a Sagrada Mãe de Todas as Cidades (Umm al Qura, em árabe), está sendo profanada, está sendo desvirtuada e desvirginada pelas mãos de Mohammad bin Salman. Antes dele, seus bisavôs, seguindo o retrógrado dogma wahabita, destruíram os túmulos e santuários da família do Profeta, dizendo que isso era “shirk”- politeísmo. Agora ele, o jovem “reformador”, conspurca a Cidade Santa.

Está havendo um movimento, ainda embrionário, de alguns países muçulmanos para formar um comitê, composto de todas as correntes muçulmanas, para tirar Meca das mãos sujas dos Sauditas. Esse comitê constituído por sábios muçulmanos de muitos países, inclusive os xiitas, administrariam a Cidade Sagrada e gerenciariam a questão da peregrinação.

Há também uma corrente que defende a retomada de Meca e Medina pelos Hachemitas, que seriam os verdadeiros governantes do Hijaz, a região onde as duas cidades santas estão localizadas. Os Hachemitas são a tribo do Rei Abdala da Jordânia, cujo bisavô, Hussein bin Ali, foi expulso de Meca pelos Sauditas, ladrões e assaltantes de caravanas.

Enquanto nenhuma dessas duas possibilidades acontece, vou postergando minha peregrinação à Meca. Não quero fazer a peregrinação que deveria expurgar os meus pecados e, de repente, ter uma puta batendo à porta do meu apartamento no hotel.

 

 

 

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